11.12.12

Solidão sem nome.

Encostada no balcão daquele bar, brincando com o canudinho do meu copo de energético, ouvindo aquela moda de viola em silêncio com os olhos fixados em minhas mãos, aquele homem estranho, amigo de uma amiga, que eu acabara de conhecer do meu lado sussurrou em meu ouvido: "Essa solidão, tem nome?" E sem pensar se existia nome para aquilo ou não, retruquei: "Não." Ele não me disse mais nada, eu também nem ousei encara-lo para responder. Ele não era ninguém para receber uma resposta sincera. Retirei-me. Eu estava afogada em sono, embora estivesse entupida de energético. Sentei-me no vaso que tinha do lado do bar, eu não tinha mais pés. Estava exaustada. Eu só queria minha cama. Minha caminha. Fixei os olhos no chão, pensando em tudo.  A menina do meu amigo apareceu, eu a olhei e escutei o barulho do seu coração. Eu vi o quanto ela estava arrazada. Seus olhos... Ah, seus olhos. Me deu pena daquele olhar. Mas não disse, não disse nada a ela. Só voltei os meus olhos para o chão. Ela, incomodada com aquilo, disse: "Não vai chorar." Eu voltei meu olhar para ela e disse: "Eu não vou chorar, eu não choro." Ela soltou uma risada de deboche... e continuei: "É sério... Eu não sei mais o que é isso."  Ela ficou me olhando por alguns segundos, mas não me disse nada. Eu sabia que era ela quem queria chorar. Permaneci em silêncio. Eu nem fui capaz de perguntar se ela estava bem, ou dizer: "Não fica assim não." ou "Ele não te merece." ou "Você supera." Eu não disse nada. Se eu não queria ver uma  mulher chorando do meu lado, não era eu quem provocaria isso. Naquela noite, eu não era a menina do coração quebrado que segurava o choro, eu só era a menina cuja solidão não tinha nome. Ainda bem!
Anna Carolina Morato.

23.11.12

Desabafo.

Madrugada. Mais especificamente 3:28 da manhã. Rolei de um lado pro outro, tentando recuperar o sono, mas não funcionou. Peguei o notebook, olhei as redes sociais e devolvi pro criado-mudo, não era hora de internet. Eu precisava dormir. Eu ainda tinha mais um dia de trabalho.  Deitei, abracei meu travesseiro e fiquei pensando. Sentindo uma angustia enorme invadir meu peito. Preocupada. Aflita. Nervosa. Ansiosa. O que será que acontecerá daqui pra frente? Meu estômago começou a reagir novamente. Foi então que eu me lembrei que a minha última refeição  tinha sido às 2:39 da tarde. Sai do trabalho e consegui só voltar pra casa 10:00 horas da noite. Não lembrei de me alimentar nesse intervalo de tempo. Eu estava mais preocupada com o que estava - está acontecendo.  Tentei me alimentar assim que cheguei, preparei um cachorro - quente, mas a primeira mordida e meu estômago rejeitou. Se eu comesse uma salsicha a mais, eu vomitaria. Afastei o prato e debrucei sobre a mesa sentindo dor, cansada, com a respiração ofegante e com um arrependimento enorme. Arrependida por esquecer que sofro de refluxo e que eu preciso, obrigatoriamente, comer de três em três horas. Mas como se lembra de comer com um problemão desses? E o meu estômago não parava de queimar. Queimar. Queimar. Enquanto meu coração transbordava aflição. Deus meu, me socorre. Põe tuas mãos. Olhava o celular toda vez que eu lembrava que precisava descansar... 3:48 ... 04:04... 4:23... 4:56... 5:13... 5:20, o último horário que vi até conseguir adormecer novamente. Estou cheia de botões na cabeça. Eu não sabia que o buraco era tão em baixo. Não sabia mesmo. Eu não tinha noção do nível da situação e estou assustada com o ponto em que chegou. Sabe, uma coisa é você ouvir falar... Outra coisa é você vivenciar. Isso tem me consumido e agora, rouba minhas noites de sono. Não sei como ajudar e a questão é que... Não existe nada a ser feito. Entende? Nada. Não adianta falar, não adianta discutir, não adianta intimidar. Não adianta. Estamos perto do fim, as possibilidades estão se esgotando e a cada dia absurdos acontecem. Antes eu tinha a versão dos outros, agora eu tenho a minha versão, só que é tarde demais pra agir com indiferença ou ignorar os fatos, mas como se ignora teu próprio sangue? Sem condições. É só dor de cabeça e toda essa confusão levou uma parte do meu sossego. Agora eu entendo... É, entendo perfeitamente... É tudo muito triste, mas eu estou tentando me manter firme. Eu não posso desmoronar, afinal... qual o preço de algumas lágrimas?

Anna Carolina Morato.

23.10.12

Surta mais, Morato!


Tá faltando amor, porra! Tá faltando o meu amor, entende? Minha auto-estima está mais baixa que a temperatura do Alaska. Imagina na semana melancólica do mês? Estou nela, só para constar. Eu estou sangrando, sangrando, s a n g r a n d o . Minha barriga dói e eu quero chocolate. Eu quero chorar.  É o fim do mundo. É insuportável. É torturante. São nesses dias terrivelmente chatos que eu  sinto a falta que alguém legal faz. Olha, eu tô carente. Eu tô insegura. Eu tô confusa. Eu não sei  o que eu quero da minha vida. Eu não sei que curso cursar. Eu não sei de nada, simplesmente. Na verdade... eu sei sim,  sei que eu tenho que tomar vergonha na cara, mas agora eu não sei nada porque eu quero fingir que eu não sei. Eu só tô perdida e irritada e me sentindo sozinha e desejando loucamente uma cachorra, mas sem condições  adotar outro bebê porque  a Maggie morreu de "parvovirose" e faz só dois meses. E não era nem para eu estar aqui, era para eu estar estudando. É, resolvi estudar finalmente. E não era nem para eu ativar o facebook, mas a vontade de conversar com alguém foi maior e a porcaria do meu celular cortou ontem porque eu não paguei a fatura que venceu no dia quinze. E esse texto é a coisa das coisas mais ridícula que eu já escrevi e nada disso faz sentido, mas eu preciso por pra fora. Eu não aguento maiiiiiiiiiiiiiiiiiiiis essa panela de pressão dentro de mim assobiando toda hora.  Eu vivo em um campo minado e é difícil viver assim, prestes a explodir. É difícil viver sempre com o coração saindo pela boca, com a mente gritando o tempo inteiro. Sempre com o sangue fervilhando. Mais quente que uma fornalha. Eu não tenho paz, minha vida tá louca e eu tô mais louca ainda. Eu fico com receio de escrever poque fico pensando no que os outros vão pensar, não sei porque céus comecei a agir dessa forma. Porque?  Me importar com o que estão pensando ou deixando de pensar. E o que eu tenho a ver com isso? Ninguém paga minhas contas e ninguém vai na sorveteria comprar o meu sorvete de ninho trufado quando estou com vontade, muito menos me comprar sushi. Porque é que eu estou me preocupando com vocês mesmo? Dane-se vocês se pensarem que eu sou uma descompensada da vida, porque eu sou mesmo. Dane-se vocês se acharem que eu sou fútil e superficial, porque eu sou isso também. E sou muito mais coisas, porque defeito em mim, meu bem... tem pra dar e vender. Quer comprar algum? Posso parcelar pra você, em 20x sem juros. Eu preciso ser mais eu. Louca, neurótica, torta, que seja. Eu só preciso ser eu e aceitar. É difícil completar dezoito anos, até que me avisaram, mas a gente só acredita quando sente na pele. Que chatice tudo isso. Como eu faço pra voltar pro útero? Eu quero o útero da mamãe, poxa vida. Não tem como, né? É, eu sei.. Deixa pra lá a história do útero, eu não queria mesmo. É só a vida que tem sido meio trabalhosa de se viver. Respirando... Respirando... Não vou contar até dez porque eu não consigo. Postura. Postura. Estabilizando os ânimos... Chega de baixaria, vou colocar o salto. O mais alto, de preferência.

Anna Carolina Morato. 

1.10.12

...


Eu não mudo mesmo. Impressionante. Anta baleada. Jumenta desenfreada. Parece que não sei viu. Eu carrego uma panela de pressão e em vez de fazer alguma coisa pra amenizar a pressão, eu pioro ainda mais a situação. Custa conversar com alguém? Custa escrever? Não custa, mas eu trato meus sentimentos com tanto descaso que se está doendo ou não, tô nem aí.  Sinto falta de conversar com alguém por horas e horas e horas, mas penso que as pessoas estão ocupadas demais pra ouvir e eu, ocupada demais para escrever.  Então, vou levando... Fervendo  a panela até ela explodir, pra variar, com pessoas erradas. A pessoa não tem nada a ver com o que eu estou sentindo e eu lá estou, toda descompensada da vida, surtando por motivos fúteis. Desnecessário. Extremamente desnecessário. Olha, sinceramente, me envergonho das minhas atitudes às vezes. Sou tão madura, mas ao mesmo tempo tão imatura. Tão idiota. Depois fico me culpando e me desculpando pela minha impulsividade como se fosse mudar alguma coisa. Eu sei, não muda. Quem tem que mudar sou eu, quem tem que crescer sou eu.  E eu sei que está tudo mudando porque eu perdi o controle mais uma vez. Eu estou desesperada, entende? Histérica. Não ter o controle da minha vida e ver tudo de cabeça pra baixo me deixa looooooooooouca! É como se.. como se.. como se... Ah! Eu não sei esperar. Eu não sei deixar acontecer. Eu não sei me acalmar.   Eu não sei respirar fundo. Sou ansiosa demais e ver a vida sambando da minha cara me deixa extremamente irritada. Eu não entendo o sentido de muita coisa e eu tenho sentido tanto medo do futuro. Vocês não sentem?  É assustador e eu sou medrosa. Por Deus, como eu sou medrosa. Eu me fecho dentro da minha cúpula e quase ninguém me tira daqui. Eu não sei me permitir. Eu fico pensando. Pensando. Pensando. Eu penso muito e faço pouco. Talvez se eu aprendesse a pensar menos. Talvez se eu errasse mais e não me maltratasse tanto pelos meus erros... Mais que droga! Viu só? Mais uma vez o talvez... 

Anna Carolina Morato.

