29.3.12

Agora que o outono chegou . . .


Lá vem o outono imitando o inverno. Fazendo-me sentir frio depois de um banho ultra quente logo pela manhã, deixando as minhas mãos gélidas, levando as mechas do cabelo para frente e para trás em um bailar que só os ventos de outono sabem fazer. As folhas já começaram a amarelar, alguma já estão jogadas nas ruas. Agora que o outono chegou... estou deixando as folhas da cidade do meu coração cair. Não dá pra renascer antes de morrer. Estou deixando pra lá. Tô fazendo uma sujeira e tanto aqui dentro. Folhas já secas estão jogadas ao vento  e continuam a cair, cair, cair, cair. Até que... até sobrar uma única folha na árvore e então, eu já posso limpar as ruas. Agora que o outono chegou... eu não estou mais em ebulição. Uma tranquilidade me cerca. Uma vontade de ficar só, no meu canto. Agora que o outono chegou... estou crescendo, mas dói tanto. Por quê crescer dói? Por quê deixar as folhas morrer dói? Por quê tudo nessa vida, de certa forma, dói? É sempre muita pergunta para uma caixa vazia de respostas. Vida de gente grande, não é engraçada. Vida de gente grande, é meio chata. Meio idiota. Meio metida. Meio superficial. Agora que o outono chegou... muita coisa irá mudar. É essa mudança que me deixa assim, querendo a solidão. Não me leve a mal se eu passo a maior parte do tempo com os olhos fixo em um ponto qualquer. Algumas coisas precisam ser assimiladas, agora que o outono chegou...
Anna Carolina Morato.

28.3.12

Antes só.


Meus pais nunca me prenderam, muito pelo contrário, sempre me largaram, mas com uma condição: Toda e qualquer atitude errada causaria uma  consequência acompanhada de uma punição. Ótimo. Me ensinaram o que é o certo e o que é errado e deixaram sempre bem claro que a escolha é minha. Meus pais que são meus pais, não me prendem e não me tratam como propriedade deles, eu vou aceitar homem me tratar assim? Ah, me poupe. Eu até poderia estar escrevendo sobre a alegria de ter conhecido alguém legal, mas na primeira semana juntos ele cometeu o pior crime que alguém pode cometer contra mim: Me prendeu.

Eu não quero alguém que dê crise de ciúmes toda hora,  que desconfia de tudo o que eu falo e acha que é meu dono.  Eu não quero alguém que fique dizendo onde eu devo ficar ou com quem eu devo conversar. Não fui criada assim, não fui acostumada assim. Quer surtar, vai surtar bem longe de mim que eu não sou obrigada a aguentar homens inseguros que não confiam no seu próprio taco. Fala sério. Eu tenho mais o que fazer, né? 

Eu não gosto dessa preocupação de ter que ligar pra alguém ou mandar sms pra alguém, mas o que eles querem de mim é que eu fique de quatro e ligue de madrugada pedindo por um pouquinho de atenção e que seja aquelas ciumentas neuróticas ou aquelas afobadas que conhece o cara em um dia, liga e manda sms no outro. Eu não sou assim, nunca vou ser.  Eu não sei implorar. Não  deve se iludir com alguém como eu. Não me humilho por migalhas. Sossegada, na minha. Não tô nem aí pra nada, essa é a verdade.

Não sou a garota que precisa beijar todos em uma festa só pra provar que é desejada, eu não preciso provar nada pra ninguém. Muito menos a garota que dá em cima de todo malandro de sorriso safado  só pra conseguir um afago no ego, eu não preciso dar moral, eu já tenho. Eu já sou completa e não estou procurando por "alma gêmea" ou "metade da minha laranja"

Ser sozinha não me faz mal. Eu não sou louca o bastante pra aceitar viver com alguém incapaz de aguentar o tranco de me amar e odiar tudo ao mesmo tempo. Eu não nasci pra ser presa. Eu até diria que morri enjaulada na outra vida, isso é... se eu acreditasse nisso. Me ama, mas não me prende. Me ama, mas me deixa livre. Pássaros não foram criados para serem enjaulados. 
Anna Carolina Morato.

26.3.12

Changes.

