31.1.12

Um pé no futuro.


Estou um tanto impaciente o que deixou de ser novidade. Minhas noites de sono estão escassas e eu voltei a ter insônias, agora meu corpo vive a base de cafeína. Minha vida está tão bagunçada que eu não sei por onde começar. É tudo tão confuso e tão delicado. Se eu fosse um animal, seria um avestruz pra esconder minha cabeça quando o mundo resolvesse desabar.  Minha psicóloga disse que se eu não estou conseguindo encarar meus pesadelos de frente é melhor eu entrar no meu casulo e sair só quando eu estiver forte o suficiente. Ela está certa.

As mudanças que ocorreram colaboraram para que eu esteja assim, mas agora existe outra razão pelo qual me aflijo: O futuro . É meio complicado digerir que eu sou quase uma adulta, que esse ano eu completo 18 anos e que a faculdade tá gritando: " Oh Carolina, chegou sua vez criança.". A gente tá começando a deixar a molecagem pra virar super-homem ou super-mulher. Isso é responsabilidade demais. Os anos passaram tão rápido que por um momento eu me identifico com o   filme “De repente 30”: Um dia menina e de repente mulher.  Sabe o que dá vontade? De voltar naquela infância e ficar gritando com aquela voz de criança manhosa: “mamãe, papai o Anderson me bateu. Bate nele!” Fico só na vontade porque não existe uma máquina do tempo ao meu dispor.

Ouvir a palavra despedida me embrulha o estômago. Me deixa extremamente sensível. Ter que ver amigos indo embora me causa certa tristeza porque agora cada um está seguindo o seu caminho e logo mais serei eu. Eu quem irá deixar tudo e ir em busca de um sonho. Eu sei o que eu quero e embora ainda esteja estacionada, saber o que quer é o primeiro passo. Fico pensando naqueles amigos que não sabem o que querem, não sabem nem se quer ser alguém na vida. O que será deles? O que será de mim daqui alguns anos? Será que vamos nos encontrar novamente ou será que vão apenas viver nas minhas lembranças em uma tarde de domingo relembrando os tempos de juventude? Futuro. Futuro. Futuro. O que o Senhor deseja nos proporcionar? Se você soubesse o medo que Vossa Majestade nos causa, não seria tão misterioso e enigmático quanto parece. 

Dói  ter que dizer: "Quando você volta?" quando tudo que eu mais queria dizer é "Quero ver você, vamos fazer alguma coisa final de semana?". Meus olhos estão formando lágrimas  e eu tento me controlar para não deixar que elas caiam, não posso chorar aqui. Isso é o que eu chamo de saudade. Saudade do que já aconteceu e do que ainda está para acontecer. Enquanto alguns estão em clima de volta às aulas, eu e meus amigos estamos em clima de cursinho, vestibular, faculdade.

Meu pai trabalha em outra cidade embora passe a maior parte do mês em casa. Vivemos discutindo quando eu digo que irei estudar em outra cidade.  "Carolina, viver longe de casa não é fácil. Você começou a viver agora, não sabe nada da vida. Tem muito que aprender e muito que sofrer. Só vai entender o que estou dizendo quando você sentir na pele."  Mas nós somos novos demais, queremos desfrutar da vida não é mesmo? Quebrar a cara, pagar pra ver. Se eu disser que o preço por realizar os seus sonhos é o sacrifício de uma vida, você pagaria? Sua vida e seus sonhos no mesmo tabuleiro. Vou dar um palpite: Você paga! Paga nem que seja em 100x sem entrada no cartão de crédito, cheque ou boleto bancário.

Sonho é sonho e para alcança- lo é preciso renunciar. Nós vamos deixar o conforto da nossa casa, o beijo na testa de bom dia do nosso pai, a comida de domingo da nossa mãe, a briga com nossos irmãos ou irmãs e a farra com nossos amigos porque nós escolhemos ser alguém na vida. Vamos passar por situações complicadas e também engraçadas. Vamos conhecer pessoas novas, amores novos. Enfim, vamos viver a beça! Sofrer a beça! Porém, vamos chegar lá.  Vamos conseguir. Se Deus quiser e se tivermos determinação, persistência e vontade nós vamos conseguir sim, sem sombra nenhuma de dúvida. Se o sucesso vem do fracasso, vamos fracassar muito ainda até alcançar nossos objetivos. Lembrem - se disso, mas em hipótese alguma, desista. Nós só precisamos de três palavras: determinação, persistência e vontade. O resto é conversa pra boi dormir! Fala sério.

Eu tenho certeza que daqui alguns anos eu volto só para escrever que minha melhor amiga virou médica, que o meu melhor amigo virou engenheiro, que meus outros amigos virarão nutricionistas, arquitetos (a), enfermeiros (as), juízes (as), advogados (as), atores-atriz, empresários (as), publicitários (as), psicólogas (os), pode continuar a lista... Eu volto só para escrever que viramos alguém na vida apesar de toda a caminhada dolorosa que ainda teremos pela frente. Volto só para escrever que eu me tornei uma redatora publicitária, autora de sei lá quantos livros. Você vai ter certeza que seu maior sonho foi concretizado quando receber aquele diploma, mais vai ter mais certeza ainda quando você estiver com uma vida estabilizada, casado (a), com filhos e estes olharem com aquele olhar de admiração com uma voz doce falando: "mamãe, papai eu quero ser igual você quando eu crescer!" Alén de conseguir realizar seus sonhos, não tem nada mais gratificante do que  constituir uma família com filhos orgulhosos por poder ter alguém brilhante para chamarem de mamãe ou papai.

Eu não sei dos sonhos de vocês, muito menos o que almejam para o futuro. Meu único desejo é que vocês escolham uma estrada e trilhem sobre ela. Parem para olhar pra trás um pouco para ver quantas léguas ainda falta ser trilhada, mas por favor, não desistam. Não desistam dos seus sonhos mesmo que o mundo inteiro insista em desistir de você. É a sua vez de jogar, não passe a vez. Seja brilhante não para o mundo, mas sim para você. Isso é tudo.