13.9.12



Estava meio triste sim. Triste é pouco, estava péssima. Você não tem noção. Péssima. Péssima. Péssima. Chegava a doer tamanha tristeza. Acordava ora triste ora mal - humorada e até tinhas crises de tamanha euforia, mas logo voltava pra mesmice. Dias térriveis. Terrivelmente chatos. Chatos demais. Engolindo elefantes. Matando leões. Que vida hein! Que vida. Parar em casa só parar comer e dormir é trágico, embora tudo que tenho feito tem lá suas vantagens, mas mesmo assim, alguns dias por mais lindos que sejam são extremamente insuportáveis. Assim tem sido meus dias. Meses, talvez. Minha auto-estima.... cadê? Perdi no meio da loucura. Passei a me amar menos o que é o pior veneno que alguém pode injetar contra si mesmo. Tudo era um porre.  Quando estamos bem com nós mesmos, não há dias terríveis que uma auto-estima em alta não resolva. Mais quem disse que eu estava bem? Nenhum pouco. Quer saber? Estava brigada. Sendo dura. Exigindo uma perfeição que não existe. Eu tento ser perfeita, mais isso soa tão irreal. É irreal, é sim. Quem inventou essa inatingível perfeição? Por favor. Isso caleja qualquer pessoa perfeccionista. É difícil aceitar que somos de carne e osso, que erramos e como erramos. Mas fazer o que né? Erros pertencem aos humanos. Perdões também. Era isso. Eu precisava me perdoar, mas antes disso, eu tinha que chorar. Precisava lavar a alma. De tanta porrada e chute, meu saco estourou. Eu já estava no meu limite. Aguentando calada uma faculdade de grosseria e descaso. Enquanto meus amigos perguntavam o que eu tinha... Ah! Se eles soubessem o quanto eu queria vomitar em cima deles. Queria por pra fora todos os meus órgãos, mas resistia. Falava sobre várias coisas superficialmente para não ter que falar o que estava realmente estava sufocando. Pra não ter que revelar minha insegurança frente a vida. O problema é que o que estava me matando mais não era os dias térriveis, nem as grosserias alheias, nem a idiotice humana. O que estava me matando era eu mesma. Querendo abraçar o mundo com as mãos. Olha o tamanho das minhas mãos, são pequeninas. São gordinhas, porém pequeninas. Não dá. Sinto muito, mas não dá. Me redimo. Deus do céu, me redimo. Me desfaço da armadura que eu mesma criei, me tiro nessa neurose de achar que sou de titânio. Não sou nada disso. Só assim, pra você saber, sou fraca tá? Durona é só a pose que eu faço pra ninguém perceber que eu sou mais mole que gelatina fora da geladeira. Pois bem, se o problema tem sido eu. Vou me entender comigo. Refleti. Pensei.  Repensei. Briguei também. Então eu cheguei a conclusão de que eu não tenho que ficar remoendo meus erros, muito menos assumir responsabilidades que não são minhas. Voltei pra mim. Aí que delicia voltar pra mim! Olhei para o espelho e finalmente vi a pessoa mais importante do mundo.

Texto escrito em 11/08/2012.
  Anna Carolina Morato.

27.7.12

Ele não é o cara-lindo-maravilhoso-gostoso, mas tem um coração bom. É gentil. Simpático. Humilde. Calmo. Fofo.  Homens assim me encantam. É obvio, ele me encantou. Ele é sincero e romântico e interessante. Amava conversar com ele, ele sempre ria das minhas bobagens e nunca me deixava sem graça, nem me reprimia. Eu estava começando a sentir algo. Então  pensei: " Se ele continuar a me tratar assim, acabarei me apaixonando."  E quanto mais eu pensava, mais eu apaixonava. Ele me ligava na hora que o time dele estava em campo só para saber como foi meu dia. -não, não pode ser - "Você não está assistindo o jogo? Estou, mas liguei para saber de você. Como foi seu dia? Agradável. Meu trabalho estava tranquilo. Enfim, foi bom. E o seu? Cansativo, mas estou bem. Me liga depois, é libertadores. E daí? E daí que é o seu time que está em campo. Não ligo muito, gosto de falar com você.."  É obvio que eu me encantei, ainda mais quando minhas amigas corintianas disseram: Mentira que ele te ligou na hora do jogo? Eu mandei meu namorado ir para aquele lugar na hora do jogo. E eu, particularmente, se fosse fanática em futebol desligaria o celular. Um homem que me liga na hora do jogo já é demais. Pensei comigo: Esse é pra casar! Declarei: Estou apaixonada. Que mulher não se apaixona ao acordar com mensagens eu-gosto-muito-de-você? Apaixonei mesmo. Amava a calmaria que ele me passava quando eu ligava estupefata. Amava a maneira como ele me tratava. Amava as N sms românticas. Amava até as crises de ciúmes. Estou apaixonada. Estou apaixonada. Estou apaixonada... Estaria apaixonada se não fosse ele sumir, simplesmente.   Claro, depois ele apareceu. Não entendi bem o que aconteceu. Só sei que a tal paixão passou. Pensei em te-lo como namorado. Pensei até que fosse o homem da minha vida. Fiz planos sabe? Planos de mulher boba e apaixonada. Invadi meu mundo de intensidade, mas quer saber? Passou. Não quero mais. "Você está empolgadinha demais, não te dou uma semana morato!" - já dizia um velho amigo. Minhas paixões, sempre tão rápidas, tão passageiras, nunca duram uma estação inteira.

Anna Carolina Morato.

28.6.12

Essa gente viu, Zé!

Você sumiu, nunca mais falou comigo. O que aconteceu pequena? Aí Zé! Desculpa, desculpa mesmo. Você não tem que pedir desculpa para eu, tem que pedir desculpa para você. Não é você quem diz que se esfola toda quando fica sem escrever? É né Zé. Então. Você está péssima, garota. Não pode ficar guardando tanta coisa assim não, faz mal. Eu sei Zé, eu sei. Mas eu não aprendo nunca. Acho que entrei em bloqueio. Dias, semanas, quase um mês olhando para uma página no word ou para uma folha em branco e o que saia? Rabiscos na borda da folha, frases desconexas na página word. E eu não conseguia. Não conseguia redigir nada. Absolutamente nada. Depois me faltava tempo. Queria escrever, mas não... nunca dava tempo. O tempo que eu gosto de ter para escrever. Pensar, escrever, pensar, escrever, pensar, re-e-e-e-e-e-e-e-escrever. Então a única coisa que eu poderia fazer é o que eu já estava fazendo a muito tempo: Sentir e remoer. Remoer e sentir. Se eu ao menos conseguisse escrever, ótimo. Mas nem isso. Aconteceram tantas coisas e o que eu escrevi sobre todas elas? Nada. Acontecimentos maravilhosos e também ultra-constrangedores. Tá confuso né? Me sinto meio remota, parece que nunca escrevi na vida. Não tô conseguindo liberar os dedinhos. Aí, meus dedinhos! Zé? Tô te ouvindo. É que você disparou a falar... Ah tá, me desculpa.  Então Zé, continuando. Esses dias eu surtei Zé, surtei. Você sabe que eu faço muito silêncio no meio do meu barulho, mas é que o silêncio é tão sedutor. Elegante. Educado. Magnifico. Mas muito silêncio também é inconvêniencia né Zé. E eu sou muito inconveniente, você sabe. Sempre adotei a politica da boa vizinhança. Nada de brigas. Tudo na paz. Sempre engoli quieta, todos os sapos. Moluscos. Peixes estragados do mar. Soa até covardia, talvez seja. Mas ficar me desgastando por aí? Francamente, hein. Só que Zé, chegou uma hora que eu não aguentei mais.  Eu posso até abaixar a cabeça pra muita gente, pra muita coisa só pra evitar "transtornos", mas isso cansa entende? Eu não tenho sangue de barata Zé. Toda bomba, uma hora explode. Não sou obrigada. Então Zé, eu dei uma de louca e a pessoa assustou. Depois a errada sou eu... Zé, manda essa gente acordar pra vida. Tô triste viu Zé, tô muito triste. Poxa, me fazem de troxa até a hora que eu deixo, aí quando eu surto ainda quer graça? Ixe Zé, falei mesmo. Chorei também porque eu sou sentimentalista. Deu dó da pessoa depois porque eu sei que minha boca é uma lâmina, mas também não me arrependo não. Tava pedindo viu Zé. Ninguém mandou dar uma de besta pro meu lado. Zé, fala comigo. Só eu falo aqui. Quer que eu fale o quê louca? Você não dá uma pausa para eu comentar. Foi mal Zé, foi mal. Eu entendo que você só abre a boca pra falar quando não aguenta mais, só que você não acha que exagera um pouco? Um pouco Zé? Eu exagero muito. Muitississississimo. Zé, as pessoas dizem para eu medir minhas palavras, mas eu não sou boa em matemática. E agora?!

Anna Carolina Morato.

25.6.12

Relatos de uma consumista.


Eu sou ajuizada, é claro que eu sou. Exceto quando estou dentro de uma loja. Toda a conduta de pessoa responsável e consciente some. Sabe aquele tipo de cliente que deixa qualquer vendedora louca? Então, essa sou eu. Entro nas lojas, experimento tudo que eu vejo pela frente. Bagunço toda a pilha de roupas que elas tinham acabo de organizar. Experimento sapatos. Brincos. Anéis. Pulseiras. Óculos. Bolsas. Blusas. Colares.  Vestidos. Principalmente os vestidos, minha paixão.  É que não basta ser mulher. Não basta ser problemática. Não basta ser tripolar. Não basta entende? Tem que ser consumista também! 

Eu aprendi a ser assim com a Sra. Morato porque quando eu era criança, não comprava-se roupas e acessórios por mês, comprava-se por semana. Sábado era dia do que? Coooooooooooooooompras!!!! Não bastasse o que já tinha sido comprado durante a semana, tinha que comprar mais no sábado porque sábado era dia de gastar. Sempre foi. Essa característica consumista eu adquiri com ela, só que agora não posso culpa-lá por eu comprar como se não houvesse amanhã. É, realmente eu não posso culpa-lá. Daqui dois meses e cinco dias eu faço dezoito anos e além do mais, eu já assumo minhas responsabilidades. 

A minha vida desandou quando eu comecei a trabalhar.  Cai na ilusão de que poderia comprar tudo. Engano meu. Um salário minimo não dá e ainda falta. Sou consumista mesmo e gasto todo o meu dinheiro. " Compra. Aproveita. Aproveita agora que você é nova, não tem filho. Não tem marido e não tem casa pra sustentar." - diz a vendedora, diz a cliente consumista do meu lado. Não tenho nada disso, mas tenho futuro e aí? Só que na hora da compra, eu não lembro dele. Eu esqueço completamente. Eu não penso, eu só compro. Compro como se não houvesse amanhã, nem depois de amanhã, nem semana que vem, nem mês que vem.  Eu compro. Compro. Compro e o pior, só penso em comprar.