Meu silêncio incomoda. Incomoda porque eu sempre tô pondo tudo pra fora, ou eu tô falando feito uma matraca velha ou eu tô escrevendo feito uma doida varrida ou cantando desafinado ou ensaiando um discurso de duzentas mil palavras na frente do espelho. Eu que só sei gritar pro mundo o quanto eu sou idiota, agora só quero ficar quietinha pensando no quanto eu sou idiota. Vou deixar de fazer tanto barulho. Parei pra conversar  com a vida e a ordinária me deu uma lista cheia de opções para assinalar. Assinalei: Eu.  Agora vou mudar. Eu vivo mudando, mas é que tenho coisa melhor pra fazer do que sair por aí avisando que eu estou de mudança. Quando vão perceber, já mudei e quem aguentar o tranco da minha metamorfose, traz   limão que eu já tô com a dose de tequila. Sei lá. Ser demais, cansa. Vou ser de menos. Ser intensa demais, cansa. Vou desintensificar. Estou tirando umas férias de ser sempre muito pra nada. Umas férias de querer  transformar rosas quase mortas em buquê de flores. Eu tenho esse dom, de sentir mais que o sentimento, mas agora parei. Não quero mais ser a retardada que sente mais que as sete bilhões de pessoas do mundo juntas, porque ser assim me custa.  Eu que sempre quis ser tudo, não quero ser mais nada. Eu só quero paz, um pouquinho de paz. Não me leve a mal, mas é que de todas as opções que a vida nos dá, mudar é a mais interessante. Mudar é a única saída!
 Anna Carolina Morato.

20.3.12

Carolina, calma.

Que eu sou apavorada, todo mundo sabe. Calma. Relaxa. Sossega. Não se preocupa. Deixa rolar. Tratada como criançinha, haja fôlego pra me aguentar. Eu sou do tipo que não sabe esperar. Se eu quero, quero tudo e  quero agora. Não quero amanhã, nem mês que vem. Quero pra já. Pra ontem. " Você parece ser tão calma". Aparências enganam. Não sou nada, nadinha, nenhum pouco calma. Eu não sei ser calma, ter calma. Ligada no 220V. Eu me seguro ao máximo, mas dentro de mim eu tenho um campo minado cheio de bombas que estouram a todo instante. Desesperada. Trabalho a minha personalidade todos os dias. " Carolina, calma. Carolina, controle-se. Carolina, uma coisa de cada vez. Carolina, menos." Cuido de mim sim, mas ás vezes escapo e chuto o balde e faço loucuras e surto e surto e surto e surto. Admiro vocês, calminhos, que tem o controle da situação. Desespero não leva a nada, eu sei, mas vai colocar isso na minha cabeça? Vai fazer eu entender que eu tenho que ter paciência e deixar a vida me levar?  É nesse meu desespero que eu me esfolo todinha. As coisas acontecem, simplesmente. Eu só não aprendo, mas continuo tentando. De tanto me esfolar, provavelmente eu aprenda a ser "calminha". Quem sabe? 
Anna Carolina Morato.

E lá vai...

Ela não é muito certa não. Vive em ebulição. Ela é assim. Sempre em erupção. Vive explodindo, mas sua combustão é meio lenta. E lá vai ela... Lá vai ela com sua bomba - relógio em forma de pensamento, com sua panela de pressão em forma de coração. Lá vai ela com um sangue mais quente que as chamas de uma fogueira. Lá vai ela com sua personalidade insuportável. Ninguém entende essa menina não. Tem mania de querer controlar as emoções, as razões. É realista, mas só sabe boicotar a realidade. Lá vai ela imitando filmes de comédia romântica, mas nada mais é que uma cópia barata de uma novela mexicana de quinta categoria. É, essa menina é problema. Invocada que só. Invoca até com sua própria sombra. Cheia de implicância. Lá vai ela com a sua estupidez desfilando com a sua petulância. Lá vai ela com a sua frieza carregada de indiferença e  acompanhada de um orgulho master. Lá vai ela deixando de lado contos de fadas, cavalos brancos e sapos. E lá vai... lá vai a menininha virando mulher. Lá vai ela, mas ela só vai. Vai e não volta. Não se deve esperar a volta de uma menina assim, como ela. 
Anna Carolina Morato.

14.3.12

Não se preocupa não.