Anna Carolina Morato.

29.1.12

Sentimentos explícitos.


Eu já tentei me enganar, dizer que não. Não você não me ama. Não você não pensa em mim. Mas sabe de uma coisa? Eu posso acertar quando digo que você não me ama, mas erro quando digo que você não pensa em mim. Pensa. Pensa sim! Pensa nem que seja com um sentimento carregado de ódio pelas barbáries que vivo escrevendo. Eu sei que você pensa, pensa tanto que não sabe mais o que fazer. Eu te desconcertei, mas você é homem. Um homem nunca assume suas fraquezas e eu sou assim, eu entro na vida de alguém na tranquilidade de um rio que flui mais saio feito tsunami, deixando estragos. A minha personalidade fortíssima marca as pessoas e eu marquei você. Tem um pouco de mim aí. Não virei advinha não, eu só sei como também sei que depois que tudo isso acabar, depois que todo esse amor desfalecer e depois que eu parar realmente de me importar, você vai procurar saber se você ainda mexe comigo como nenhum outro homem mexeu. Eu torço para que você não tenha tanta sorte. Escrevendo assim até parece que eu estou deitada em uma rede só esperando, mas é que o mundo dá voltas e eu não preciso esperar pra que isso aconteça. Eu só estou seguindo, seguindo em frente como digo. Faço disso o meu mantra. É necessário. Mudei tanto que sabe o que aconteceu? Agora eu tomo de duas a três xícaras de café por dia! Eu odeio café, mas aprendi a tomar porque a substância é forte e dá energia. Eu era forte, antes de te conhecer. Depois só me fiz de forte, agora sou isso que escrevo. Sem máscara alguma, sem maquiagem nenhuma. Clareza. A mais linda clareza. Eu nunca fui tão clara e tão explícita com meus sentimentos como aprendi a ser com você, mesmo que isso me custou um preço absurdo a se pagar embora eu sempre pague preços absurdos. Há quem diga que não é recomendável falar ou escrever sobre sentimentos porque ninguém se importa com esse nhem nhem nhem. Eu não quero que se importem, eu só quero mostrar pro mundo que sentimento não é feio. Sentir não é algo abominável como os humanos julgam ser.  Quem vive ignorando o que sente morre sem saber o que é viver.  Eu pago caro por escrever tanto, mas eu sei que daqui 70 anos eu vou ler esses textos e ainda lembrarei como se fosse ontem.  Escrever não são só palavras jogadas ao vento como dizem ser, escrever é eternizar uma vida que já partira. É a minha vida sendo eternizada quando eu não estiver mais aqui. 
Anna Carolina Morato.

27.1.12

Sem obrigações.


Eu disse que me desligaria das minhas palavras medíocres e do meu sentimentalismo frenético, não disse? Desculpa, eu menti. Não vou me desligar das minhas palavras de marca maior. Não dá, não consigo, não quero e não vou. Simples.

Eu nunca obriguei ninguém a viver a minha vida, viver comigo. A porta sempre está aberta. Entra quem quer, sai quem quer. Se alguém me diz: “ Está na minha hora, preciso ir” “ Vai com Deus, nos falamos depois.” quando tudo que a pessoa mais queria ouvir era “ Ah, não vai não. Fica mais um pouco.” Não. Não. Não. Você nunca vai ouvir isso da minha boca, exceto se a sua presença realmente me faz bem ao ponto de desejar que você nunca vá embora.

Nunca gostei de implorar, embora às vezes  implore. Nunca gostei de insistir, embora às vezes  insista - quando é algo muitississimo importante pra mim - . “Vamos sair?” “Não”!” “ Ah, então tá!” É assim que eu reajo na maioria das vezes. Eu sempre fui aquele tipo de mulher que faz o que dá na telha.  Eu ligo ou mando mensagem na hora que eu quero e retorno as ligações ou respondo mensagens na hora que eu quero. Chego na hora que eu quero, saiu na hora que eu quero. Uma verdadeira: sem limites. Nunca gostei de me sentir obrigada a nada e quando me sinto, eu simplesmente não faço.  

Eu sempre quis entender esse meu jeito sabe? De quase agarrar as chances, quase agarrar as pessoas.  Quando algo ou alguém sai da minha vida, eu quase agarro mas sempre escapa porque minhas mãos vivem ensaboadas, por isso as coisas-pessoas escorregam numa facilidade admirável. Eu deixo ir, simplesmente. Não dói? Dói, concerteza dói. Ninguém em sã consciência quer ver algo ou alguém saindo da sua vida sem nenhuma satisfação mas pior do que perder algo ou alguém, é obrigar a viver na sua vida. Isso é desumano e eu não aceito. Não aceito que ninguém seja meu amigo por obrigação, não aceito que ninguém me ame por obrigação. Se for pra ficar na minha vida, se for pra compor minha história, se for pra rir da minha palhaçada e secar minhas lágrimas que seja por livre e espontânea vontade, mais uma vez pra não esquecer: Livre e espontânea vontade. Eu não fico na vida de ninguém por obrigação, nada mais justo não obrigar ninguém a continuar na minha.

Não pensem que esse texto é sobre algo ou alguém, esse texto é sobre a Anna filha da puta orgulhosa Morato.  Eu sempre digo que algumas coisas na vida, não mudam não é mesmo? Eu escrevi isso no dia 28-08-09 : "Eu sempre quis entender , o porque tudo na minha vida parte sem ao menos eu ter uma chance. E eu deixo partir simplesmente, as coisas se vão e eu as olho partindo sem ao menos ter algum tipo de reação louca ou do tipo precipitada." Dois anos e cinco meses se passaram e eu ainda estou tentando "entender" a razão pela qual eu sou assim . . .

Obs: Trecho retirado do texto: A chance que eu nunca tive. ( 28-08-09)
Anna Carolina Morato.