Cada um desconta suas emoções em algo ou alguma coisa e quando nada está bem, eu compro. É um vicio. Meu devaneio. É bom só na hora porque depois volta tudo ao normal, só que pior. Eu vou para as lojas pra boicotar meus sentimentos, mas depois que o efeito passa, tudo fica ruim novamente. Eu me arrependo. Me arrependo muito. Mas mesmo me arrependendo e me sentindo horrível por ser tão fútil, lá estou eu: comprando. "Carolina, para de gastar." - diz minhas amigas. Só que não dá, é mais forte que eu. É muito mais forte. Não posso me esquecer que  isso é mais um assunto para ser tratado com a minha psicologa mês que vem porque esse mês eu gastei o dinheiro da sessões.

Anna Carolina Morato.

29.5.12

Robô que chora.


Eu penso que sou a mulher de ferro, entende? Pode bater que sua mão quebra, mas meu coração não. Mas eu só penso, só penso. Quando eu estava começando a acreditar que realmente meu coração havia petrificado, lágrimas rolaram dos meus olhos. "É sério mesmo que eu tô chorando?" Eu não sabia se sorria  ou se chorava de vez. Mas no fim, acabei chorando mesmo. Só sei que chorei e chorei muito. . . E lá estava eu, chorando como se não houvesse amanhã. Chorei por tudo. O choro contido de todos os meses ali, sendo derramados em uma tsunami de lágrimas. Tudo que não foi dito, tudo que não foi escrito, tudo que foi sentido em lágrimas. Chorei até pelos meus peixinhos que morreram e pela cachorrinha que eu ganhei que também morreu. Chorei mesmo. É que sei lá, sabe? Eu me robotizei, mas você já viu robôs ter coração? Então, nem eu!

Anna Carolina Morato

27.5.12

Jogar ao mar...


E eu ia remando o meu barquinho cheio de badulaque, toda formosa. E ia tudo bem. A maré estava tranquila. Meu corpo cheio de energia. Eu fui remando, remando. Remei sem parar, mas quando cheguei no meio do mar, eu já não tinha mais tanta energia. Remar estava exigindo muita força. Embora meu barquinho estivesse pesado, eu continuei. Continuei remando até me esgotar. Continuei até formar calos em todos os meus dedos e feridas na palma das minhas mãos. Chegou uma hora que eu não conseguia mais dar uma remada completa, nada. Então parei ali em mar aberto para descansar o corpo, fazer um curativo nos machucados enquanto pensava em como eu poderia continuar sem ter que me livrar dos meus badulaques. Eu já não tinha mais forças. O barquinho estava cheio. A tempestade estava próxima. Eu só tinha uma única solução: Jogar ao mar. Hesitei. Tinha que haver outra solução, pensei comigo. Fiquei ali em mar aberto com sol ou chuva. Eu sabia que precisava desapegar, eu só não tinha coragem. Eu olhei pra tudo aquilo e pensei: "Não vou jogar ao mar. Dá pra continuar sem ter que me desvincilhar. Eu sei que dá." Alguma coisa começou a dar errado quando eu vi que mesmo com o meu barquinho em estado de inércia, eu iria afundar. Foi então que eu percebi que não dá. Não dá para continuar a remar, muito menos chegar a praia sã e salva com um barquinho de tábua cheio de badulaques desnecessários. Eu tomei a decisão, uma das mais dolorosas: Jogar ao mar! E joguei. Joguei para as águas levarem tudo aquilo que não serve mais porque a vida é assim. É como um barquinho de tábua que você tem que remar e para não correr o risco de afundar antes de avistar a praia, você precisa jogar ao mar. Barquinhos de tábuas não suportam pesos desnecessários. Já posso voltar a remar...
Anna Carolina Morato.

21.5.12

Querido lallo...

         
 Querida Jujuba, algo se resume em amor, mas o que é amor? Semana dificil para descobrir que estamos dispostos a esse risco, acaba nos pegando de surpresa. E depois, o que faremos? Aguardamos a pessoa amada pelo resto da nossa vida, ou lutamos por ela igual naqueles contos de fadas? Porque não pode ser tao simples, o mocinho ficar com a mocinha e assim viverem o resto da vida juntos, temos que complicar tanto, torna-se as historias tao difíceis, tao tristes, onde tudo atrapalha, onde nos machucamos, ferimos, e volto na mesma pergunta, O que é o amor? Não era para ser algo bom? Sera que é tao bom, que queremos ou estamos dispostos a sofrer? Corações deveriam ter um botãozinho de desliga partes sentimentais, porque isso acaba conosco, com nosso corpo, com a nossa alma, sempre iremos falar sobre amor e vamos morrer falando ao tentar descobrir o que é, o destino conspira bem longe da gente, bem longe! Apenas queremos ser amados, “é ai” cometemos erros, grandes erros, e que olhamos e dizemos “Putz” fizemos isso, por causa de uma minima situação, olha o que o amor nos propõem. É…  eu não era assim, ate descobri-lo, mudei tudo, minha vida, minha rotina, minhas regras. Só por um simples sentimento, querida jujuba o que faremos?? Eis a questão…

          Querido lallo, eu me faço essa perguntas todos os dias, mas ainda não encontrei uma resposta que definisse realmente o que é o amor e talvez até morreremos sem saber. O amor vai além do céu e da terra. Além de qualquer pensamento filosófico. Além de qualquer fórmula de física, qualquer problema de matemática ou equações de química. Enfim, vai além. Quem somos nós pra conseguir definir o amor? Nós? Seres humanos, cheio de defeitos e com sentimentos falhos? A gente acha que ama, mas a verdade é que desconhecemos suas dimensões. A gente fala que é amor, porque é mais fácil. É mais bonito. Soa mais elegante. Mas, mas, mas o que é o amor afinal? Eu também não sou capaz de responde-lo e cá estou eu, rebatendo a sua pergunta, com a mesma: o que é o amor? Essa é só mais uma pergunta sem resposta. E bom, poderia ser tudo simples sim. Mas como exigir simplicidade de um sentimento tão complexo? Amar não é um sentimento simples. Ele é nobre. É soberano. É rei. É príncipe. Amar é difícil, talvez seja por isso que dói tanto. Também queria entender todo esse efeito do amor sobre nós. Essa sina de sofrer e seus afins. O amor é bom sim. O amor é vitima e vilão em uma mesma história. É diretor e protagonista em uma mesma novela. O que defini é a intensidade e a maneira de como se ama. Tudo que nos resta, não é indagar ou descobrir o que ele é, é apenas senti-lo.  Fica tranquilo. Quem definha o amor é a razão. A razão mata. O amor não. O amor não mata e se matar, não era amor. Era Câncer.
Lucas Fhernandes e Anna Carolina Morato.

13.5.12

êêê mããããe! ♥

Se você soubesse o quanto eu te amo... Se eu tivesse poderes mágicos, você seria a primeira pessoa que eu tornaria imortal!
Triste mesmo não são aquelas pessoas que não tem alguém para chamar de mãe. Triste são aquelas que as tem desde o dia em que nasceu e só resolve demonstrar seu amor no dia que é considerado "Dias das mães". Isso sim é triste. 24 horas não é nem 0,5% perto de 8.760 horas. Absolutamente nada. Este dia para eu é como outro qualquer. Embora não seja a melhor pessoa do mundo pra ficar esbanjando eu-te-amo-você-é-muito-importante-na-minha-vida, eu demonstro nas atitudes. Eu demonstro o meu amor quando vou até seu quarto e lhe dou um beijo de boa noite na testa ou quando eu acordo mais cedo e levo uma xícara de café na cama ou quando a respeito ou quando a obedeço ou quando digo seu nome ou quando simplesmente, observo - a dormir.

De que adianta um filho  dizer amar sua mãe, mas só sabe agir com ingratidão e desobediência? É amor deixar a mãe triste e desrespeita-lá? A coisa mais horrível do mundo é ver um filho maltratando suas mães, tratando -a com indiferença, como lixo. E isso, honestamente, me corta o coração porque para pra pensar... Imagina o que é uma mulher carregar um ser  durante nove meses na barriga pra ser maltratada depois. Às vezes, nós filhos, não entendemos nossas mães. Julgamos. Indagamos. Mas só passamos a entende-lá no dia em que o teste de gravidez der positivo. Isto muda  a vida de uma filha - futuramente mãe - completamente e muda a vida de um filho - futuramente pai. O que me entristece mesmo  são filhos ingratos. Que não ergue as mãos pro céu e agradecem pelos pais que tem, seja eles lá bons ou ruins, mas são pais. São mães. Te deu a luz, quer mais o que ainda? Quer esperar chorar do lado de um caixão para lembrar do verdadeiro significado da sua mãe na sua vida? Porque é assim, só dão valor quando perdem embora toda regra tenha sua exceção.

Minha mãe me ensinou a valorizar tudo o que eu tenho e a agradecer também, porque desde criança quando ela me levava pra aula de pintura enquanto rezava um sermão de toda segunda - feira, ela dizia que eu não iria te-lá para o resto da vida e que nada que eu tenho seria para o resto da vida. Que um dia tudo iria acabar e que eu teria que valorizar e cuidar para que dure. Que era preciso cultivar. Plantar e colher. Mamãe ensinou. Ensina todos os dias ainda. Ela não é só a mulher que me colocou no mundo. Ela é muito mais que isso. É minha amiga. Minha irmã. Minha filha. Minha cúmplice. Minha inimiga. Minha Deusa. Minha. Minha. Minha.

O que abala todas as minhas estruturas é quando ela e olha para eu e diz: "Eu aprendi a ser mãe com você, sabia filha? Eu achava que ser mãe era encher você e seu irmão de mimos e te dar tudo do bom e do melhor. Eu trabalhava muito e esqueci de te amar. Achei que você e seu irmão precisava de conforto, de luxo. Não de amor. Eu aprendi a ser mãe com você, por que você sempre foi carinhosa. Me cobrava isso. Eu não tive mãe. Nunca soube o que é ter um amor de mãe e como não tive, eu não sabia dar isso pra você."  Ela não me diz isso uma, duas vezes. Ela me diz sempre que é para eu nunca esquecer. Ser filho é isso. É doar e receber. É ensinar e ser ensinado. É amar e ser amado.