Sabe, tem uma coisa que eu queria entender. Alguém pode me explicar o por quê? Por quê as pessoas ficam tão doloridas quando falam a respeito de suas vidas? Tudo bem. Eu entendo. Esse povo cuida além do limite, inventam além da conta, mas ficar bravinha ou bravinho porque fulano falou? Gente, fulano, ciclano, beltrano: FALA MESMO. Fala com gosto! Você vai espernear? Vai sair dando tiro em todo mundo? Me poupe. Da mesma forma que cuidam da sua vida, você cuida da vida de alguém e fala da vida de alguém e por aí vai... Agora ficar dando chiliquê porque não tiram o olho da sua vida já virou clichê e chato.  Já ouviu a história da fila indiana? É exatamente isso.  Você que fica aí gritando: "A vida é minha, eu faço o que eu quiser." A vida é sua sim e você faz o que quer mesmo, mas na hora de aguentar o falar mal das pessoas fica pedindo arrego e perguntando: "Porquê vocês não vão cuidar da vida de vocês hein?" Meu bem, a resposta é simples: "A sua está mais interessante." Pimenta nos olhos dos outros, é refresco. Sabe como é né? Então. Tanta coisa pra você se preocupar e você se preocupando porque fulano ou beltrano ou ciclano tá cuidando acirradamente da tua vida? Deixa cuidar. Deixa falar. Acham que eu também não tenho gente que cuida da minha vida? O que eu mais tenho por aí é "amiguinhos" me apunhalando pelas costas e eu tô preocupada? Nenhum pouco. Se eu for me importar com tudo que dizem ao meu respeito . . . Se você for se importar com tudo o que dizem ao seu respeito . . . Que tipo de vida teremos? A-c-o-o-o-o-o-r-d-a-a-a-a! Vamos parar com essa hipocrisia de que SÓ os fulanos e beltranos e ciclanos falam da nossa vida. A gente também fala que eu sei. Eu sinceramente tô pouco me lixando para os "cuidados especiais" até porque, se eu me importasse com alguém cuidando da minha vida, eu não teria msn, twitter, facebook, tumblr e principalmente: blog. Eu se fosse você, começaria a não se importar também. Pra evitar fadiga. Economizar energia pra detalhes mais importantes do que gentinha que cuida da vida alheia.

OBS: Antes de pensarem que esse texto foi pra alguém especifico, já vou logo avisando: Não foi! Agora quem se sentir ofendido, eu sinto muito, mas é a realidade. Um beijo, jujuba.
Anna Carolina Morato.

11.3.12

É dor.

É dor. Tudo que eu sinto agora e tá doendo. Muito. Muito. Muito. Estou em meio ao caos, com impulsos de ódio acompanhados de lágrimas. Soa irônico não? Eu não consigo derramar uma lágrima sequer pelos meus problemas, mas quando são os seus.... Eu inundo um estádio de futebol. Estou em prantos, chorando feito bebê.  Não. Não. NÃÃÃÃÃO! Eu não quero ter que te ver assim. Quer me dar teu coração? Dói mais porque eu não posso sentir a sua dor, mas ela é sua. Eu queria que fosse minha, mil vezes minha do que sua. Antes eu, do que você. Eu posso aguentar firme tudo que acontece na minha vida, mas quando é você eu não aguento. Eu desmorono. Eu não suporto isso. Dói. O que eu posso fazer? Eu só quero que você seja forte o suficiente pra enfrentar tudo isso. Nada me atinge tanto a fundo, exceto quando você é o atingido. Eu viro uma fera, viro leoa, viro tigresa, viro tudo o que você imaginar porque você é meu ponto fraco e eu sou capaz de qualquer coisa, por você. Eu tô desesperada porque eu queria ser especialista em coração, assim eu poderia fazer alguma cirurgia no seu. Quem sabe?Nada do que eu disser vai amenizar, nada. Eu não sei o que eu faço, mas talvez, ficar ao seu lado seja alguma coisa. Sangue do meu sangue. O ódio que corre nas tuas veias, corre nas minhas. A dor que corre nas tuas veias, corre nas minhas. As lágrimas que rolas dos teus olhos, rolam dos meus. Me sinto quebrada. É se alguém tivesse pegado a melhor parte do meu coração e tivesse sei lá, pisoteado? Massacrado?  Humilhado? Porque foi isso que fizeram com o seu. Mas estamos juntos nessa. Te dou meu coração pra sua dor não ser tão dolorosa. A última coisa que eu serei capaz de fazer nessa vida, é te abandonar. Isso não. Isso nunca.  
Anna Carolina Morato.

