31.3.13

Sobre a simplicidade.



Escuta aqui seu moço, eu só sou uma moça do interior.  Nasci numa cidadezinha no leste de Mato Grosso do Sul, tal de Três Lagoas. Já ouviu falar?  As pessoas da cidade grande acha que aqui onde vivo é tudo mato, que animais selvagens vivem entre os habitantes e que nosso meio de locomoção são carroças, mas vou te dizer uma coisa: Cambada de ignorantes. Aqui é uma cidade como outra qualquer, com asfaltos e carros pelas ruas e o mais importante: Sem animais selvagens perambulando entre nós.  Só tem uma lagoa que tem crocodilos, capivaras e antas, mais... Mero detalhe. Nada demais.

Cresci aqui moço, e se lá na cidade grande me chamam de caipira, que seja. Tenho orgulho dessa minha essência. Eu sempre morei na cidade, mas nas horas de descanso, eu estava no rancho. Aiiiii moço do céu! Foi lá que aprendi a amar as coisas simples da vida. Esquecia-se a rotina estressante no caminho  e assim que chegava lá, eu descia descalça e abria a porteira. O carro seguia até o barraco (Sim, barraco. Barraco de madeira) e eu descia a pé só pra sentir a terra e ia até o rio para sentir a água.  Sensação de liberdade. Sensação de paz.  Era tudo tão bom. Era simples e humilde, mas era nosso. 

Aprendi a pescar com meu avô. Acordava ainda de madrugada, comia a farofa de ovo que só ele sabe fazer e ia rumo ao tablado. Passava o dia ali pescando e quando não era hora de peixe na isca, ia nadar. O meu negócio era o rio. Se não estava pescando, estava nadando. Eu vivia vermelha. Meu apelido no rancho era cerejinha só pra você ter uma ideia, moço. Não se espante comigo não, viu? Posso ter um rostinho bonitinho, andar arrumadinha e falar difícil, mas minha alma é xucra. Gosto do meu pé sujo de terra e não ligo de passar o dia com as minhas mãos cheirando peixe. Não tenho nojo das minhocas, muito menos de abrir o peixe e arrancar suas tripas. Moço bonito, te digo isso e te digo de coração, aqui não tem frescura não.

Amo a cidade e tudo que há de melhor que o espaço urbano possa me proporcionar, porém, o que eu ganho com tantos privilégios é stress. É desespero. É sufoco. Viver na cidade é isso. As pessoas vêm e vão, não param. Fico tontinha! Não temos tempo, e se caso tivermos, é só um bocadinho. Ai moço, cidade cansa. Fico exausta só de pensar. É por isso que eu amo a vida rural. Existem detalhes pequenos e maravilhosos que não reparamos  porque é muita informação para nossa cabeça. Como se vê o verdadeiro brilho do luar com tantos postes iluminando a cidade? E o brilho das estrelas? Às vezes até vemos, mas é uma beleza ofuscada por tanto exagero.  Cidade é boa, mais a natureza é ótima.  Gosto de respirar o ar puro e sentir o vento tocar minha alma. Gosto de dormir depois do almoço em uma rede, de ver o pôr-do-sol com meu tereré do lado e de ouvir uma boa moda de viola enquanto namoro às estrelas. Gosto de sossego sabe moço? Sossego. Às vezes penso que Deus criou a natureza porque sabia que quando a soberba da cidade adoecesse, a simplicidade do mato seria a cura. 

Anna Carolina Morato.

13.3.13

Sobre a vida.

Escrevo  sobre a luz do luar, namorando as estrelas porque estou desempregada o suficiente para fazer isso, ou de férias, como preferir. Sai do emprego. Presenteie-me com  este mês de descanso. Trabalhei um ano e dois meses sem férias. Meu corpo não só arregoou como chorou por dias de sombra e água fresca. Meu cérebro estava bloqueado. Eu realmente não tinha mais forças, estava ligada no automático.  Preciso dizer que agora estou bem. Descansando ao máximo e aproveitando minha vida de atoa. Senti falta de poder ficar em casa. Estou dando um tempo até a loucura começar.