É engraçado quando estamos em algum lugar e perguntam: "Vocês são mãe e filhas mesmo? Estão mais pra duas amigas de colegial." E nós duas caímos na risada, porque é uma comédia. A nossa relação é deliciosa, mas tem suas desavenças. É claro que tem. Não dá pra duas virginianas, de gênio iguais viverem juntas sem se arranhar algumas vezes. Ela faz tudo por mim e eu igualmente. Só que no meio de tantas trocas, sabe o que eu acho mais louvável? É quando ela me chama de filha e quando eu a chamo de mãe. Meu Deus! É a coisa mais linda do mundo. É a prova de amor mais intensa do mundo. Quando eu ligo pra ela e embora esteja ora triste ora brava ora alegre, ela sempre atende com um: "Oi filha!" "Oi mami." E não adianta, amor mesmo é amor de mãe. Ôh coisa mais linda! E esse amor é eterno. Não há quem mate. Não há quem arranque. Ter uma mãe é a benção mais divina que Deus pôde dar a um filho e não tem horas para esse amor. Não tem data certa. Amor de mãe é todo dia. Dia das mães é todo dia também.
Anna Carolina Morato.

5.5.12

Desabafo.


É que tem fases na minha vida que eu tenho a sensação de que perdi o jeito de escrever. Eu faço um texto, narro uma história, crio um personagem, faço diálogos, começo um poema, componho uma música, mas sem finalidade. Todos cheios de virgulas, mas sem  pontos finais. Só que às eu tenho a sensação de que algumas coisas não são ditas, quem dirá escritas. Aí tá eu com meu silêncio. E eu tenho sentido muito, tudo. Sentido e guardado. Quantas vezes tentei escrever e vacilei. A caixa de rascunhos do hotmail está mais cheia que a caixa de saída. A página de rascunhos do blog está mais cheia que a página de publicações. Escrevo todos os dias, mas não escrevo nada. Nada que me agrade e nada que me alivie. Já falei, algumas coisas são inexplicavéis, indescritíveis. A gente sente e sente quietinho enquanto toma uma xícara de cappuccino pra aquecer do quase frio que faz no outono.

A minha vida está completamente desordenada. Se eu disser que tenho tempo pra entender  todas as emoções que tem me visitado, é mentira. Eu não tenho. O tempo que eu tinha não é mais o tempo que eu tenho e o meu corpo anda tão cansado. E se tudo é questão de costume, ainda não acostumei com uma vida que era água e que agora se transformou em vinho, da noite pro dia e tudo assim, rápido demais. Eu tenho acelerado meus passos pra acompanhar as mudanças tanto interiormente quanto exteriormente. Falar pra você, não é fácil. Às vezes me dá uma vontade tão grande de voltar pro útero da mamãe. Às vezes me bate um medo tão absurdo.  Dúvidas, tantas dúvidas. Indagações. Exigências. Responsabilidades. Meus ombros estão cada vez maiores, maiores pra ter que aguentar tanta coisa.

Eu me olho no espelho e não vejo mais uma menininha. Eu me olho no espelho e vem um curta na minha mente. Eu lembro de todos os rostos que passaram pela minha vida e me proporcionaram momentos de felicidade e fico contente. Só que depois, esse curta muda o percurso e começo a lembrar todos os  rostos que me proporcionaram momentos de tristeza e fico triste. Meus olhos querem chorar, mas eu me contenho. O que eu sou hoje  é resultado da dor de outras estações e muitos ainda alegam que eu mudei pra pior. É! Mudei pra pior porque deixei de ser troxa? É isso mesmo que entendi? Fácil mesmo é julgar as pessoas e suas mudanças repentinas. Julgam, mas esquecem  que ninguém muda  porque acha bonito a ideia de mudar.

O que eu vou escrever agora invadirá um estado intenso de melancolia e drama, mas é isso: Estou morrendo! Como a tantos já morri e ainda continuo  a morrer. As folhas não morrem no outono? Eu também estou morrendo. Estou de luto e visto preto pra velar a minha morte e velo sozinha porque só eu consigo sentir a dor e chorar a perda da velha Anna.  Eu me prendi a mim e cá estou eu comigo. Tranquei as portas. Ninguém entra! Só sai. E que se for pra sair, que vá com Deus. Vai e não volta não! Eu cansei de implorar por amizades e de aguentar as pontas sozinha e de ser SÓ eu a amiga. Eu cansei de implorar por presenças que só sabem ser ausências. Metade de mim é falta. Outra metade é saudade. E eu sinto falta e sinto saudade de taaaaaaanta gente, mas metade dessa gente não vale mais a pena, a outra metade não vale nada. O que me resta de valor dessas pessoas, são só as lembranças. Boas, ruins. Enfim, lembranças.

Tudo vai ficando pra trás. Tornando - se passado. E bom, eu estou me renovando e dando espaço a uma nova Anna e modificando meus pensamentos e curando meu coração. Uma nova vida começará e para poder aceita-lá, eu preciso antes me desintoxicar e isso é o que eu mais tenho feito. Organizando a minha casa, porque se vocês não perceberam, tá uma baderna. Mas a gente vai se encaixando, não é? A gente sempre se encaixa e se ajeita. Só precisamos de tempo. Estou no meu tempo e respeito isso. Foi de tanto sofrer por ser mal educada  com os sentimentos que aprendi a respeita-lós. Se tem uma batalha já perdida é a que travamos com o que sentimos. Não dá pra negar. Não tem jeito. Não tem discussão, entendeu? A gente sente e fim de papo!
Anna Carolina Morato.

27.4.12

O bom de ter amigo homens.


Se por trás de todo homem existe uma grande mulher, por trás de toda mulher existe vários homens. Mulher sabe ser masculina e conviver mais com homens do que com mulheres, torna essa caracteristica ainda mais acirrada.  Mulher tem amigas ótimas e amigos maravilhosos. Amigo homem liga a hora que quer, manda mensagem, te derrotam no Xbox, te vêem chorar, dá chocolate se você pedir, te bate sem ser nomeado de covarde, escuta seus lamentos as 4:30 da manhã e não somem. Dão atenção, carinho, amor, abraço e o mais legal: informações. Um amigo homem  te livra das garras de um canalha e não te deixam, por nada nesse mundo.

Eles podem ter todos os defeitos do mundo, mas sabem ser sinceros. Não vão te enganar se o cara que você está saindo é um tremendo de um idiota, muito menos  te confortar com desculpinhas. Homens não são como  as mulheres, que se iludem com todo e qualquer detalhe e se amarram em mentirinhas só pra não ter que encarar a realidade: Ele não está afim de você ou ele está te enrolando ou ele só quer te... É triste e machuca, mas homem é homem.

Eles falam na linguagem nua e crua. Explicam os sinais, narram os próximos  passos de um imbecil e por mais que você queira se iludir, sempre tem aquele amigo pra te lembrar que você está fazendo isso errado. Então, sem perceber, uma mulher vai começando a perder a essência do romantismo. Sem perceber, ela vai se tornando fria e indiferente. E é assim, que uma mulher aprende a ser mais racional e menos emocional. Quando entra no mundo masculino e percebe que na história da chapeuzinho vermelho o personagem principal é o lobo mau.

Mulheres que participam do "mundo dos homens", criam suas armaduras. Vão aprendendo a lidar com as circustâncias, vão aprendendo a jogar. Homens pra conquistar mulheres que possui um exército te protegendo, tem que ser bom no que faz. Apenas isso. É que ter muitos amigos homens, às vezes, faz uma mulher se sentir um também, exceto se não fosse um útero que sangra por sete dias no mês, exceto se não fossem portadoras de um sentimentalismo frenético baseado em contos de fadas.

Anna Carolina Morato.

14.4.12

A falta que alguém certo me faz.

Eu não vejo graça em ser de todos e não ser de ninguém. Não vejo mesmo. Qual a graça de pegar todo mundo e chegar no fim da noite e não ter ninguém pra te ligar ou mandar sms desejando boa noite? Não existe nenhuma graça nisso. Sinceramente, eu não nasci pro casual. Não nasci pra essa coisa de beijar por beijar, transar por transar. Francamente, meus pais não me deram uma boa educação para sair por ai me perdendo e me doando por homenzinhos meia-boca. Às vezes, me sinto uma peixinha fora d'água. Eu não deveria ter nascido nesse século. Eu sou da época do romantismo que amor é pra vida inteira. Mas olha só, onde eu estou vivendo? Um "foda-se" é mais sincero que um "Eu te amo". Isso machuca. Machuca a banalização do amor e afins. Machuca a banalização de tudo. Machuca porque eu ainda acredito no amor verdadeiro. Acredito que o que vem de dentro ainda é mais importante que o que vem de fora!

Tudo isso me faz pensar no quanto alguém certo faz falta.  Os caras que eu conheço, na grande maioria, ou são babacas demais ou são canalhas demais. Que tédio! Quando é que acharei um diamantezinho  no meio de tanta bijuteria vulgar? Me diiiiz!  Se você soubesse o quanto a falta de alguém interessante me faz . . . Eu preciso de alguém que suporte todos os meus ataques de histerelismo e que não me julgue por ser tão gay, tão estupefata, tão escandalosa, tão nojenta. Alguém que entenda minha dupla personalidade que ora é apaixonada, atenciosa, legal, fofa e meiga ora é cínica, petulante, idiota, seca e desprezível. Alguém que acalme a minha tempestade, amorteça o meu hiperativismo, desative as minhas bombas - relógios que estouram a cada cinco minutos. Alguém que ouse, mesmo que sem sucesso, me domar. Só pelo prazer de ousar. Alguém que me desafie, que me tire do sério todas as manhãs, mas que me dê todo o amor do mundo todas as noites. É tudo tão simples! Eu sou mulher de um homem só. Só que a mulher do homem que aguentar acirradamente o tranco de me amar.

Cá entre nós, não acho nenhum pouco legal pessoas que acham que ser solteira é a melhor coisa da vida, só é a melhor coisa quando você não tem alguém incrível ao seu lado. Até os mais cachorrões de todos os cachorrões, no fundo, quer encontrar alguém pra chamar de "minha". Ninguém quer ser sozinho quando se pode ter alguém pra compartilhar. A questão é: Achar esse alguém. Eu analiso tudo em um homem, mas poucos me agradam. Poucos me servem. É sempre muito o que eu quero e é sempre muito pouco o que podem me oferecer. Então, é preferível ser feliz sozinha porque ter mais dor de cabeça do que massagem nos pés, não é relaxante. É perda de tempo.
  Anna Carolina Morato.

5.4.12

Tudo errado.