8.3.12

É sério isso João?!


 Nossa João! tô tão feliz cara! Fica quieta guria. Porque João? Mas eu tô tããããão feliz. Pulinhos de alegria. Guria, quantas vezes vou ter que te dizer que felicidade não se grita, muito menos se dança? Aff João. Qual é a tua? Quanta chatice. O que que tem falar que tá feliz? Desde quando felicidade é pecado? Vou pra cadeira elétrica? Vai me mandar pra forca? Eu não, mas os outros... Dane-se os outros João. Eu tô feliz. Eu tô feliz. Eu tô feliz. Eu tô fe... Não adianta me olhar com essa carinha de dó que só tu sabe fazer, não vou arrancar o espadrapado da sua boca. É pra tu me escutar tá me entendendo? Guria, presta atenção: As coisas evoluíram. Se tem uns que jogam só um balde de água fria na tua felicidade, outros encomendam uma chuva de granizo que é pra tu não sorrir nem chorando de tanta dor por causa das pedras de gelo. Não adianta. Inveja tem insônia e tu... tu é um caso sério guria! Fica gritando aí pro mundo que tá feliz e blá blá blá. Quem quer saber da sua felicidade? O que mais tem é gente querendo te destruir. Ainda não percebeu?  Pra começar por quem tu  és, depois pelo que tu tens, depois pelo que tu faz e por aí vai guria. Não fica esperta pra tu ver o que te acontece. Tá me olhando com esses olhos de jabuticabas arregalados por quê? Muito ruim só eu falando. Vem cá, deixa eu tirar esse esparadrapo da tua boca guria. Nossa João! Pensei que não ia me deixar falar nunca mais. É sério isso João? É sérissimo. Ficou assustada guria? Fiquei né João, lógico que fiquei. Olha o que você tá me falando, tem cabimento? Tem sim! É a realidade guria. Tu sabe quem são os seus? Sei João, claro que sei. Sabe mesmo? É, acho que sei. Se sabe, compartilha com eles e só. Muito cuidado guria. O que mais tem por aí é cobra querendo envenenar teu sangue. 

Anna Carolina Morato.

obs: Tanto o João, quanto o Zé são personagens fictícios.

7.3.12

Até debaixo d'água.


Você já teve alguém pelo qual não importa a distância, nem razão, você sabe que pode contar em qualquer hora ou lugar? Eu tenho ele. É com ele que está meus maiores segredos, ele que sabe dos meus piores defeitos. Eu sou implicante e invocada e brava e ele só ri. O que me deixa mais enfezada ainda. Eu  trato ele com o maior carinho, só que ao contrário. Somos piores que cão e gato. Perdemos um ao outro, mas perder a piada? Nunca. Ele me conta das garotas e eu, claro, dos garotos. Somos vilões, somos cúmplices.

Quando a corda aperta, é pra ele que eu corro. Aquele dia que eu chorei rios, mares, oceanos, um planeta inteiro... foi pra ele que eu liguei com a minha voz trêmula. Ficamos hoooooras conversando. Primeiro eu contei tudo o que aconteceu e depois ele falou tudo o que achou que eu realmente  estava precisando ouvir. Me acalmou. "Vou desligar agora." " Ah não! Não vai não. Mais não vai mesmo" "Porque não?" "Porque você vai chorar. Eu não desligo enquanto você não parar de chorar. Para de chorar." "Não vou chorar mais. Vou dormir." " Vai sim!" "Não vou não, juro." "Fica bem e não chora, beijos. Tchau." " Obrigada. Mais tarde eu te ligo, beijo. Tchau." 

Quando a corta aperta, é pra mim que ele corre. Ele liga com aquela voz chorosa, implorando por um aconchego, um afago. "O que eu faço agora?" "Não sei nem o que dizer." "Não precisa, só me escuta." Ele só precisa de alguém que o escute e eu o escuto, sempre que necessário.  Depois falo alguma coisa engraçada, só pra ele rir e perguntar: "Pode me dizer qual foi a cor de passarinho que você viu hoje?"

