24.2.12

Insatisfação.


TÁ! Todas as células do meu corpo gritava por distância. Arrumei minhas malas, comprei as passagens e fiquei dez horas dentro de um ônibus sozinha. Me afastei de tudo durante três dias. Foi bom. Eu precisava matar a saudade de uns, sentir de outros. Foi bom não, foi mais que bom. Ótimo. Coisa melhor do que não ter gosto pra Carnaval e tal e aproveitar o feriado na praia? Não tem. Botei mil ovos em um só dia de tanto ver homens bonitos, sarados, gostosos. Minha cidade natal podia ter tudo aquilo não é? Podia... não tem. Um pena. Banho de mar é um tipo de sessão de descarrego naturalmente dinâmica. Esqueci tudo. Não pensava em nada, só sentia. Sentia o mar, as ondas, os raios solares, o vento, a areia macia. Quisera eu que a vida se resumisse só em praia e sol. Oh coisa boa! Mas não, é só uma parte da vida. Que assim seja. Uma hora começaria a ficar chato. 

Agora estou de volta. De volta a minha realidade. Ao calor exagerado de uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul. De volta ao meu trabalho maneiro. De volta ao meus amigos idiotas. De volta aos meus surtos diários. De volta a minha vida enjoada. Quer saber? tô insatisfeita. Cansada dessa vida, dessa gente. Odeio marasmo e minha vida está se tornando um. Hora de mais mudanças, sim ou claro? Concerteza. Beleza. Quero mudanças. Por onde começar? Mudei o corte de cabelo: não adiantou muito. Quero mais que isso. Quero mudança drástica. Coisa assim de outro mundo, sabe? Uma reviravolta. Sinceramente, tô cansada e pior: em crise. Ando com uma antipatia que Deus me livre. Cheia de encabulações. Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu amo peixinhos de estimação. Cá entre nós, algumas pessoas eu daria uma boiada para não ter que ver, muito menos aturar. Dá um chá de sumiço pra essa cambada de gente chata e inconveniente logo. Estou cansada de ser legal. Mais azeda que abacaxi verde. O anti-socialismo me chamou pra tomar uns drinks e estamos tomando até agora, chego a estar embriagada. Sei lá viu, meu humor tá mais oscilante que a pressão de uma pessoa hipertensa. Cansada, tô cansada. Já falei isso? Falo de novo porque eu tô cansada. 

Sabe, cansei até das minhas próprias palavras. Eu nem sei mais o que faço com isso. Escrevo. Escrevo. Escrevo. Escrevo até sem ter o que escrever só para manter o meu elo amoroso com vocês, palavras. Me chamem de ingrata. Quando preciso, uso - as. Quando não preciso, ignoro - as. Não quero mais saber. Não estou precisando de palavras. Estou mais pensativa que o normal. Quieta. Muito sossegada pro meu gosto. Não me perguntem o que eu tenho. Só me deixa. Me deixa quietinha, mas não me abandona. Me abraça.

Anna Carolina Morato.

Um comentário:

Brunno Lopez disse...

Convide o marasmo pra sair.
Coloque uma roupa nele, amarre os seus sapatos e apresente outras possibilidades para esse pobre sentimento.

Ele pode ver o mundo de outra perspectiva e talvez mudar de nome. Quem sabe, entusiasmo, expectativa, desafio?

Depende de como você apresenta o mundo a ele.

Nós somos os melhores, só precisamos das roupas certas e dos estímulos perfeitos.