Em uma tarde qualquer de outono, você se pega pensando: "O que é que eu tô fazendo? Onde é que eu tô com a cabeça?" Então você percebe que tá tudo errado. Você. Sua vida. Tudo. Tudo tá errado e de cabeça pra baixo.  Você que sempre mediu as consequências dos seus atos, não tem medido nenhum mais. Você que sempre julgou quem age por impulso, agora é a única coisa que sabe fazer. Agir por impulso. Falar sem pensar. Por aí vai . . . Você se sente uma verdadeira mulher de lata. Insensível e sem coração. Tratando tudo e todos com frieza, sem emoção. E qual a graça disso tudo? Não sentir não tem graça pra quem sempre sentiu tudo profundamente. Às vezes, acontecem certas coisas na vida que te faz mudar sem perceber. Que você vai indo, indo, indo e quando vai ver está um passo do precipício. Você se olha no espelho, fixa o olhar por um tempo e reconhece: "Essa não sou eu." Então você conclui que precisa voltar a ser quem você era antes de se transformar em quem você nunca seria. É! Tudo pode se perder nessa vida, inclusive uma essência, mas a última coisa que você deseja perder nessa vida, é o seu eu. Quando você começa a errar muito, erros atrás de erros atrás de erros e mais erros, a consciência berra: "Relhóu, você não é assim."  Então você começa a sair do seu estado de insanidade atrás de uma realidade, da sua realidade. Você começa a rever seus conceitos, suas atitudes. Tudo errado! Você é errada. Extremamente errada e não importa o que dizem para aliviar a sua barra, você continua se sentindo péssima SÓ porque você não consegue se perdoar, SÓ porque você não quer aceitar a vida como ela é. Você se confunde e se perde e se confunde e se perde e se perde e se perde e se perde. Lá vai você, com um papel e uma caneta tentando colocar endereço em cada lugar do seu coração, porque no fundo, você se conhece. Você sabe exatamente quem você é, você sabe de tudo só que você, às vezes, se trai. Sai de fininho. Pula a cerca. Você quer férias, só que você não sabe como é viver sem você. Então,  você se larga e se trai e se machuca e se sacaneia, mas não se deixa. Você não pode se deixar e é de tanto querer ir, que você nunca vai, você sempre fica. Fica porque você é o seu maior amor, e amor assim, não dá pra viver sem.

Anna Carolina Morato.

2.4.12

Tarde demais pra se arrepender :/


Quando você gosta de alguém em silêncio, passado algum tempo, o sentimento se desfaz. Você luta tanto para não sentir aquilo e quando vai ver, já se convenceu de que não sente mais. Você esquece, digo, acha que esqueceu! Então, de repente, as duas vidas se cruzam e você descobre que se gostavam, onde até então você achava que era a única que tinha começado a se apegar de maneira errada, só que não. Ele sentia o mesmo, mas você não sabia. Como é que você imaginaria? Você pensava que ele jamais poderia gostar de alguém como você, mas enfim, ele gostava de alguém como você. Por quê agora? Por quê SÓ agora que vocês foram abrir o jogo um com o outro? Palhaçada dessa vida. O jogo só foi aberto, porque você, no auge da sua euforia soltou um: "Eu gostava de você aquela época." Você sempre faz isso, depois que passa, sempre diz para eles que gostava ou que era afim ou que morria de vontade de beijar a boca. Você fala porque passou mesmo. A sua petulância de subestimar os sentimentos do próximo foi o que causou o estrago completo, porque você acha que só você sente, os outros não. Você acha que é pouca demais pra conquistar o coração de alguém, mas sempre tem alguém pra te provar com A+B que você não é.  E você vivia no coração dele e ele vivia no seu coração, mas vocês não sabiam. Que coisa mais chata.

Qual é o preço que se paga por esconder um sentimento tão bonito e tão sincero de alguém? Você se arrepende por ter sido fraca, medrosa e infantil. Você se arrepende por ter sido. Mas arrependimentos chegam sempre tarde demais. Tarde demais pra mudar alguma coisa.Você percebe que gostar em silêncio não é legal e que de tanto sufocar um sentimento, uma hora ele desperta e volta com tudo. Você sente seu coração como naquela época, sente o sentimento e sente o arrependimento. Só que arrependimento não traz ninguém de volta, não vai traze-lo também. Você percebe que chances são perdidas por bobeiras, pelo simples fato de não falar o que realmente quer, pelo simples fato de querer carregar tudo sozinha. Quando você o abraçou, sua vontade foi dizer: "Volta pra minha vida vai!" mas tudo se resumiu em: "Eu senti tanto sua falta". Ele abraça ainda mais forte, seus dedos se afundaram em seus cabelos. Silêncio.Você sabe que as coisas não são tão simples assim . . . e agora é tarde demais. Você sabe, é tarde demais pra se arrepender.

Anna Carolina Morato.

29.3.12

Agora que o outono chegou . . .


Lá vem o outono imitando o inverno. Fazendo-me sentir frio depois de um banho ultra quente logo pela manhã, deixando as minhas mãos gélidas, levando as mechas do cabelo para frente e para trás em um bailar que só os ventos de outono sabem fazer. As folhas já começaram a amarelar, alguma já estão jogadas nas ruas. Agora que o outono chegou... estou deixando as folhas da cidade do meu coração cair. Não dá pra renascer antes de morrer. Estou deixando pra lá. Tô fazendo uma sujeira e tanto aqui dentro. Folhas já secas estão jogadas ao vento  e continuam a cair, cair, cair, cair. Até que... até sobrar uma única folha na árvore e então, eu já posso limpar as ruas. Agora que o outono chegou... eu não estou mais em ebulição. Uma tranquilidade me cerca. Uma vontade de ficar só, no meu canto. Agora que o outono chegou... estou crescendo, mas dói tanto. Por quê crescer dói? Por quê deixar as folhas morrer dói? Por quê tudo nessa vida, de certa forma, dói? É sempre muita pergunta para uma caixa vazia de respostas. Vida de gente grande, não é engraçada. Vida de gente grande, é meio chata. Meio idiota. Meio metida. Meio superficial. Agora que o outono chegou... muita coisa irá mudar. É essa mudança que me deixa assim, querendo a solidão. Não me leve a mal se eu passo a maior parte do tempo com os olhos fixo em um ponto qualquer. Algumas coisas precisam ser assimiladas, agora que o outono chegou...
Anna Carolina Morato.

28.3.12

Antes só.


Meus pais nunca me prenderam, muito pelo contrário, sempre me largaram, mas com uma condição: Toda e qualquer atitude errada causaria uma  consequência acompanhada de uma punição. Ótimo. Me ensinaram o que é o certo e o que é errado e deixaram sempre bem claro que a escolha é minha. Meus pais que são meus pais, não me prendem e não me tratam como propriedade deles, eu vou aceitar homem me tratar assim? Ah, me poupe. Eu até poderia estar escrevendo sobre a alegria de ter conhecido alguém legal, mas na primeira semana juntos ele cometeu o pior crime que alguém pode cometer contra mim: Me prendeu.

Eu não quero alguém que dê crise de ciúmes toda hora,  que desconfia de tudo o que eu falo e acha que é meu dono.  Eu não quero alguém que fique dizendo onde eu devo ficar ou com quem eu devo conversar. Não fui criada assim, não fui acostumada assim. Quer surtar, vai surtar bem longe de mim que eu não sou obrigada a aguentar homens inseguros que não confiam no seu próprio taco. Fala sério. Eu tenho mais o que fazer, né? 

Eu não gosto dessa preocupação de ter que ligar pra alguém ou mandar sms pra alguém, mas o que eles querem de mim é que eu fique de quatro e ligue de madrugada pedindo por um pouquinho de atenção e que seja aquelas ciumentas neuróticas ou aquelas afobadas que conhece o cara em um dia, liga e manda sms no outro. Eu não sou assim, nunca vou ser.  Eu não sei implorar. Não  deve se iludir com alguém como eu. Não me humilho por migalhas. Sossegada, na minha. Não tô nem aí pra nada, essa é a verdade.

Não sou a garota que precisa beijar todos em uma festa só pra provar que é desejada, eu não preciso provar nada pra ninguém. Muito menos a garota que dá em cima de todo malandro de sorriso safado  só pra conseguir um afago no ego, eu não preciso dar moral, eu já tenho. Eu já sou completa e não estou procurando por "alma gêmea" ou "metade da minha laranja"

Ser sozinha não me faz mal. Eu não sou louca o bastante pra aceitar viver com alguém incapaz de aguentar o tranco de me amar e odiar tudo ao mesmo tempo. Eu não nasci pra ser presa. Eu até diria que morri enjaulada na outra vida, isso é... se eu acreditasse nisso. Me ama, mas não me prende. Me ama, mas me deixa livre. Pássaros não foram criados para serem enjaulados. 
Anna Carolina Morato.

26.3.12

Changes.

Meu silêncio incomoda. Incomoda porque eu sempre tô pondo tudo pra fora, ou eu tô falando feito uma matraca velha ou eu tô escrevendo feito uma doida varrida ou cantando desafinado ou ensaiando um discurso de duzentas mil palavras na frente do espelho. Eu que só sei gritar pro mundo o quanto eu sou idiota, agora só quero ficar quietinha pensando no quanto eu sou idiota. Vou deixar de fazer tanto barulho. Parei pra conversar  com a vida e a ordinária me deu uma lista cheia de opções para assinalar. Assinalei: Eu.  Agora vou mudar. Eu vivo mudando, mas é que tenho coisa melhor pra fazer do que sair por aí avisando que eu estou de mudança. Quando vão perceber, já mudei e quem aguentar o tranco da minha metamorfose, traz   limão que eu já tô com a dose de tequila. Sei lá. Ser demais, cansa. Vou ser de menos. Ser intensa demais, cansa. Vou desintensificar. Estou tirando umas férias de ser sempre muito pra nada. Umas férias de querer  transformar rosas quase mortas em buquê de flores. Eu tenho esse dom, de sentir mais que o sentimento, mas agora parei. Não quero mais ser a retardada que sente mais que as sete bilhões de pessoas do mundo juntas, porque ser assim me custa.  Eu que sempre quis ser tudo, não quero ser mais nada. Eu só quero paz, um pouquinho de paz. Não me leve a mal, mas é que de todas as opções que a vida nos dá, mudar é a mais interessante. Mudar é a única saída!
 Anna Carolina Morato.

20.3.12

Carolina, calma.

Que eu sou apavorada, todo mundo sabe. Calma. Relaxa. Sossega. Não se preocupa. Deixa rolar. Tratada como criançinha, haja fôlego pra me aguentar. Eu sou do tipo que não sabe esperar. Se eu quero, quero tudo e  quero agora. Não quero amanhã, nem mês que vem. Quero pra já. Pra ontem. " Você parece ser tão calma". Aparências enganam. Não sou nada, nadinha, nenhum pouco calma. Eu não sei ser calma, ter calma. Ligada no 220V. Eu me seguro ao máximo, mas dentro de mim eu tenho um campo minado cheio de bombas que estouram a todo instante. Desesperada. Trabalho a minha personalidade todos os dias. " Carolina, calma. Carolina, controle-se. Carolina, uma coisa de cada vez. Carolina, menos." Cuido de mim sim, mas ás vezes escapo e chuto o balde e faço loucuras e surto e surto e surto e surto. Admiro vocês, calminhos, que tem o controle da situação. Desespero não leva a nada, eu sei, mas vai colocar isso na minha cabeça? Vai fazer eu entender que eu tenho que ter paciência e deixar a vida me levar?  É nesse meu desespero que eu me esfolo todinha. As coisas acontecem, simplesmente. Eu só não aprendo, mas continuo tentando. De tanto me esfolar, provavelmente eu aprenda a ser "calminha". Quem sabe? 
Anna Carolina Morato.