25.1.12

Turn off



Fecha à boca, eu quero silêncio. Um minuto de silêncio, por favor. Isso não é um pedido, é uma suplica. O único barulho que eu quero ouvir é o da mudança. Mudanças causam um estrago enorme e um desgaste físico-mental também, mas depois que acostumamos tudo se torna fichinha.  Assustou com a mudança pequena? Assusta não. Daqui a pouco aparece uma bem pior que essa, tu vai ver. Eu ainda tô digerindo – a até porque eu tenho o metabolismo lento e meu estômago sofre de refluxo gastroesofágico.  Sabe como eu me sinto? E S T R A N H A. Extremamente E S T R A N H A. É soletrado em CAPS que é pra dar ÊNFASE no adjetivo.  Estou  observando o mundo de uma maneira diferente, mais inteligente e as pessoas de uma maneira mais delicada, mais cuidadosa.

Eu tenho estado um tanto impaciente e mal-humorada. Minha família, meus amigos, minhas peixinhas de estimação não tem nada a ver com isso. O problema sou eu! Estou passando por um processo de reconstrução.  Se a vida é como uma montanha-russa, como é que a gente pode chegar lá em cima sem ter passado por baixo primeiro? Eu ainda estou no carrinho da montanha estacionada só esperando o moço do brinquedo dar a partida para eu subir novamente...

Resolvi praticar o desapego. Estou me desvencilhando de coisas que desgastam a minha essência. Preciso de um tempo e se caso eu desaparecer, por favor, não me leve a mal. Não é que eu não esteja bem, eu só preciso respirar. Sabe quando seu corpo anseia por coisas novas? É isso! É exatamente isso. Estou começando a sacudir a poeira. O tempo que eu escolhi dar pra mim mesma é pra limpar a sujeira que ficou, é pra me entender comigo mesma. Estou me transformando mais uma vez. Olha que maravilha. Você percebe que  está começando a desapegar quando você não olha mais as redes sociais.  Então é ai que você percebe que o jogo está começando a virar porque é nesse exato momento que suas preocupações são outras e tudo vai caminhando para o passado.

As mudanças bateram em minha porta e antes mesmo de dizer: " Pode entrar!" As danadas já se apossaram da minha vida, da minha rotina, da minha história, dos meus textos, do meu corpo, da minha alma. Eaí mudança, pedir licença ás vezes é bom. Você pede licença pra vida quando quer fazer algo? Então a vida não vai pedir licença pra você. Aprende guria! Eu poderia ter ficado quieta né? Mas eu sou assim mesmo, gosto de levar bofetada. 

Deixa eu mudar de assunto que a coisa pegou pro meu lado... Sabe o sol? O bom mesmo é ter o sol todos os dias, até mesmo nos dias nublados. Ele pode ficar preguiçoso, não querer dar um oi pra sociedade, mas você sabe que ele está ali, escondidinho. Nem o sol que é o sol irradia todos os dias, porque a gente tem que irradiar? Não se sinta obrigada. Eu sinceramente cansei! Tá na hora de crescer e se não for crescer por boa vontade, que seja na marra criançada. Não importa se eu tenho dezessete anos com mentalidade de uma mulher de vinte e sete, eu ainda me refiro como uma criança. Pra mim não tem essa, eu sou uma criança sim e não me sinto nenhum pouco ofendida. Criança, pirralha, pivetinha, piazinha, guriazinha ou qualquer outro apelido infantil. Se duvidar, no mundo de hoje uma criança sabe lidar melhor em uma situação do que um adulto, já parou pra pensar?! 

Eu nem sei mais o que escrever porque quando eu comecei esse texto eu tinha inúmeras ideias e uma coisa e tal que eu pensei: Esse texto vai ficar muito foda! mas sempre acaba ficando uma merda como os outros porque eu me perco. Eu vivo me perdendo mas talvez eu precise me perder todas as noites pra me encontrar todas as manhãs. Talvez eu tenha que me perder no verão pra me encontrar no inverno. Eu vou me desligar do mundo não porque eu quero mas porque é necessário. Estou pensando seriamente em  me desligar das minhas palavras mediócres e dessas coisas tolas que eu vivo escrevendo, desse meu sentimentalismo frenético.  Ás vezes precisamos apertar o turn off pra conseguir voltar a viver. Agora chega, eu já escrevi o que tinha pra escrever. Já fiz drama no que tinha pra fazer. Já birrei no que tinha que birrar. Já exagerei no que tinha que exagerar.  Um beijo, obrigada por me aguentarem e até a próxima jujubas. 
Anna Carolina Morato.

18.1.12

Vou ser feliz, um beijo. Tchau!


Bah! Eu cai em uma deprê de dar gosto, mas isso faz parte do pacote. Vocês sabem o que estou querendo dizer. Eu aceitaria continuar debruçada na mesa com esses sentimentos retardados, burros e desolados, mas além dos conselhos da minha psicóloga, tem algo em mim que é maior. Grita tanto que me deixa surda. Que foi que deu em você menina? Ah, o amor moço. Sabe como é. Como é? Ele te faz sofrer quando não é certo. E daí? E daí moço, você me pergunta e daí? É! Aquele amor platônico que você tinha pelo seu ex-melhor amigo, cadê? Emprestou pra vizinha mal amada? Doou em uma instituição de caridade? Fez um leilão?  Cadê? Não sei, faz tempo. Bingo garota! O tempo. Você disse tudo. Ah não moço, lá vem você com essa história de tempo mais uma vez. Não sou eu pequena, larga de ser tão tola.

Eu e minha tolice de acreditar que nada ia passar. Que absurdo. Olha só, já está passando. Passa todos os dias. Não era eu quem queria viver uma aventura amorosa louca e desorientada? Nem sempre se tem aquilo que deseja, mas eu tive. Vivi, aproveitei e pronto, acabou. Chegou de repente, partiu de repente. Ótimo. Deixou apenas estragos, mas tudo que fica estragado na nossa vida, a gente forma. Re-forma, trans-forma. Meu problema é que sou exagerada demais. Dramatizo tudo. Quero chamar o bombeiro pra apagar a chama de um isqueiro, quero ir ao hospital dar ponto em um corte menor que 1 cm, quero cozinhar dois ovos dentro de uma panela de pressão. Exagerada. Intensiva. Menos garota, menos drama. Não dá pra ser intensa com quem não é digno de intensidade. Deixa de ser idiota menina, não coloca sentimento onde não tem. Não vale a pena.  Desculpa, mas o verão chegou. Vai fazer o quê? Choraminga não menina. Vai ter outros meninos e outros beijos e outros abraços e outros afagos, outros amassos.  

