29.5.12

Robô que chora.


Eu penso que sou a mulher de ferro, entende? Pode bater que sua mão quebra, mas meu coração não. Mas eu só penso, só penso. Quando eu estava começando a acreditar que realmente meu coração havia petrificado, lágrimas rolaram dos meus olhos. "É sério mesmo que eu tô chorando?" Eu não sabia se sorria  ou se chorava de vez. Mas no fim, acabei chorando mesmo. Só sei que chorei e chorei muito. . . E lá estava eu, chorando como se não houvesse amanhã. Chorei por tudo. O choro contido de todos os meses ali, sendo derramados em uma tsunami de lágrimas. Tudo que não foi dito, tudo que não foi escrito, tudo que foi sentido em lágrimas. Chorei até pelos meus peixinhos que morreram e pela cachorrinha que eu ganhei que também morreu. Chorei mesmo. É que sei lá, sabe? Eu me robotizei, mas você já viu robôs ter coração? Então, nem eu!

Anna Carolina Morato

27.5.12

Jogar ao mar...


E eu ia remando o meu barquinho cheio de badulaque, toda formosa. E ia tudo bem. A maré estava tranquila. Meu corpo cheio de energia. Eu fui remando, remando. Remei sem parar, mas quando cheguei no meio do mar, eu já não tinha mais tanta energia. Remar estava exigindo muita força. Embora meu barquinho estivesse pesado, eu continuei. Continuei remando até me esgotar. Continuei até formar calos em todos os meus dedos e feridas na palma das minhas mãos. Chegou uma hora que eu não conseguia mais dar uma remada completa, nada. Então parei ali em mar aberto para descansar o corpo, fazer um curativo nos machucados enquanto pensava em como eu poderia continuar sem ter que me livrar dos meus badulaques. Eu já não tinha mais forças. O barquinho estava cheio. A tempestade estava próxima. Eu só tinha uma única solução: Jogar ao mar. Hesitei. Tinha que haver outra solução, pensei comigo. Fiquei ali em mar aberto com sol ou chuva. Eu sabia que precisava desapegar, eu só não tinha coragem. Eu olhei pra tudo aquilo e pensei: "Não vou jogar ao mar. Dá pra continuar sem ter que me desvincilhar. Eu sei que dá." Alguma coisa começou a dar errado quando eu vi que mesmo com o meu barquinho em estado de inércia, eu iria afundar. Foi então que eu percebi que não dá. Não dá para continuar a remar, muito menos chegar a praia sã e salva com um barquinho de tábua cheio de badulaques desnecessários. Eu tomei a decisão, uma das mais dolorosas: Jogar ao mar! E joguei. Joguei para as águas levarem tudo aquilo que não serve mais porque a vida é assim. É como um barquinho de tábua que você tem que remar e para não correr o risco de afundar antes de avistar a praia, você precisa jogar ao mar. Barquinhos de tábuas não suportam pesos desnecessários. Já posso voltar a remar...
Anna Carolina Morato.

21.5.12

Querido lallo...

         
 Querida Jujuba, algo se resume em amor, mas o que é amor? Semana dificil para descobrir que estamos dispostos a esse risco, acaba nos pegando de surpresa. E depois, o que faremos? Aguardamos a pessoa amada pelo resto da nossa vida, ou lutamos por ela igual naqueles contos de fadas? Porque não pode ser tao simples, o mocinho ficar com a mocinha e assim viverem o resto da vida juntos, temos que complicar tanto, torna-se as historias tao difíceis, tao tristes, onde tudo atrapalha, onde nos machucamos, ferimos, e volto na mesma pergunta, O que é o amor? Não era para ser algo bom? Sera que é tao bom, que queremos ou estamos dispostos a sofrer? Corações deveriam ter um botãozinho de desliga partes sentimentais, porque isso acaba conosco, com nosso corpo, com a nossa alma, sempre iremos falar sobre amor e vamos morrer falando ao tentar descobrir o que é, o destino conspira bem longe da gente, bem longe! Apenas queremos ser amados, “é ai” cometemos erros, grandes erros, e que olhamos e dizemos “Putz” fizemos isso, por causa de uma minima situação, olha o que o amor nos propõem. É…  eu não era assim, ate descobri-lo, mudei tudo, minha vida, minha rotina, minhas regras. Só por um simples sentimento, querida jujuba o que faremos?? Eis a questão…