Somos dois pólos extremamente diferentes. Opostos. Nada bate, exceto nossa amizade. Eu sempre tão inquieta e apavorada e cheia das graças. Ele sempre tão quieto e calmo e sem graça. " Nossa, tô muito brava com você. Chatiadissississima." "Sério? O que eu fiz agora?" " Você não sabe o que você fez? Foi o que você não fez. Não respondeu minha mensagem e me ignorou. Não fala comigo mais. Tchau" " Não faz assim. Sério mesmo que você tá chateada por causa disso? Desculpa." " Eu chateada? Quem te falou isso? tô chateada não. Só tava testando pra saber se eu sei fingir braveza mesmo." "Você não tem o que fazer não?" "Ter eu até tenho, mas me divirto mais quando paro pra te encher." " Besta" "Também te odeio"

Ele tem a Anna que quase ninguém conhece. Tem a Anna que quase ninguém tem. Com ele é fácil ser eu. Não que eu não seja eu com outras pessoas, mas é que com ele é menos arriscado. Ele  vive naquele mundinho e eu por ser intrusa, consegui a chave. Faço a festa. Ás vezes ficamos dias sem nos falar, os horários não batem, os tempos são quase raros, mas não esquecemos um do outro.  Ele é só alguém que eu sei que posso contar até debaixo d'água . . .

Anna Carolina Morato.

6.3.12

"Livrai - me de toda a inveja, amém."


Não, eu não quero ser chata. Não é isso. Eu quero tampar o sol com a peneira, mas eu sou realista demais pra ser capaz de tanto. Eu tento acreditar que inveja é fruto psicológico, mas não é. Então a pessoa olha pra você dos pés a cabeça. Quer seu cabelo, seu charme, seu sorriso, seu jeito, seu vestido, seu peep toe: Quer ser você. Simples. É tão fácil perceber um olhar de inveja porque deixam nítido o sentimento. "Eu tenho inveja de você, daria tudo pra estar no seu lugar." Oh meu amoooooooor, então entra na fila porque o que tem de gente querendo dar uma de boa as minhas custas. . .

Cá entre nós, agora a oração antes de sair de casa tem que ser: "Livrai - me de toda a inveja, amém."  ao invés de "Livrai - me de todo o mal, amém." Porque minha filha, esse mundo está feio e a minha situação precária. Se duvidar, têm inveja até do meu pezinho gordinho esparramado e que parece de pato. Quanta inveja. Quanto olho - gordo. Que isso! É tão difícil assim entender que cada um tem o que merece???!

Sabe o que eu tenho vontade de fazer com pessoas invejosas? Sentar - lhe a mão na cara e falar poucas e boas. " Alô é da policia? Sim. Qual a ocorrência? Uma louca me agredindo. Qual o fundamento? Minha inveja." Olha que ótimo. Se eu fizesse isso eu seria presa por agressão física e danos morais ainda por cima. Mas deixa estar. Cresci com o desprezo. " Filha, sabe como matar uma pessoa sem precisar arrancar sua vida e ser presa por isso? Desprezo. Não existe veneno pior no mundo capaz de matar alguém como o desprezo." Então aos invejosos, lá vai: Meu desprezo pra vocês, ordinários. Falo mesmo.

Anna Carolina Morato.

5.3.12

E se não houver o amanhã?


Então aqui estou eu. 3:29 da manhã. Olhando pra essa folha em branco que está começando a ficar rabiscada enquanto penso no que escrever. Milhões de ideias contaminando a minha mente me faz perder o sono em madrugada como essas. Ótimo, eu só queria voltar a dormir. Escrever sobre o quê? Uma hora dessas. Hesito. Não vou escrever. Amanhã penso nisso. Quero dormir. Apago a luz, me deito. Quero dormir, mas não tenho sono. Até que . . . E se não houver amanhã?! Levanto sobressaltada pensando em como sou idiota. Abro o caderno, pego a caneta. A mesma página que fiquei rabiscando até as 4:13 sem escrever uma linha sequer. 