A vírgula de tanto ser vírgula, se cansou e preferiu virar um ponto final. Acorda menina! Achou que ia morrer é? Morreu não! Vaso que é ruim, não quebra.  Arranha mas não quebra, fica esperta. Pelo menos em alguma coisa, eu tenho vantagem. Quase morrer de amor, quase morrer por amor. Larga dessa mesa, para de querer esconder esses teus olhos de jabuticaba. Fala sério, deixa a mesa. Deixei a mesa e os lamentos. Levantei mais mulher, mais madura, mais gostosa, mais eu. Quem quiser vir comigo, que venha. Vou ser feliz, um beijo. Tchau!
Anna Carolina Morato.

16.1.12

Tá foda!


Meus sentimentos oscilam a cada instante e eu estou me perdendo cada vez mais. Ninguém nunca vai entender a necessidade que o meu corpo inteiro tem em escrever, mas por incrível que pareça só escrever não tem me trazido conforto algum e logo isto, que é a coisa que eu mais amo na minha vida. Cada dia é uma emoção diferente. Um dia eu acordo feliz, outro triste, outro descolada, outro com raiva e assim vai indo mas verdade mesmo é que meus dias estão se tornando cada vez mais insuportáveis.

O que me deixa triste não é o que as pessoas fazem, mas a maneira como elas fazem. Eu sei que eu também erro, não fico atrás não, mas o que me deixa mais intrigada é que se eu erro é como se fosse o fim do mundo. Eu posso aceitar o erro dos outros e compreender, mas ninguém pode fazer isso por mim? É isso mesmo? Eu dou inúmeras chances para as pessoas, para provarem que elas mereceram aquela chance, mas se eu dou um deslize... Puf! GAME OVER pra você! Eu sinto como se eu não pudesse errar. Embora eu seja perfeccionista, eu não chego nem perto de ser perfeita. Quantas vezes eu terei que repetir que pessoas certinhas também erram? Poxa, eu sou humana embora eu desejasse muito ser robótica.

Eu não quero reclamar de nada. Isso está sendo só um desabafo. Mesmo que escrever não esteja ajudando muito, ainda é a única maneira de me afastar dos meus fantasmas. Eu escreverei sobre os meus sentimentos quantas vezes for necessário porque eu preciso me salvar de alguma forma. Sinceramente, fingir que está tudo bem não está funcionando. Eu juro que estou tentando sair dessa fossa, mas tá difícil. Tento me convencer que “vai passar, vai passar”, mas o desejo que isso passe logo é tão grande que provoca desespero. Dá vontade de descobrir uma cura imediata pra esses tipos de dor. Mas como é que pode curar as dores de um coração? Nada me tira essa agonia e o que eu tenho mais feito é dormir. Eu suplico a Deus pra que isso amenize logo. Estou tentando me levantar, mas ainda estou fraca. Todos me perguntam: “ Anna, o que está acontecendo? Eu nunca te vi assim! Eu não agüento mais te ver assim.”  Eu fico sem resposta, porque eu também nunca me vi assim.

Tá foda! Não tem outra expressão mais traduzida do que essa para o momento que estou passando. Tá muito foda! Eu quase não tenho me alimentado, meu olhar está carregado de tristeza e eu não vejo mais graça em muitas coisas. A vida se tornou meio chata, as pessoas se tornaram meio chatas e eu continuo sendo uma idiota. Eu sinto como se estivesse morrendo. É meio forte, um tanto dramático dizer isso mas é uma dor tão avassaladora que parece que te mata um pouquinho mais a cada minuto. Se o gênio da lampada mágica aparecesse, os meus pedidos seriam: " Me dá outro coração. Me dá outro coração. Me dá outro coração."

Anna Carolina Morato.

13.1.12

É isso aí! *-*


Perai. Para tudo! Tem coisa errada. Não estou me reconhecendo. C-a-a-a-d-ê-ê-ê a Anna que eu conheço? Essa história de sofrer por amor me deixou mais retardada. Essa dor que senti nos últimos dias fez com que eu tivesse vontade de escrever coisinhas bonitinhas e eu me aproveitei disso. Eu sempre tiro proveito de alguma coisa porque se eu não tirar, alguém tira no meu lugar. Já lastimei demais e você sabe que quanto mais você quer chamar atenção, mais a vida te dá uma bofetada na cara pra largar de ser idiota porque meu bem, a vida é assim, mas não pense você que ela é má não, porque ela não é. A vida só quer te mostrar como tudo deve ser.

Eu sei que sentir dor todo mundo sente e que chorar todo mundo chora. Sentimentos são universais, a única diferença é a forma como cada um absorve. Lá vou eu com os meus clichês, mas é sério, sérissimo. Se o que dizem é que cada um tem seu jeito de reagir à dor, eu reajo transformando em piada. Tudo bem, eu sei que exagero, mas é culpa da intensidade. Maldita intensidade. Quem mandou ser tão intensa? Eu sinto muito mais do que deveria, mas o que você tem a ver com isso? Nada. 

Eu não relato a minha vida em detalhes pra me fazer de vítima ou coitadinha porque isso não é minha praia. Eu posso ser o detetive, a advogada, a mãe da vítima, meeeeeeeeeeenos a vítima. Coitadinha é aquela mulher que pariu tri-gêmeos e foi largada pelo marido no dia em que dera a luz porque ele confessou que tem um caso com a vizinha da quadra de baixo. Essa sim, digna de dó. Coitada. Eu não. Acha que eu tô ligando pra alguma coisa? Eu faço da minha vida uma comédia. Se quiser rir das minhas desgraças, me convida que eu posso contar coisas muito mais engraçadas. Eu dou risada porque rir, em minha opinião, é melhor que chorar. Chorar e lastimar. Chega né? Já deu! 