          Querido lallo, eu me faço essa perguntas todos os dias, mas ainda não encontrei uma resposta que definisse realmente o que é o amor e talvez até morreremos sem saber. O amor vai além do céu e da terra. Além de qualquer pensamento filosófico. Além de qualquer fórmula de física, qualquer problema de matemática ou equações de química. Enfim, vai além. Quem somos nós pra conseguir definir o amor? Nós? Seres humanos, cheio de defeitos e com sentimentos falhos? A gente acha que ama, mas a verdade é que desconhecemos suas dimensões. A gente fala que é amor, porque é mais fácil. É mais bonito. Soa mais elegante. Mas, mas, mas o que é o amor afinal? Eu também não sou capaz de responde-lo e cá estou eu, rebatendo a sua pergunta, com a mesma: o que é o amor? Essa é só mais uma pergunta sem resposta. E bom, poderia ser tudo simples sim. Mas como exigir simplicidade de um sentimento tão complexo? Amar não é um sentimento simples. Ele é nobre. É soberano. É rei. É príncipe. Amar é difícil, talvez seja por isso que dói tanto. Também queria entender todo esse efeito do amor sobre nós. Essa sina de sofrer e seus afins. O amor é bom sim. O amor é vitima e vilão em uma mesma história. É diretor e protagonista em uma mesma novela. O que defini é a intensidade e a maneira de como se ama. Tudo que nos resta, não é indagar ou descobrir o que ele é, é apenas senti-lo.  Fica tranquilo. Quem definha o amor é a razão. A razão mata. O amor não. O amor não mata e se matar, não era amor. Era Câncer.
Lucas Fhernandes e Anna Carolina Morato.

13.5.12

êêê mããããe! ♥

Se você soubesse o quanto eu te amo... Se eu tivesse poderes mágicos, você seria a primeira pessoa que eu tornaria imortal!
Triste mesmo não são aquelas pessoas que não tem alguém para chamar de mãe. Triste são aquelas que as tem desde o dia em que nasceu e só resolve demonstrar seu amor no dia que é considerado "Dias das mães". Isso sim é triste. 24 horas não é nem 0,5% perto de 8.760 horas. Absolutamente nada. Este dia para eu é como outro qualquer. Embora não seja a melhor pessoa do mundo pra ficar esbanjando eu-te-amo-você-é-muito-importante-na-minha-vida, eu demonstro nas atitudes. Eu demonstro o meu amor quando vou até seu quarto e lhe dou um beijo de boa noite na testa ou quando eu acordo mais cedo e levo uma xícara de café na cama ou quando a respeito ou quando a obedeço ou quando digo seu nome ou quando simplesmente, observo - a dormir.

De que adianta um filho  dizer amar sua mãe, mas só sabe agir com ingratidão e desobediência? É amor deixar a mãe triste e desrespeita-lá? A coisa mais horrível do mundo é ver um filho maltratando suas mães, tratando -a com indiferença, como lixo. E isso, honestamente, me corta o coração porque para pra pensar... Imagina o que é uma mulher carregar um ser  durante nove meses na barriga pra ser maltratada depois. Às vezes, nós filhos, não entendemos nossas mães. Julgamos. Indagamos. Mas só passamos a entende-lá no dia em que o teste de gravidez der positivo. Isto muda  a vida de uma filha - futuramente mãe - completamente e muda a vida de um filho - futuramente pai. O que me entristece mesmo  são filhos ingratos. Que não ergue as mãos pro céu e agradecem pelos pais que tem, seja eles lá bons ou ruins, mas são pais. São mães. Te deu a luz, quer mais o que ainda? Quer esperar chorar do lado de um caixão para lembrar do verdadeiro significado da sua mãe na sua vida? Porque é assim, só dão valor quando perdem embora toda regra tenha sua exceção.

Minha mãe me ensinou a valorizar tudo o que eu tenho e a agradecer também, porque desde criança quando ela me levava pra aula de pintura enquanto rezava um sermão de toda segunda - feira, ela dizia que eu não iria te-lá para o resto da vida e que nada que eu tenho seria para o resto da vida. Que um dia tudo iria acabar e que eu teria que valorizar e cuidar para que dure. Que era preciso cultivar. Plantar e colher. Mamãe ensinou. Ensina todos os dias ainda. Ela não é só a mulher que me colocou no mundo. Ela é muito mais que isso. É minha amiga. Minha irmã. Minha filha. Minha cúmplice. Minha inimiga. Minha Deusa. Minha. Minha. Minha.

O que abala todas as minhas estruturas é quando ela e olha para eu e diz: "Eu aprendi a ser mãe com você, sabia filha? Eu achava que ser mãe era encher você e seu irmão de mimos e te dar tudo do bom e do melhor. Eu trabalhava muito e esqueci de te amar. Achei que você e seu irmão precisava de conforto, de luxo. Não de amor. Eu aprendi a ser mãe com você, por que você sempre foi carinhosa. Me cobrava isso. Eu não tive mãe. Nunca soube o que é ter um amor de mãe e como não tive, eu não sabia dar isso pra você."  Ela não me diz isso uma, duas vezes. Ela me diz sempre que é para eu nunca esquecer. Ser filho é isso. É doar e receber. É ensinar e ser ensinado. É amar e ser amado.