E lá vai...

Ela não é muito certa não. Vive em ebulição. Ela é assim. Sempre em erupção. Vive explodindo, mas sua combustão é meio lenta. E lá vai ela... Lá vai ela com sua bomba - relógio em forma de pensamento, com sua panela de pressão em forma de coração. Lá vai ela com um sangue mais quente que as chamas de uma fogueira. Lá vai ela com sua personalidade insuportável. Ninguém entende essa menina não. Tem mania de querer controlar as emoções, as razões. É realista, mas só sabe boicotar a realidade. Lá vai ela imitando filmes de comédia romântica, mas nada mais é que uma cópia barata de uma novela mexicana de quinta categoria. É, essa menina é problema. Invocada que só. Invoca até com sua própria sombra. Cheia de implicância. Lá vai ela com a sua estupidez desfilando com a sua petulância. Lá vai ela com a sua frieza carregada de indiferença e  acompanhada de um orgulho master. Lá vai ela deixando de lado contos de fadas, cavalos brancos e sapos. E lá vai... lá vai a menininha virando mulher. Lá vai ela, mas ela só vai. Vai e não volta. Não se deve esperar a volta de uma menina assim, como ela. 
Anna Carolina Morato.

14.3.12

Não se preocupa não.


Sabe, tem uma coisa que eu queria entender. Alguém pode me explicar o por quê? Por quê as pessoas ficam tão doloridas quando falam a respeito de suas vidas? Tudo bem. Eu entendo. Esse povo cuida além do limite, inventam além da conta, mas ficar bravinha ou bravinho porque fulano falou? Gente, fulano, ciclano, beltrano: FALA MESMO. Fala com gosto! Você vai espernear? Vai sair dando tiro em todo mundo? Me poupe. Da mesma forma que cuidam da sua vida, você cuida da vida de alguém e fala da vida de alguém e por aí vai... Agora ficar dando chiliquê porque não tiram o olho da sua vida já virou clichê e chato.  Já ouviu a história da fila indiana? É exatamente isso.  Você que fica aí gritando: "A vida é minha, eu faço o que eu quiser." A vida é sua sim e você faz o que quer mesmo, mas na hora de aguentar o falar mal das pessoas fica pedindo arrego e perguntando: "Porquê vocês não vão cuidar da vida de vocês hein?" Meu bem, a resposta é simples: "A sua está mais interessante." Pimenta nos olhos dos outros, é refresco. Sabe como é né? Então. Tanta coisa pra você se preocupar e você se preocupando porque fulano ou beltrano ou ciclano tá cuidando acirradamente da tua vida? Deixa cuidar. Deixa falar. Acham que eu também não tenho gente que cuida da minha vida? O que eu mais tenho por aí é "amiguinhos" me apunhalando pelas costas e eu tô preocupada? Nenhum pouco. Se eu for me importar com tudo que dizem ao meu respeito . . . Se você for se importar com tudo o que dizem ao seu respeito . . . Que tipo de vida teremos? A-c-o-o-o-o-o-r-d-a-a-a-a! Vamos parar com essa hipocrisia de que SÓ os fulanos e beltranos e ciclanos falam da nossa vida. A gente também fala que eu sei. Eu sinceramente tô pouco me lixando para os "cuidados especiais" até porque, se eu me importasse com alguém cuidando da minha vida, eu não teria msn, twitter, facebook, tumblr e principalmente: blog. Eu se fosse você, começaria a não se importar também. Pra evitar fadiga. Economizar energia pra detalhes mais importantes do que gentinha que cuida da vida alheia.

OBS: Antes de pensarem que esse texto foi pra alguém especifico, já vou logo avisando: Não foi! Agora quem se sentir ofendido, eu sinto muito, mas é a realidade. Um beijo, jujuba.
Anna Carolina Morato.

11.3.12

É dor.

É dor. Tudo que eu sinto agora e tá doendo. Muito. Muito. Muito. Estou em meio ao caos, com impulsos de ódio acompanhados de lágrimas. Soa irônico não? Eu não consigo derramar uma lágrima sequer pelos meus problemas, mas quando são os seus.... Eu inundo um estádio de futebol. Estou em prantos, chorando feito bebê.  Não. Não. NÃÃÃÃÃO! Eu não quero ter que te ver assim. Quer me dar teu coração? Dói mais porque eu não posso sentir a sua dor, mas ela é sua. Eu queria que fosse minha, mil vezes minha do que sua. Antes eu, do que você. Eu posso aguentar firme tudo que acontece na minha vida, mas quando é você eu não aguento. Eu desmorono. Eu não suporto isso. Dói. O que eu posso fazer? Eu só quero que você seja forte o suficiente pra enfrentar tudo isso. Nada me atinge tanto a fundo, exceto quando você é o atingido. Eu viro uma fera, viro leoa, viro tigresa, viro tudo o que você imaginar porque você é meu ponto fraco e eu sou capaz de qualquer coisa, por você. Eu tô desesperada porque eu queria ser especialista em coração, assim eu poderia fazer alguma cirurgia no seu. Quem sabe?Nada do que eu disser vai amenizar, nada. Eu não sei o que eu faço, mas talvez, ficar ao seu lado seja alguma coisa. Sangue do meu sangue. O ódio que corre nas tuas veias, corre nas minhas. A dor que corre nas tuas veias, corre nas minhas. As lágrimas que rolas dos teus olhos, rolam dos meus. Me sinto quebrada. É se alguém tivesse pegado a melhor parte do meu coração e tivesse sei lá, pisoteado? Massacrado?  Humilhado? Porque foi isso que fizeram com o seu. Mas estamos juntos nessa. Te dou meu coração pra sua dor não ser tão dolorosa. A última coisa que eu serei capaz de fazer nessa vida, é te abandonar. Isso não. Isso nunca.  
Anna Carolina Morato.

8.3.12

É sério isso João?!


 Nossa João! tô tão feliz cara! Fica quieta guria. Porque João? Mas eu tô tããããão feliz. Pulinhos de alegria. Guria, quantas vezes vou ter que te dizer que felicidade não se grita, muito menos se dança? Aff João. Qual é a tua? Quanta chatice. O que que tem falar que tá feliz? Desde quando felicidade é pecado? Vou pra cadeira elétrica? Vai me mandar pra forca? Eu não, mas os outros... Dane-se os outros João. Eu tô feliz. Eu tô feliz. Eu tô feliz. Eu tô fe... Não adianta me olhar com essa carinha de dó que só tu sabe fazer, não vou arrancar o espadrapado da sua boca. É pra tu me escutar tá me entendendo? Guria, presta atenção: As coisas evoluíram. Se tem uns que jogam só um balde de água fria na tua felicidade, outros encomendam uma chuva de granizo que é pra tu não sorrir nem chorando de tanta dor por causa das pedras de gelo. Não adianta. Inveja tem insônia e tu... tu é um caso sério guria! Fica gritando aí pro mundo que tá feliz e blá blá blá. Quem quer saber da sua felicidade? O que mais tem é gente querendo te destruir. Ainda não percebeu?  Pra começar por quem tu  és, depois pelo que tu tens, depois pelo que tu faz e por aí vai guria. Não fica esperta pra tu ver o que te acontece. Tá me olhando com esses olhos de jabuticabas arregalados por quê? Muito ruim só eu falando. Vem cá, deixa eu tirar esse esparadrapo da tua boca guria. Nossa João! Pensei que não ia me deixar falar nunca mais. É sério isso João? É sérissimo. Ficou assustada guria? Fiquei né João, lógico que fiquei. Olha o que você tá me falando, tem cabimento? Tem sim! É a realidade guria. Tu sabe quem são os seus? Sei João, claro que sei. Sabe mesmo? É, acho que sei. Se sabe, compartilha com eles e só. Muito cuidado guria. O que mais tem por aí é cobra querendo envenenar teu sangue. 

Anna Carolina Morato.

obs: Tanto o João, quanto o Zé são personagens fictícios.

7.3.12

Até debaixo d'água.


Você já teve alguém pelo qual não importa a distância, nem razão, você sabe que pode contar em qualquer hora ou lugar? Eu tenho ele. É com ele que está meus maiores segredos, ele que sabe dos meus piores defeitos. Eu sou implicante e invocada e brava e ele só ri. O que me deixa mais enfezada ainda. Eu  trato ele com o maior carinho, só que ao contrário. Somos piores que cão e gato. Perdemos um ao outro, mas perder a piada? Nunca. Ele me conta das garotas e eu, claro, dos garotos. Somos vilões, somos cúmplices.

Quando a corda aperta, é pra ele que eu corro. Aquele dia que eu chorei rios, mares, oceanos, um planeta inteiro... foi pra ele que eu liguei com a minha voz trêmula. Ficamos hoooooras conversando. Primeiro eu contei tudo o que aconteceu e depois ele falou tudo o que achou que eu realmente  estava precisando ouvir. Me acalmou. "Vou desligar agora." " Ah não! Não vai não. Mais não vai mesmo" "Porque não?" "Porque você vai chorar. Eu não desligo enquanto você não parar de chorar. Para de chorar." "Não vou chorar mais. Vou dormir." " Vai sim!" "Não vou não, juro." "Fica bem e não chora, beijos. Tchau." " Obrigada. Mais tarde eu te ligo, beijo. Tchau." 

Quando a corta aperta, é pra mim que ele corre. Ele liga com aquela voz chorosa, implorando por um aconchego, um afago. "O que eu faço agora?" "Não sei nem o que dizer." "Não precisa, só me escuta." Ele só precisa de alguém que o escute e eu o escuto, sempre que necessário.  Depois falo alguma coisa engraçada, só pra ele rir e perguntar: "Pode me dizer qual foi a cor de passarinho que você viu hoje?"