Eu levo minha vida na esportiva mesmo.E daí que ele me largou? ÓTIMO! Que venha o próximo. Cansei de lastimar. Definitivamente, sofrer por amor não é comigo. Se ele não me amou como disse que me amava, ainda bem que ele me mandou caçar rumo. Me poupou tempo e dor de cabeça. Sabe, eu me amo. Acima de qualquer coisa eu me amo e não dependo de homem nenhum pra ser feliz. Não preciso manter um relacionamento por status por medo de ficar sozinha. Eu sei ser feliz sozinha e diferente da maioria das mulheres, eu me completo. Daqui a pouco aparece outro gostosão. Enquanto isso, eu sigo minha vida numa boa porque correr atrás de homem não combina com a minha personalidade, quem dirá implorar por amor. "Agora sim, essa é a Anna que eu conheço."

Anna Carolina Morato.

11.1.12

A última carta.


Meu amigo, não sei se é certo me referir a você assim, mas não posso te chamar de meu amor ou qualquer outra coisa meiga que eu costumava chamar. Você vai se irritar comigo se eu te disser que eu queimei todas as cartas que te escrevi em todo esse tempo que estivemos juntos, mas eu tenho o defeito ilusório de acreditar que eu queimando-as iria queimar também, o amor que eu sinto por você e todo esse sentimento que carrego nesse meu peito surrado. Esta é a última carta ou melhor dizendo, quero que esta seja a última carta que só não foi queimada, porque eu preferi escreve - lá na página do word mesmo.

Bem, eu queria te dizer que a mágoa passou e passou também aquela raiva que eu senti há uma semana e aquele desejo de nunca mais olhar na sua cara. Eu sabia que ia passar. Você também sabia. Você sabe que eu não consigo ficar com raiva de alguém por muito tempo. Sou eu quem acende o fósforo na casa e sou eu quem liga pro bombeiro jogar água. Eu sou mulher, mas tenho alma de criança.  As crianças perdoam facilmente e eu também. Eu sei perdoar, aliás, eu aprendi. É por isso que eu digo que eu te perdôo por tudo que aconteceu. Não vale a pena remoer mágoas. Deus me ensinou isso e a vida, também.

Eu sei que eu sinto demais, que eu falo demais, que eu escrevo demais. Você sabe que esse meu demais meio que estraga, não sabe? Sabe também que eu ainda vou sentir sua falta várias e várias vezes. Ainda vou pensar em você várias e várias vezes. Ainda vou querer você várias e várias vezes.

Você deve ta me achando uma idiota não é? Sou uma perfeita idiota, mas sou a idiota que te ama pelo que você é simplesmente. Você vai pensar: “Nossa, como você é dramática. Não exagera vai”. Mas você me conheceu assim e deve saber dos meus defeitos da mesma forma que eu sei dos seus.  Eu sou a Anna romântica dramática expressiva Morato.

Eu só queria saber se você me amou mesmo e se eu te fiz feliz. Isso você não sabe, mas eu o vejo como ninguém no mundo mais vê. Se eu soubesse disso, daqui alguns anos em dias de nostalgia, eu escreveria que nós dois éramos dois errados que só tinha uma coisa certa: O sentimento. Isso é, se eu soubesse... Eu poderia dizer isso até no próximo texto, mas eu não sei. Que fique sem saber, não precisa me falar.

Eu não sei se você chegara a ler esta carta, mas se ler, certamente agora você estará lendo as minhas últimas frases. Quando eu te encontrar, eu tenho certeza que vou querer te abraçar, te beijar, te morder e te chamar de meu, mas eu preciso me comportar. Eu vou me comportar e sorrir. Pode ter certeza que em qualquer lugar e em qualquer circunstância eu estarei sorrindo porque meu sorriso é o que me salva. Vai te salvar também.
Com todo o amor do mundo, Anna. 

Anna Carolina Morato.

O garoto incoveniente,


Anna não está nas suas melhores fases, saiu um relacionamento recentemente e tudo que quer é seguir a sua vida, numa boa. Mas eis que aparece: Ele. O garoto inconveniente. É claro que eu tenho que dizer que garotos assim sempre surgem. Parecem fênix. Jesus me guarde!

Seus amigos a chamaram pra sair. Fazer alguma coisa. Distrair, sei lá. Uma noite de verão sem nada mais interessante pra fazer. Claro, vamos sim. Arrumou seu cabelo de qualquer jeito, colocou a primeira blusa que achou, passou apenas um lápis preto e lá foram eles, para um restaurante qualquer. Como eu disse: O inconveniente. Ele não tinha nada convidativo. Usava uma calça meio surrada, um tênis sujo e uma camiseta preta meio desbotada. A aparência de nada lhe convidava. O olhar era traiçoeiro e o sorriso malandro. Apagado. Baixinho e magro demais, com a pele áspera. Resumindo: Nenhum pouco o seu tipo. Anna tem o costume de observar um homem dos pés a cabeça pra desvendar a personalidade e a sua conclusão se definia em uma só: Cilada. Anna tentou controlar-se. Ela poderia errar na sua análise, mas descobriu que estava certa  no momento em que ele abriu a boca."Yes, acertei de novo!"

O inconveniente ficava lhe olhando toda hora e analisava cada movimento seu. Se ele soubesse o quanto ela odeia gente que quer observar, mas não sabe nem disfarçar. Depois ele começou a galantear devagarinho, com um papinho fuleiro.  “Eu sou isso, faço aquilo, não gosto disso”. Cantando vantagem. Traduzindo: Eu sou foda! Anna estava paciente, afinal, estava com seus amigos e culpa nenhuma tinha se sempre tem um babaca no meio. Anna odeia. Anota aí, odeia homem que elogia muito. Soa falsidade e absoluto interesse. Ele começou a elogia - lá. Elogios desnecessários. Coisa de homem que quer puxar o saco, agradar sabe? Ela só olhou para seu amigo e deu um sorrisinho, ele sorriu de volta e entendeu o que ela queria dizer. Em seu pensamento só soava uma frase: “Ok babaca, pode fechar sua boca. Nem meu ex-namorado me elogiava tanto assim.”  