Em Abril, começa a minha vida de universitária. Aprovada em Letras, na UFMS.  Várias pessoas me questionam e me criticam. “Porquê não faz Jornalismo logo?” “Af, o que você vai fazer em Letras?” “ Não tinha um curso melhor pra você escolher não?” “Não tá perdendo tempo  fazendo um Letras ao invés de Jornalismo?” “Vixi, vai ser professora.” Falam como se tivessem conhecimento de causa. Nem sabem dos meus planos, mas tem que palpitar.  Irrita-me a linha de pensamento de algumas pessoas e a mente fechada que carregam dentro de si, mas tudo bem. A questão é que cada um sabe o que faz da sua vida e as consequências de certas escolhas, são minhas. Não suas! Conhecimento nunca é demais. Enfim, uma nova fase da minha vida começará. Estou ansiosa e com medo também. Sofro por antecipação, fico pensando se irei dar conta ou não, mas eu sei que as respostas para essas perguntas estarão na minha dedicação e nos meus esforços. Estarei em uma área que eu amo. A língua portuguesa me fascina. O poder das palavras e a forma como se encaixam. Deus meu, é incrível.

Agora saindo da minha vida pessoal-profissional e entrando na zona amorosa, preciso dizer que pra uma guria que se apaixona 366 dias em um ano, até que estou tranquila, embora sinta falta de ter alguém. Ás vezes fico encantada, mas depois passa. Tudo é tão passageiro e me confundo tanto quando se trata de sentimento. Admito que tenho quedas, cascalheiras por alguns meninos, mas sou lerda  o bastante pra não conseguir ser louca o suficiente pra dizer algo ousado como: "Quero te beijar, seu lindo!" Vontade eu tenho, mas se me falta coragem o jeito é ficar na minha. Por mais que eu seja tão timida, estou feliz assim. Sozinha e com o coração desocupado também. Parece que a gente se ama mais quando não precisa dividir o amor porque doar o coração pra alguém, é esquecer de si mesma às vezes. Porém, por não ter ninguém... Estou lembrando muito de quem eu sou e além do mais, é ótimo dar um tempo na mente. Gostar de alguém dá muita dor de cabeça. Que que isso! Ainda bem que por eu ser tão sozinha, eu sei lidar com a minha solidão numa boa. Nossa! Que coisa mais triste de se escrever, mas é a realidade. 

 Queria ter conseguido fazer o gancho de um paragrafo no outro, mas não sei como terminar esse texto. Não queria que ficasse sem sentido, embora já esteja. Acredito que se eu for detalhar tudo, esse texto não terá fim. Porém, chega de blábláblá, porque eu não sei se eu escrevo ou se eu olho pro céu. As estrelas estão roubando minha atenção. O céu a noite é sempre tão lindo. Continuarei namorando as estrelas e o final desse texto que se exploda. Ninguém se importa, não é? Só escrevi mesmo pra dizer que sou uma atoa que está contente com a breve vida de universitária, vivendo uma vida amorosa mais parada que poça d'água, porém feliz. Não há dinheiro no mundo que compre a minha a paz de espirito. Nem ladrão que roube aquela sensação deliciosa de ter um pouquinho de sossego nessa vida. 

Anna Carolina Morato.

4.3.13

O quase fim do Jujuba de Melão.

Estava cansada desse lugar, das coisas que aqui já foram escritas e das lembranças que me trazem. Não conseguia mais escrever. Perdi a vontade de escrever. Abandonei o meu mundo, porque aqui é o meu mundo, não é? Não é aqui que eu posso realmente me expressar? Esse lugar é meu, porra. Pois é. Entrei em crise e cheguei a conclusão que o melhor seria excluir o blog, mas ter cinco anos de vida aqui pesou na hora, então criei outro blog e exportei o Jujuba de Melão inteirinho para lá. Assim, sempre que eu quisesse ler algum texto antigo, acessaria - o. Minha intenção era recomeçar o Jujuba de Melão, mas estava sendo injusta comigo e com meus leitores. Assim como eu tenho um amor e uma afeição enorme por esse blog, muitas pessoas também tem. Algumas até me chamam de Jujuba ou Juju ou Melãozinho. É uma delicia de ouvir! O Jujuba de Melão é um filho para mim e que mãe rejeita seu próprio filho? Importei o Jujuba de Melão. Estão todos os textos aqui novamente. Desde 28 de maio de 2009  até agora. Não posso simplesmente apagar o começo da minhas história e começar a escreve-lá do meio. Perderia o sentido, perderia a essência e mesmo que a maioria dos meus textos sejam tristes, eles me salvaram. Eu poderia ter cometido muita loucura, mas ao invés de cometer loucuras, eu só escrevi. Foi só isso que eu fiz e me salvei, porque é isso que eu faço não é? Escrever para me salvar da insanidade de ser alguém. Escrever para não me afundar no abismo que é ter um coração. Escrever pra libertar o meu pensamento da prisão. É só isso que eu faço. Eu só escrevo e não há nada demais nisso. Bem, era só isso que eu queria dizer hoje. Ainda não é o fim do Jujuba de Melão.
Anna Carolina Morato.