É engraçado quando estamos em algum lugar e perguntam: "Vocês são mãe e filhas mesmo? Estão mais pra duas amigas de colegial." E nós duas caímos na risada, porque é uma comédia. A nossa relação é deliciosa, mas tem suas desavenças. É claro que tem. Não dá pra duas virginianas, de gênio iguais viverem juntas sem se arranhar algumas vezes. Ela faz tudo por mim e eu igualmente. Só que no meio de tantas trocas, sabe o que eu acho mais louvável? É quando ela me chama de filha e quando eu a chamo de mãe. Meu Deus! É a coisa mais linda do mundo. É a prova de amor mais intensa do mundo. Quando eu ligo pra ela e embora esteja ora triste ora brava ora alegre, ela sempre atende com um: "Oi filha!" "Oi mami." E não adianta, amor mesmo é amor de mãe. Ôh coisa mais linda! E esse amor é eterno. Não há quem mate. Não há quem arranque. Ter uma mãe é a benção mais divina que Deus pôde dar a um filho e não tem horas para esse amor. Não tem data certa. Amor de mãe é todo dia. Dia das mães é todo dia também.
Anna Carolina Morato.

5.5.12

Desabafo.


É que tem fases na minha vida que eu tenho a sensação de que perdi o jeito de escrever. Eu faço um texto, narro uma história, crio um personagem, faço diálogos, começo um poema, componho uma música, mas sem finalidade. Todos cheios de virgulas, mas sem  pontos finais. Só que às eu tenho a sensação de que algumas coisas não são ditas, quem dirá escritas. Aí tá eu com meu silêncio. E eu tenho sentido muito, tudo. Sentido e guardado. Quantas vezes tentei escrever e vacilei. A caixa de rascunhos do hotmail está mais cheia que a caixa de saída. A página de rascunhos do blog está mais cheia que a página de publicações. Escrevo todos os dias, mas não escrevo nada. Nada que me agrade e nada que me alivie. Já falei, algumas coisas são inexplicavéis, indescritíveis. A gente sente e sente quietinho enquanto toma uma xícara de cappuccino pra aquecer do quase frio que faz no outono.

A minha vida está completamente desordenada. Se eu disser que tenho tempo pra entender  todas as emoções que tem me visitado, é mentira. Eu não tenho. O tempo que eu tinha não é mais o tempo que eu tenho e o meu corpo anda tão cansado. E se tudo é questão de costume, ainda não acostumei com uma vida que era água e que agora se transformou em vinho, da noite pro dia e tudo assim, rápido demais. Eu tenho acelerado meus passos pra acompanhar as mudanças tanto interiormente quanto exteriormente. Falar pra você, não é fácil. Às vezes me dá uma vontade tão grande de voltar pro útero da mamãe. Às vezes me bate um medo tão absurdo.  Dúvidas, tantas dúvidas. Indagações. Exigências. Responsabilidades. Meus ombros estão cada vez maiores, maiores pra ter que aguentar tanta coisa.

Eu me olho no espelho e não vejo mais uma menininha. Eu me olho no espelho e vem um curta na minha mente. Eu lembro de todos os rostos que passaram pela minha vida e me proporcionaram momentos de felicidade e fico contente. Só que depois, esse curta muda o percurso e começo a lembrar todos os  rostos que me proporcionaram momentos de tristeza e fico triste. Meus olhos querem chorar, mas eu me contenho. O que eu sou hoje  é resultado da dor de outras estações e muitos ainda alegam que eu mudei pra pior. É! Mudei pra pior porque deixei de ser troxa? É isso mesmo que entendi? Fácil mesmo é julgar as pessoas e suas mudanças repentinas. Julgam, mas esquecem  que ninguém muda  porque acha bonito a ideia de mudar.

O que eu vou escrever agora invadirá um estado intenso de melancolia e drama, mas é isso: Estou morrendo! Como a tantos já morri e ainda continuo  a morrer. As folhas não morrem no outono? Eu também estou morrendo. Estou de luto e visto preto pra velar a minha morte e velo sozinha porque só eu consigo sentir a dor e chorar a perda da velha Anna.  Eu me prendi a mim e cá estou eu comigo. Tranquei as portas. Ninguém entra! Só sai. E que se for pra sair, que vá com Deus. Vai e não volta não! Eu cansei de implorar por amizades e de aguentar as pontas sozinha e de ser SÓ eu a amiga. Eu cansei de implorar por presenças que só sabem ser ausências. Metade de mim é falta. Outra metade é saudade. E eu sinto falta e sinto saudade de taaaaaaanta gente, mas metade dessa gente não vale mais a pena, a outra metade não vale nada. O que me resta de valor dessas pessoas, são só as lembranças. Boas, ruins. Enfim, lembranças.

Tudo vai ficando pra trás. Tornando - se passado. E bom, eu estou me renovando e dando espaço a uma nova Anna e modificando meus pensamentos e curando meu coração. Uma nova vida começará e para poder aceita-lá, eu preciso antes me desintoxicar e isso é o que eu mais tenho feito. Organizando a minha casa, porque se vocês não perceberam, tá uma baderna. Mas a gente vai se encaixando, não é? A gente sempre se encaixa e se ajeita. Só precisamos de tempo. Estou no meu tempo e respeito isso. Foi de tanto sofrer por ser mal educada  com os sentimentos que aprendi a respeita-lós. Se tem uma batalha já perdida é a que travamos com o que sentimos. Não dá pra negar. Não tem jeito. Não tem discussão, entendeu? A gente sente e fim de papo!
Anna Carolina Morato.