Desconfiômetro é uma palavra assimilar a incovênciencia. Anna já estava começando a ficar de saco cheio daquilo. Ela coloca apelido em todos os seus amigos, mas só ela pode chamá-los assim e só ela pode rir dos seus apelidos mas o babaca quis entrosar fácil. Perdeu a moral que não tinha. Ele tentava ser engraçado pra roubar uma gargalhada da Anna, mas não conseguia. Anna é chata quando quer e começou a ser porque seu saco já estava cheio de babaquice.  Armou uma sacada master que fez ele sossegar. O seu bom-humor agradeceu.  Ser indelicada ás vezes, é necessário. Quando Anna chegou em sua casa, pensava: “Que garoto inconveniente, af.” E por ser tão inconveniente, mereceu um texto. 
    
Anna Carolina Morato.

9.1.12

Seguir em frente.



Os dias vão passando e a terrível sensação vai amenizando. Você sabe que vai passar. É clichê. É chato ter que repetir isso toda hora. Mais chato ainda ter que ouvir isso toda hora, mas é isso: “Vai passar!” Você deseja, com todas as forças, ter controle sobre o tempo, sobre sua vida, sobre seu coração, sobre você mesmo. Porém, a verdade é que não se tem nada disso. Você se pega pensando: “Poxa, mais que vidinha mais filha da puta”. Filha da puta sim e um pouco injusta, talvez. Vai saber. As mudanças vieram de uma forma assustadora. Você jamais se imaginou assim... Fria, amarga (o). As marcas da dor fazem você criar uma cápsula de proteção. Ninguém entende quando você despreza o amor e começa a tratar o mundo com indiferença. Você percebe que suas lágrimas evaporaram. Você até tenta chorar, mas não consegue e tudo o que você queria era se afogar em um oceano de si mesmo para amaciar as emoções.  

Você, a partir de agora, começa a entender aquela frase: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”. Você sempre ouvia, mas sempre se perguntava: “Como assim? Como o sofrimento pode ser opcional se existe dor? Como?” Você sempre se perguntava isso e indagava e se intrigava e se encabulava, mas agora... Agora você entende. O sofrimento é sim, opcional como muitas coisas na vida, também são. Você é quem escolhe.

Você julga a vida como se fosse ela a culpada pelos seus tombos. Não é a vida, são as escolhas. Temos o costume de olhar as coisas de uma só forma, mas pensa bem: A vida te dá infinitas chances e infinitas possibilidades, não enxerga você, porque não quer. É mais fácil se apegar aos lamentos do que simplesmente respirar fundo. Pedir um tempo. Calma aí vida! Posso tentar novamente? Tentar. Eu sei como isso soa aos nossos ouvidos. “Tentar o que? Tentar pra que? Já tô na pior mesmo.” Ninguém quer tentar, somos fracos demais pra chegar a tanto. O comodismo soa melhor que a palavra “tentar”. Tô mentindo? Me corrijam, caso eu esteja errada.  O medo de tentar novamente provocam arrepios. Escolha! Cabe a você continuar na fossa pelo que deu errado. Cabe a você compreender que tudo o que aconteceu na sua vida, de certa forma, foi para o seu bem. Nada nessa vida é de graça. Você sabe disso, não sabe?

Vocês agora são dois singulares. Eu e você.  O nós é nobre. Sublime. Não importa o quanto você ame dizer: “Eu vou a uma festa hoje à noite”. Vai ter um dia que você daria tudo pra dizer: “Vamos a uma festa hoje à noite?” Plural. Ninguém quer viver de singular. Se não foi dessa vez, será da próxima. Você tem que continuar. Seguir em frente. Deixar que agora, as estações te tragam um novo amor. Enquanto isso, siga em frente. Continue. Você não pode parar e o mundo não vai parar pra ver um coração humilhado, estraçalhado, abandonado, chicoteado, surrado. O verão já chegou. O sol brilha todos os dias e você quer mais o quê? Não importa o que esteja acontecendo na sua vida, certas coisas devem ser levadas mais a sério. Você deve ser levada (o) mais a sério. Ninguém no mundo é tão amável assim ao ponto de você deixar de se amar. Ame-se e ame mais  ainda, a sua companhia. Você é tão carente assim ao nível de não conseguir ser feliz sozinha (o)? Seja mais você.

Não espere nada. Um dia de cada vez. O bom é deixar as coisas como elas são sem querer fazer e acontecer. O que tem que acontecer, acontece e o que tem que ser, será. Mais uma coisa clichê. Eternos clichês. Eu sempre digo: Isso é tão clichê. Que coisa mais chata. Só que pensa bem: É clichê. É chato. Mas funciona. Tem mais uma coisa: Perdoe. Antes de qualquer coisa, perdoe. Perdoe a si mesmo e perdoe aqueles que te feriram. Não tem coisa melhor no mundo do que carregar um coração sem mágoas. As feridas vão se fechar futuramente, acredite. Se não é fácil liberar o perdão, conversa com Deus. Ele vai saber o que fazer, Ele sempre sabe. Agora, um último detalhe: Sorria. O mundo precisa de um sorriso e você, também. Não importa o quanto dói, você só precisa sorrir... Embora seja um meio-sorriso, não deixa de ser um sorriso. Você tem a vida e te garanto, não tem coisa melhor que acordar e saber que você está tendo mais um dia pra poder escrever a sua história. Paz!
Anna Carolina Morato.

6.1.12

Autenticidade.


Eu escrevo sobre qualquer coisa. Desde a colher suja de açúcar que todo mundo usa no consultório pra adoçar o chá ou o café enquanto espera para ser atendido, até a dor de um parto. Sofrer por amor só não é pior que a dor de um parto, mas por enquanto pra mim é porque nunca pari na vida, ainda.