Porque somos tão idiotas? Porque idealizamos tanto o amanhã e lembramos tanto do ontem? E o hoje? Como é que fica? Não fica. A gente sempre faz do nosso hoje, o  amanhã. Amanhã eu vejo isso, amanhã eu faço aquilo. Amanhã. Amanhã. Amanhã. E se não houver amanhã, nem depois de amanhã, nem semana que vem, nem mês que vem, nem ano que vem?  Como você reagiria se soubesse que você tem até a meia - noite de hoje para ser feliz? Permita-se e se caso machucar, o mínimo que vai acontecer é você crescer. Permita-se e se caso alguma coisa der errada, pode chorar. Pode gritar. Pode surtar. Chora. Grita. Surta mesmo. Extravasa! Põe pra fora o que te opõe.

A vida é digna de ser vivida e  pra suportar a dor de viver, você precisa ser um pouco retardada ou um pouco louca, que seja. Seja o que quiser, do jeito que bem entender. A única coisa de valor que nós temos é o hoje. "E se" e "Quando" só causam enjôo e dor de cabeça. Eu que sempre pensei no amanhã, eu que sempre me apeguei ao ontem... agora eu só quero o meu hoje. Afinal, e se não houve amanhã? Eu só quero dizer que a única preciosidade que nós temos depois da vida, é o dia de hoje. Era só isso mesmo. 

Anna Carolina Morato.

1.3.12

Solidão? Pergunta pro vizinho!


 É mais fácil eu acabar com todas as folhas do caderno do que escrever este texto! Eu tô querendo escrever sobre muitas coisas, só que sabe a solidão? Então! Me pede um texto desde quando eu descobri meu dom, mas nunca escrevi a respeito. Escrevo a cinco a anos e esta é a primeira vez que me refiro a solidão e mesmo assim não é nada do que quero escrever porque este texto não é sobre uma profunda melancolia que a solidão proporciona para os solitários, este texto é sobre a não solidão. Eu vivo lendo textos que falam da solidão e acho um dos sentimentos mais poderosos porque o estrago que ela causa é de tamanha crueldade, além de ser um dos mais profundos, mas eu não tenho argumentos para escrever  com tamanha profundidade. Nunca estive em um estado de solidão. Eu até penso em ficar sozinha, mas não me deixam. Grudam que nem chiclete. Eu não aprecio a solidão, até porque eu tenho pra quem ligar no final da noite pra contar como foi meu dia, tenho com quem botar ovos, tenho colos pra chorar, tenho oito peixinhos pra cuidar e tenho amigos pra contar. Ainda bem! 

Menosprezo a solidão porque a coitada não tem vez, mas sabe o que é? Solidão me apavora. Solidão me causa muito mais tremor do que a palavra desprezo. Eu não sou do mal, mas se eu tivesse que desejar algo ruim pra alguém, não seria solidão. Solidão é morte. Uma das piores da espécie porque faz a vítima definhar até o seu último segundo de vida. Minha garantia é porque eu não sou sozinha. Sou várias Anna e várias Carolina em um corpo só. Eu sou minha amiga, minha inimiga, minha esposa, minha amante, minha juíza e minha réu. Imagina se eu fosse sozinha? Imagina se eu terminasse comigo e não corresse atrás? Certamente agora estaria escrevendo: " Deus, porque tão só? Estou sozinha. Não tenho ninguém. Ninguém. Ninguém. Ecoando" porque você sabe, exagerar na dose e fazer tempestade em copo d'água é a minha cara mesmo.  Ainda bem. Ainda bem que eu vivo terminando e voltando comigo porque ser eu dá um trabalho, mas viver sem mim faz uma falta danada. 

Minha vida é uma crônica...de erros. Eu vivo me deixando, mas antes de raiar o novo dia, eu volto. "Não faz assim. Não briga comigo. Você é idiota. Desculpa? Não. Desculpa. Vai parar de ser idiota? Vou! Amigas? Sim. Senti sua falta, eu te amo. Eu também".  Faço as pazes, me mando flores. Lírios, minhas favoritas. Mantendo o clima in love no ar. Eu comigo mesma. O meu singular é o mais atraente que eu já conheci. Eu vou me boicotar mil vezes, mas me perdoarei mil e uma. Se tem um amor pelo qual irei implorar todos os dias de joelho, é o meu. Pessoas entram, pessoas saem, mas no final eu sempre estou feliz e comigo.  Estava falando sobre o que mesmo? Aé, da solidão. Solidão? Aqui não. Acho melhor perguntar pro vizinho!
Anna Carolina Morato.