Somos dois pólos extremamente diferentes. Opostos. Nada bate, exceto nossa amizade. Eu sempre tão inquieta e apavorada e cheia das graças. Ele sempre tão quieto e calmo e sem graça. " Nossa, tô muito brava com você. Chatiadissississima." "Sério? O que eu fiz agora?" " Você não sabe o que você fez? Foi o que você não fez. Não respondeu minha mensagem e me ignorou. Não fala comigo mais. Tchau" " Não faz assim. Sério mesmo que você tá chateada por causa disso? Desculpa." " Eu chateada? Quem te falou isso? tô chateada não. Só tava testando pra saber se eu sei fingir braveza mesmo." "Você não tem o que fazer não?" "Ter eu até tenho, mas me divirto mais quando paro pra te encher." " Besta" "Também te odeio"

Ele tem a Anna que quase ninguém conhece. Tem a Anna que quase ninguém tem. Com ele é fácil ser eu. Não que eu não seja eu com outras pessoas, mas é que com ele é menos arriscado. Ele  vive naquele mundinho e eu por ser intrusa, consegui a chave. Faço a festa. Ás vezes ficamos dias sem nos falar, os horários não batem, os tempos são quase raros, mas não esquecemos um do outro.  Ele é só alguém que eu sei que posso contar até debaixo d'água . . .

Anna Carolina Morato.

6.3.12

"Livrai - me de toda a inveja, amém."


Não, eu não quero ser chata. Não é isso. Eu quero tampar o sol com a peneira, mas eu sou realista demais pra ser capaz de tanto. Eu tento acreditar que inveja é fruto psicológico, mas não é. Então a pessoa olha pra você dos pés a cabeça. Quer seu cabelo, seu charme, seu sorriso, seu jeito, seu vestido, seu peep toe: Quer ser você. Simples. É tão fácil perceber um olhar de inveja porque deixam nítido o sentimento. "Eu tenho inveja de você, daria tudo pra estar no seu lugar." Oh meu amoooooooor, então entra na fila porque o que tem de gente querendo dar uma de boa as minhas custas. . .

Cá entre nós, agora a oração antes de sair de casa tem que ser: "Livrai - me de toda a inveja, amém."  ao invés de "Livrai - me de todo o mal, amém." Porque minha filha, esse mundo está feio e a minha situação precária. Se duvidar, têm inveja até do meu pezinho gordinho esparramado e que parece de pato. Quanta inveja. Quanto olho - gordo. Que isso! É tão difícil assim entender que cada um tem o que merece???!

Sabe o que eu tenho vontade de fazer com pessoas invejosas? Sentar - lhe a mão na cara e falar poucas e boas. " Alô é da policia? Sim. Qual a ocorrência? Uma louca me agredindo. Qual o fundamento? Minha inveja." Olha que ótimo. Se eu fizesse isso eu seria presa por agressão física e danos morais ainda por cima. Mas deixa estar. Cresci com o desprezo. " Filha, sabe como matar uma pessoa sem precisar arrancar sua vida e ser presa por isso? Desprezo. Não existe veneno pior no mundo capaz de matar alguém como o desprezo." Então aos invejosos, lá vai: Meu desprezo pra vocês, ordinários. Falo mesmo.

Anna Carolina Morato.

5.3.12

E se não houver o amanhã?


Então aqui estou eu. 3:29 da manhã. Olhando pra essa folha em branco que está começando a ficar rabiscada enquanto penso no que escrever. Milhões de ideias contaminando a minha mente me faz perder o sono em madrugada como essas. Ótimo, eu só queria voltar a dormir. Escrever sobre o quê? Uma hora dessas. Hesito. Não vou escrever. Amanhã penso nisso. Quero dormir. Apago a luz, me deito. Quero dormir, mas não tenho sono. Até que . . . E se não houver amanhã?! Levanto sobressaltada pensando em como sou idiota. Abro o caderno, pego a caneta. A mesma página que fiquei rabiscando até as 4:13 sem escrever uma linha sequer. 

Porque somos tão idiotas? Porque idealizamos tanto o amanhã e lembramos tanto do ontem? E o hoje? Como é que fica? Não fica. A gente sempre faz do nosso hoje, o  amanhã. Amanhã eu vejo isso, amanhã eu faço aquilo. Amanhã. Amanhã. Amanhã. E se não houver amanhã, nem depois de amanhã, nem semana que vem, nem mês que vem, nem ano que vem?  Como você reagiria se soubesse que você tem até a meia - noite de hoje para ser feliz? Permita-se e se caso machucar, o mínimo que vai acontecer é você crescer. Permita-se e se caso alguma coisa der errada, pode chorar. Pode gritar. Pode surtar. Chora. Grita. Surta mesmo. Extravasa! Põe pra fora o que te opõe.

A vida é digna de ser vivida e  pra suportar a dor de viver, você precisa ser um pouco retardada ou um pouco louca, que seja. Seja o que quiser, do jeito que bem entender. A única coisa de valor que nós temos é o hoje. "E se" e "Quando" só causam enjôo e dor de cabeça. Eu que sempre pensei no amanhã, eu que sempre me apeguei ao ontem... agora eu só quero o meu hoje. Afinal, e se não houve amanhã? Eu só quero dizer que a única preciosidade que nós temos depois da vida, é o dia de hoje. Era só isso mesmo. 

Anna Carolina Morato.

1.3.12

Solidão? Pergunta pro vizinho!


 É mais fácil eu acabar com todas as folhas do caderno do que escrever este texto! Eu tô querendo escrever sobre muitas coisas, só que sabe a solidão? Então! Me pede um texto desde quando eu descobri meu dom, mas nunca escrevi a respeito. Escrevo a cinco a anos e esta é a primeira vez que me refiro a solidão e mesmo assim não é nada do que quero escrever porque este texto não é sobre uma profunda melancolia que a solidão proporciona para os solitários, este texto é sobre a não solidão. Eu vivo lendo textos que falam da solidão e acho um dos sentimentos mais poderosos porque o estrago que ela causa é de tamanha crueldade, além de ser um dos mais profundos, mas eu não tenho argumentos para escrever  com tamanha profundidade. Nunca estive em um estado de solidão. Eu até penso em ficar sozinha, mas não me deixam. Grudam que nem chiclete. Eu não aprecio a solidão, até porque eu tenho pra quem ligar no final da noite pra contar como foi meu dia, tenho com quem botar ovos, tenho colos pra chorar, tenho oito peixinhos pra cuidar e tenho amigos pra contar. Ainda bem! 

Menosprezo a solidão porque a coitada não tem vez, mas sabe o que é? Solidão me apavora. Solidão me causa muito mais tremor do que a palavra desprezo. Eu não sou do mal, mas se eu tivesse que desejar algo ruim pra alguém, não seria solidão. Solidão é morte. Uma das piores da espécie porque faz a vítima definhar até o seu último segundo de vida. Minha garantia é porque eu não sou sozinha. Sou várias Anna e várias Carolina em um corpo só. Eu sou minha amiga, minha inimiga, minha esposa, minha amante, minha juíza e minha réu. Imagina se eu fosse sozinha? Imagina se eu terminasse comigo e não corresse atrás? Certamente agora estaria escrevendo: " Deus, porque tão só? Estou sozinha. Não tenho ninguém. Ninguém. Ninguém. Ecoando" porque você sabe, exagerar na dose e fazer tempestade em copo d'água é a minha cara mesmo.  Ainda bem. Ainda bem que eu vivo terminando e voltando comigo porque ser eu dá um trabalho, mas viver sem mim faz uma falta danada. 

Minha vida é uma crônica...de erros. Eu vivo me deixando, mas antes de raiar o novo dia, eu volto. "Não faz assim. Não briga comigo. Você é idiota. Desculpa? Não. Desculpa. Vai parar de ser idiota? Vou! Amigas? Sim. Senti sua falta, eu te amo. Eu também".  Faço as pazes, me mando flores. Lírios, minhas favoritas. Mantendo o clima in love no ar. Eu comigo mesma. O meu singular é o mais atraente que eu já conheci. Eu vou me boicotar mil vezes, mas me perdoarei mil e uma. Se tem um amor pelo qual irei implorar todos os dias de joelho, é o meu. Pessoas entram, pessoas saem, mas no final eu sempre estou feliz e comigo.  Estava falando sobre o que mesmo? Aé, da solidão. Solidão? Aqui não. Acho melhor perguntar pro vizinho!
Anna Carolina Morato.

24.2.12

Insatisfação.


TÁ! Todas as células do meu corpo gritava por distância. Arrumei minhas malas, comprei as passagens e fiquei dez horas dentro de um ônibus sozinha. Me afastei de tudo durante três dias. Foi bom. Eu precisava matar a saudade de uns, sentir de outros. Foi bom não, foi mais que bom. Ótimo. Coisa melhor do que não ter gosto pra Carnaval e tal e aproveitar o feriado na praia? Não tem. Botei mil ovos em um só dia de tanto ver homens bonitos, sarados, gostosos. Minha cidade natal podia ter tudo aquilo não é? Podia... não tem. Um pena. Banho de mar é um tipo de sessão de descarrego naturalmente dinâmica. Esqueci tudo. Não pensava em nada, só sentia. Sentia o mar, as ondas, os raios solares, o vento, a areia macia. Quisera eu que a vida se resumisse só em praia e sol. Oh coisa boa! Mas não, é só uma parte da vida. Que assim seja. Uma hora começaria a ficar chato. 

Agora estou de volta. De volta a minha realidade. Ao calor exagerado de uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul. De volta ao meu trabalho maneiro. De volta ao meus amigos idiotas. De volta aos meus surtos diários. De volta a minha vida enjoada. Quer saber? tô insatisfeita. Cansada dessa vida, dessa gente. Odeio marasmo e minha vida está se tornando um. Hora de mais mudanças, sim ou claro? Concerteza. Beleza. Quero mudanças. Por onde começar? Mudei o corte de cabelo: não adiantou muito. Quero mais que isso. Quero mudança drástica. Coisa assim de outro mundo, sabe? Uma reviravolta. Sinceramente, tô cansada e pior: em crise. Ando com uma antipatia que Deus me livre. Cheia de encabulações. Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu amo peixinhos de estimação. Cá entre nós, algumas pessoas eu daria uma boiada para não ter que ver, muito menos aturar. Dá um chá de sumiço pra essa cambada de gente chata e inconveniente logo. Estou cansada de ser legal. Mais azeda que abacaxi verde. O anti-socialismo me chamou pra tomar uns drinks e estamos tomando até agora, chego a estar embriagada. Sei lá viu, meu humor tá mais oscilante que a pressão de uma pessoa hipertensa. Cansada, tô cansada. Já falei isso? Falo de novo porque eu tô cansada. 

Sabe, cansei até das minhas próprias palavras. Eu nem sei mais o que faço com isso. Escrevo. Escrevo. Escrevo. Escrevo até sem ter o que escrever só para manter o meu elo amoroso com vocês, palavras. Me chamem de ingrata. Quando preciso, uso - as. Quando não preciso, ignoro - as. Não quero mais saber. Não estou precisando de palavras. Estou mais pensativa que o normal. Quieta. Muito sossegada pro meu gosto. Não me perguntem o que eu tenho. Só me deixa. Me deixa quietinha, mas não me abandona. Me abraça.