Como iriam existir as músicas e os sonetos se ninguém transformasse os sentimentos em versos? Se não existisse a escrita, não existiria a literatura, muito menos os clássicos. Deus me deu o dom de transformar meus sentimentos em palavras porque eu tenho uns lábios meio falhos. Eu escrevo mesmo. Publico minha vida pro mundo inteiro. Eu escrevo sobre minha dor, sobre meu amor, sobre minha raiva, sobre minha loucura.  Ofendo meus leitores cult’s com meus palavrões em excesso, mas sabe, é meio desabafo. Preciso xingar. Melhor que murrar a parede e esfolar todos os dedos. A minha vida não é nada interessante, mas pra quem lê quem sabe. Só digo: É uma vida normalzinha, meio agitada, um pouco bagunçada.

Eu sou bem corajosa em falar sobre as coisas que acontecem comigo tão abertamente, mas talvez o fato de ser assim seja a consequência da minha autenticidade. Eu não ligo. Eu escrevo sobre o que eu quero e sobre quem que quero. Danem-se vocês! Eu abro a porta da minha casa, da minha vida, dos meus sentimentos, dos meus devaneios. Talvez seja por isso que algumas pessoas fogem. Eu causo espanto, coitadas. Queria ser aquelas mulheres fodas. Misteriosas, sabe? Que você nunca sabe se está escondendo algo ou não. Eu queria, mas eu não nasci com esse talento. Se a pessoa me dá mais um pouquinho de atenção, acredite, torna-se minha amiga pra sempre. Nem que esse pra sempre dure exatamente cinco minutos ou só o uma noite na balada.

Não gosto muito de ler e também nunca fui boa em gramática, quem dirá idolatrar o português. Eu sei que a minha literatura é de quinta categoria, que minhas palavras são meio vagabundas, mas eu chego lá. Um dia eu chego lá. Um dia eu escrevo um livro e ainda coloco o seu nome na página de agradecimentos. Um dia eu serei o orgulho da mamãe, do papai e do meus peixinhos de estimação. Acredite você, se quiser!

Anna Carolina Morato.

O preço do amor.

Hoje eu parei pra olhar as fotos, ler as mensagens, as conversas e me bateu uma dor tão forte no coração.Você me culpa pela frieza e eu o culpo pelo abandono. Onde tudo se perdeu? Como foi que as coisas começaram a definhar? Fui cega ao ponto de não perceber. Pior que o vazio que um fim proporciona é as lembranças que preenchem o espaço. Você tem os piores defeitos que um homem pode ter, mas mesmo assim, eu te amo. Eu amava ver como você era bobo quando estava com os amigos e como você se tornava mais bobo ainda quando estava comigo.  Deus! Porque não pode ser ele? Eu queria que fosse ele. “Seja ele. Por favor, seja ele. Seja o homem que vai saber interpretar todos os meus olhares. Seja o homem que vai me conhecer como a palma das mãos.” Eu suplicava, em pensamento, que você fosse ele.

Ando pelas ruas parecendo uma zumbizinha com óculo escuro e percebo as idas e vindas dos carros, das motos, das pessoas e vejo que ninguém para observar o sofrimento do outro. A verdade é que a vida não para. A correria diária não dá aos humanos esse luxo. Nem eu tinha parado pra encarar o meu sofrimento de frente. Só agora. Só agora que eu vejo o tamanho da intensidade do meu sentimento. Ignorar o sofrimento é muito mais triste do que senti-lo. Ele em si já é tão solitário. Então fazemos uma dupla perfeita. Quem sabe a gente não se diverte um pouco? Eu também estou solitária e me encontro mais solitária ainda quando estou naquele quarto escuro, abraçada com os meus sapinhos de dormir que por sinal, um deles foi ele quem deu. Solitária, largada, abandonada, sozinha. O que me resgata desse é abismo é que meus dias estão sendo tão cansativos que ao deitar na cama, o tempo que eu tenho é o de pedir a Deus por dias melhores, fechar os olhos e dormir.

É meu amigo, o amor é assim. Quando a gente ama, a gente entra no mar cheio de tubarões. Atravessa o campo de roseira cheias de espinhos, fica pendurada naqueles galhos que nascem nas rochas dos precipícios. Quando se ama, a gente vai mais além que o permitido. Esgota todas as possibilidades. Tenta, tenta e tenta mais uma vez até chegar a conclusão de que simplesmente não dá mais. Quando a gente ama, paga-se caro, muito caro! O meu amor é tão pesado que os galhos não me suportaram e eu acabei despencando.  Eu sou tão pequena. Como tudo isso cabe em mim? Porque diabos eu sinto tanto? Tudo sempre tão à flor da pele. Exasperados. Eu deveria amar um pouco menos, sentir menos. Eu só queria acordar e não sentir nada. Nenhuma dor, nenhum amor.

Será que você não gosta nenhum pouquinho de mim? Eu cato as migalhas que você deixou enquanto escrevo este texto. Eu estou de luto, porque eu vou te matar. Vou matar você dentro de mim, antes que você me mate. Antes que eu morra de amor por você, eu te mato. É triste dar morte a um sentimento tão vivo. Mais triste ainda é não poder levar flores quando você morrer. Se a pena por cometer um crime contra você for perpetua, eu pago. Eu pago o possível e o impossível só pra te esquecer, só pra arrancar você de mim. Tá na cara, tô sofrendo mas vou sair dessa. 

Anna Carolina Morato.

5.1.12

Calota de gelo!


Você descobre que esta loucamente e inteiramente apaixonada por  alguém quando começa a cometer o inimaginável. Eu cai nessa roubada, sério. Foi aí que eu pensei: Droga, fudeu! Já era.  Eu cometi loucuras. Coisas que eu jamais faria por alguém, eu fiz por ele. Eu me declarei de todas as formas, mas ele não percebeu. Nos mínimos detalhes, nos pequenos gestos. Me declarei quando mandava uma mensagem de bom dia. Me declarei quando pedia a Deus pra cuidar de nós. Me declarei quando ele vinha pedindo carinho. Me declarei quando chamava ele pelo nome. Me declarei mesmo,  mas que pra ele se tornou tudo insignificante, porque eu estava fria.