Anna Carolina Morato.

17.2.12

"Queria!" Não quero mais.


Eu não queria que o fim fosse como foi. Eu queria que você se arrependesse. Queria que me visse e sentisse o coração tilintar. Queria que se lembrasse do nosso aniversário. Queria que você me ligasse no meio da noite ou mandasse um sms porque qualquer coisa era menos triste do que o seu abandono acompanhado do seu silêncio. Eu queria você de volta, apesar de tudo, eu queria você de volta. 

"Amiga, eu juro que se ele mudasse realmente e me provasse isso, eu esqueceria tudo, eu largaria tudo..." Eu disse isso? É. Eu disse. Disse porque estava desesperada. Eu não sabia o que fazer com o meu amor. Eu queria o seu amor. Eu gritava: "O que eu faço com o meu amoooor agora?" O som da minha própria voz ecoava. Gritava mais forte e o eco ficou ainda mais alto. Parei de gritar, desconfiei que ficaria surda. Nenhuma resposta. Pensei em fazer mil coisas com meu amor: " tomar quinhentos litros de coca -cola pra ver se corrói, dar pra vizinha mal-amada, vender na barraquinha da feira, leiloar, emprestar pro meu amigo solitário, dar descarga, mandar pra fábrica de reciclagem, jogar ácido no coração, ingerir estricnina ..." Pensei, mas nenhuma dessas ideias me coube. Decidi: Vou deixar passar.

Decidi deixar passar mas continuei me importando. Stalkeando as redes sociais. Querendo saber dos teus hábitos, rotina e afins. Então eu vi que continuava a mesma coisa, achei chato. Perdeu a graça, definitivamente, perdeu a graça. Aquilo tudo que eu disse ali acima, verbo conjugado no passado: "Queria!" Não quero mais. Não quero mais nada disso. Não quero ligações, nem sms, nem lembranças, nem barulho, nem coração tilintando. De você eu não quero mais nada. Indiferença. Você se arrependendo ou não, que diferença faz? Você se importando ou não, que diferença faz? Na minha vida, nenhuma. Os corações bateram em ritmos diferentes e mesmo que fosse juntar as duas batidas não dava uma melodia completa. Precisava mais que isso. Meu coração bate forte e descompassado e o seu? Nunca soube. Estou deixando passar.

Deixa eu contar uma novidade: "Encontrei um amor."  Esse é amor pra valer. De tirar do sério. Hipnotizar e ao mesmo tempo conter uma serenidade. Encontrei o meu amor. Aquele amor que eu perdi quando quis te amar.  Semana passada eu estava bem. Ontem eu estava bem. Hoje eu estou bem. Um bem tão sincero. Sinto - me bem porque sinto leveza na consciência. Não sinto culpa no cartório e se caso sinta, é só por querer ter sido tanto por quem me foi tão pouco. Semana que vem vai passar ainda mais. Passa todos os dias.
Anna Carolina Morato.

15.2.12

Garota Malandra.



Embora eu seja perfeccionista, eu odeio gente que se acha perfeita.  Odeio quando alguém me diz: “Você é perfeita.” OPAAAA! Para. Para. Para por aí. Perfeita não. Retruco na lata mesmo e ainda fecho a cara sabe por quê? Porque perfeição é lenda. Mentira. Dizer que alguém é perfeito é forçar a barra. Falo mesmo.  “Perfeita aos meus olhos.” Own, que graça. Que seja pra você, pra mim não.  O que eu mais digo quando me olho no espelho é: “Eu até sou legal, mas muito filha da puta pro meu gosto e caiu na risada.” Noooooooooossa! Você se destrói sozinha. Nada disso. Eu me xingo no mais puro amor, acabo comigo para o meu próprio bem.  Sei dos meus defeitos. É mais fácil eu fazer uma lista recheada deles do que uma lista de qualidades e ainda assim, tem gente que me ama. Vê se pode? Me amaaaaaaaaaaam. É um absurdo, mas é um absurdo que prova que imperfeição não é problema. Na verdade,  eu gosto disso mesmo. De gente que é o que é e não está nem aí pra paçoca. Que se xinga, mas se ama. Que se diverte com a própria desgraça e ainda desafia a vida: “Oh madame, pode mandar a próxima” Então a vida vai lá e manda uma puta de uma desgraça e o que você pensa? “Desafiei, mas não aguento o tranco. Posso pedir arrego agora?” 

Eu sou realista mesmo. Ás vezes eu curto uma ilusãozinha porque você sabe, a bicha é  convidativa, mas logo desisto. É sempre bom lembrar que a ilusão é uma mercadoria muito cara e dinheiro nenhum  consegue quitar  10% do seu valor. Prefiro minha realidade que além de mais acessível, é grátis. Chega de pintar o mundo cor – de – rosa se o que mais predomina é um festival infindável de cores. Cá entre nós, uma cor só chega a ser monótono e eu odeio monotonia.  É por isso que pra mim não tem tempo ruim.  O pior sabe o que é? Tempo ruim gosta de me pegar de jeito. Me solta. Me larga. Sai de mim maré negra. Não me enfeza trem!!! Mas o infeliz persegue,  dou a guerra por vencida. Sossego o facho.  Mais tem uma coisa: Tempo ruim não me aguenta por muito tempo porque eu tenho um otimismo muito maneiro.  Quem manda somos nós mesmos. Então eu mando todos os dias: “vou ficar legal” até ficar.  Pronto, fiquei legal. Agora to mandando: “ Vou continuar legal” até o dia em que eu não queira bancar uma de idiota como eu gosto de bancar desafiando a vida e pagando uma de espertinha. Me esfolo tanto porque acho que sou gostosa e tenho a vida na palma das minhas mãos. Uma ninfeta de dezessete anos querendo ser uma velhona de quarenta anos cheia de experiência. Toma vergonha nessa cara Carolina. Pode falar, eu sou precoce mesmo. Nasci de nove meses, mas parece que foi sete. Cheia das graças. Garota Malandra.

Sinceramente, eu acho a vida uma comédia e tem mais uma coisa que eu odeio: baixo astral. Odeio. Odeio. Odeio. Odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio. Odeio tanto que nos dias que eu mesma estou baixo astral eu fico que não me aguento: i n s u p o r t á v e l. O que acontece? Aquelas pessoas que me amam entram em ação e me mimam e me colocam no colo e me fazem rir e me fazem voltar a minha essência e falam que azedume não combina comigo e blábláblá. Então eu melhoro um cadinho. Como não melhorar? Meu sorriso é sorriso de malandra. Todo faceiro. Cheio de positividade. Vem. Vem. Vem. Vem comigo. Tristeza só é bom para dar um tempero diferenciado na alma. O resto quem faz é a alegria. O alto astral. Fica triste não. Tem gente pior que você e mesmo assim, está de cabeça erguida. Levanta a cabeça vai! Quem olha pro chão é pomba atrás de migalha de pão.
Anna Carolina Morato.

14.2.12

O garoto corajoso.

Minutos antes de dormir, tive um pensamento inusitado: " Eu sempre escrevo pra alguém, mas como deve ser alguém escrevendo pra mim?" Fiquei mais de meia hora pensando. Minhas palavras são mais que tapas na cara, socos na boca do estômago. São mortíferas. Se contem uma certa quantidade de estricnina eu nem falo nada. Se alguém um dia escrevesse para mim com o mesmo peso que eu escrevo, eu não sei se aguentaria. Certamente horas depois de ler eu estaria em um hospital cercada de enfermeiros estancando o sangue do meu pulso para que eu não morra. Não sei dá onde vem tanta crueldade para com palavras. Fiquei pensando, pensando, pensando. Até que lembrei. É isso! Já escreveram para mim. Você. Você. Você. Você escreveu. Forcei minha memória para me lembrar o que continha naquele texto que você publicou em seu blog, que por sinal, foi eu quem te influenciou a criar. Era um texto enigmático e sinceramente, um dos mais lindos que eu já li. Eu demorei a perceber que era ao meu respeito até porque eu nunca sei quando algum garoto está apaixonado por mim. Talvez até saiba, mas não levo a sério. Todos os garotos que passaram em minha vida, eu só fiquei sabendo de seus apreços depois que já tinham me esquecido. "Porque não me disse antes?" "Sei lá. Medo" Medo. Esse meu jeito durona não deixa os garotos se aproximarem, mas você era meu amigo. Sabia muito sobre mim. Disse até que tinha feito um caderninho "Desvendando a Anna Morato". Caderno esse que nunca agarrei em minhas mãos para poder dizer o que estava certo ou errado. Não sei se existiu mesmo ou se ainda existe. Enfim, não importa. Só curiosidade mesmo. Você sabia dos riscos e mesmo assim quis sair da sua zona de conforto para entrar na minha zona de perigo. Você sabia exatamente que meu campo minado é perigosamente traiçoeiro e que qualquer respiração mais ofegante, as bombas explodem. Ka-boom! ta-bum! Uma bomba explodiu: " Desculpa, mas eu te vejo só como amigo. Desculpa mesmo."
Todo e qualquer garoto que ousa entrar na minha zona de perigo, automaticamente assina o seu tratado de morte. Não me ame se eu não te amar, pooooooooooooor favor. Eu me torno a pior garota do mundo e foi o que me tornei para você. Você conheceu meu lado insuportável que eu tanto dizia, mas que você nunca acreditava.  Você foi corajoso e o que eu fiz? Eu fugi. O que eu fiz? Eu ignorei. O que eu fiz? Abandonei nosso barco de amizade. Sei lá. É mais fácil sumir do mapa. Se eu não posso doar amor para alguém, não quero que me doem também. Não aceito a hipótese de alguém me amar sem ser correspondido. É isso. Acho que tenho essa linha de pensamento porque já sofri muito por amores não correspondido, amores não, paixãozinhas mesmo. E agora? Você me ama ainda? Faço figas para que não. O meu sentimento continua o mesmo: amizade.  Eu nunca te escrevi, mas hoje eu não conseguiria dormir sem te escrever. Eu precisava admirar a sua atitude. Preciso que você saiba da minha admiração por você. Parabéns. Você foi um dos poucos que me enfrentou. Quem é o louco? Quem é o louco pra me enfrentar? Você foi. Quebrou as regras, ousou quebrar a barreira. Garoto que ousa se envolver comigo é corajoso. Eu digo isso porque sei muito bem da minha personalidade de leoa em pele de ovelha. Quem não me conhece, que me compre.

Anna Carolina Morato.