Eu confesso! Estava fria sim. Meio ausente, seca, mas é natural pra quem já se machucou. Como é que se ama alguém que já te fez sofrer? Eu sempre me faço essa pergunta, mas nunca tenho resposta. Ta aí o mistério do amor. Se antes o meu mundo era ele, dessa vez ele só fazia parte. Ele me fez mais mulher quando me deu dois pés na bunda e esperou que iria me encontrar menina. Não encontrou. Eu mudei, mas ele não se adaptou a minha mudança. A mulher que eu me transformei quebrou a peça de encaixe que ele tinha no meu quebra-cabeça. Lamentável, pra ele não pra mim.

Dessa vez, ele termina comigo por um motivo que em minha opinião, uma simples conversa resolveria, mas não. Ele é pratico demais. Eu deveria ter reparado que em questão de praticidade, ele ganha. Que coisa mais chata! Eu perdi a posição de pessoa mais prática do mundo. Esse jeito impulsivo e irresponsável que só ele tem, me esfola viva. Ele diz que eu errei e vou dar a ele esse luxo até porque em um relacionamento, a balança tem que ser equilibrada. Os dois erraram e ponto.

Eu sempre me pergunto cadê o amor? Quem ama não deixa uma, duas, três vezes. Quem ama quer ta junto. Quem ama não tem desculpa, não tem frescura. Quem ama só ama. Eu perguntei pra ele: “Cadê o seu amor?” “ O meu amor? ta aqui guardado, vou dar ele pra quem realmente mereça!” Triste. Eu não mereço o amor dele. Extremamente triste. Eu não queria cometer os mesmos erros e se tinha dias que eu não ligava e não mandava mensagem, porque ele não fazia isso? Cadê a merda de reciprocidade?  Eu queria dar espaço pra saudade, se é que vocês me entendem. Mas nããããão, ele disse que eu estava pisando nele porque eu fazia as coisas na hora que eu queria e na hora que eu bem entendia. Olha só, eu pisei tanto que até levei três pés na bunda. Viram como eu sou malvada?

Certamente ele vai me transformar na vilã, mas eu sou tão boazinha que quando me entregam o papel de vilã, eu administro com uma enorme satisfação. Me fazer de coitadinha nunca foi minha cara mesmo. E lá vai eu com o meu cinismo, porque ser cínica é menos triste.  E chega! Chega dessa putaria porque eu não sou dona de circo pra sustentar palhaçada de palhaço e olha que sustentei até demais porque coração você sabe, é meio burro e meio bobo. Meio burro – bobo.

A dor é tamanha que já criou anestesia própria e a minha sorte ou o meu azar, é que as únicas palavras que eu me apego, são as minhas porque são verdadeiras.  Se eu tivesse me apegado aos lamentos dele e em tudo que ele me disse, eu estaria com os olhos avermelhados de tanto chorar, mas nem isso eu consigo. Eu só espero que ele não se arrependa. Vem aqui Zé, abraça o meu coração. Tá tremendo porque Zé? Sentiu Zé? Eu congelei. Meu amor congelou. Meu coração virou uma calota de gelo. Desculpa Zé! E agora? Agora foda-se né Zé. Foda-se!

Anna Carolina Morato.

3.1.12

As dores de um silêncio!


Eu preciso aprender a falar dos meus sentimentos. Falar, eu digo F-A-L-A-R. Não só escrever. Mexer os lábios, tremer a voz, gaguejar, essas coisas que fazemos quando falamos. Como é que faz isso? Feliz época aquela em que eu conseguia falar o que eu sinto sem medo, feliz época.  Porém, as coisas mudaram tanto que eu perdi o jeito da coisa, ou melhor, a vontade. Agora eu fico remoendo tudo aqui dentro, massacrando e me esfolando porque eu sou fraca. Quem falou que eu era forte? Mentira! Eu só sou forte porque eu não falo dos meus sentimentos abertamente.  Eu não falo porque eu não quero que me vejam chorando. Eu guardo pra não chorar.  Eu queria que as minhas palavras não fossem tão fortes que ao serem derramadas da minha boca, cortam como lâmina. Explica o porquê eu surro as emoções? Eu sou cruel demais.   

Todos os dias, eu morro a cada pôr - do -sol e recussito a cada amanhecer e eu estou morrendo, nesse exato momento. Todo esse meu sentir está me matando por dentro, me corroendo, me devorando.  Meu coração não pulsa, ele dilacera. Tô sufocada! P-o-o-o-o-o-r  f-a-v-o-o-o-o-r, alguém arranca isso de mim? Eu queria poder me virar do avesso pra concertar esses sentimentos contorcidos. Triste.  Ser assim é extremamente triste. Eu sou pequena demais pra carregar tanto sentimento. Isso não cabe em mim, não tenho espaço pra tanta intensidade. Não existe silêncio tão barulhento e tão esparafatoso quando o meu. Se dói não compartilhar meus pesadelos, imagina compartilhá-los? A dor é muito maior. O que ninguém vê é as dores de um silêncio. 

Eu admiro aqueles que dizem o que querem, doa a quem doer. Enquanto eu, tenho que enfiar o dedo na garganta pra vomitar isso aqui, mas definitivamente, meus sentimentos estão tão atordoados que vomitar no papel ou na página em branca do Word não me serve e não me acalma. Não tira de mim esse desespero de querer falar. Estou começando uma explosão e a minha combustão é tão avassaladora que queima o mundo inteiro. Será que ainda não perceberam que se eu faço tanto silêncio é porque eu tenho medo de encarar a vida de frente? Eu sou uma medrosa, assumo. Se alguém destrói todo o meu ser, a única coisa que eu ofereço é o meu silêncio. Fica com o meu silêncio.  É nesse silêncio que eu carrego as dores, que ninguém vê. Metade de mim é silêncio, a outra metade também. Porém, de silêncio essas duas metades não tem nada. O que tem é um coração surrado cheio de sentimentos massacrados. 

Anna Carolina Morato.