13.6.13

Desabafo.

Eu poupo. Essa é a questão, eu poupo as pessoas. Penso que por ser extremamente geniosa, eu devo poupa-las e, ao pensar dessa maneira, eu agrado. Faço o possível e impossível, quando possível. Entretanto, eu ainda não vi alguém se dar bem por agradar ninguém. O pior é que eu não agrado por mal, faço porque posso. Faço o que está no meu limite. Faço o que não comprometa o meu estado de espírito. Porém, em algumas circunstâncias, eu me contrario por fazer a vontade de alguém. Depois, me sinto péssima. Péssima por não ter me respeitado. Péssima por não ter imposto minha opinião. Péssima por ser péssima em falar não. É só assim que eu me sinto, péssima.  Engulo muito sapo na intenção de não desgastar as pessoas ou de não comprar "briga" por isso ou por aquilo e mimimi. São tantos desagrados, mas enquanto poupo as pessoas, eu me desgasto inteirinha. Ainda relevo, levo na esportiva, ignoro, mas chega  uma hora que acumula. Que fadiga. Que estressa. Eu sou uma explosão em pessoa, explodo o tempo inteiro (por dentro). Se você ainda não percebeu, estou no auge de uma  explosão por escrever este texto. A minha voz silencia, mas mesmo em silêncio, continua sendo ensurdecedora. 
Anna Carolina Morato.

9.6.13

Des-amor.

Sinto o cheiro do amor. Uma amiga me liga pra dizer que está namorando. A outra me manda no WhatsApp  que está a p a i x o n a d a. Um amigo me pede segredo, mas diz que está quase namorando também. O outro me diz que conheceu alguém e está encantado. A nuvem do amor  paira sobre a cabeça da maioria dos meus amigos, menos da minha. Esses dias parei pra perguntar pro meu coração se ele ainda estava vivo porque eu não consigo gostar de alguém. Eu tento, por um momento, mas passa. Eu tenho medo de tudo e tudo tem medo de mim. O meu problema é que eu não me sujeito mais a sentir algo por alguém que não sente nada. Eu sei o que é a dor de uma entrega não correspondida e depois de incontáveis falências emocionais, aprendi a não me entregar. De sentimentalista, pra racionalista. Quem me viu, quem me vê! Eu que gritei tanto pelo amor, sou só o des-amor.
Anna Carolina Morato.

6.6.13

Velhice não é desculpa!

Era pra ser um dia comum de estudo, porém, aconteceu um fato marcante. Estava sentada em uma das mesas da cantina, acompanhada de um copo de café e um tablete de chocolate, enquanto observava aqueles idosos pelo corredor. Próximo a minha mesa,  estava alguns funcionários da Universidade e ao ver os idosos, alunos  da UMI ( Universidade da melhor idade), uma funcionária comentou: “Já estão todos velhos, querem aprender o que ainda? Vixi, olha lá aquele velhinho.” Ao dizer isso,  gargalhou  junto com os outros funcionários. Olhei-a e ao observar o meu olhar, sorriu. Retribui seu sorriso com uma fisionomia simpática e voltei-me para o rumo pelo qual seu comentário me distraiu. Continuei observando-os, enquanto suas palavras ecoavam na minha mente. Velhos. Velhos. Velhos. Bendito sejam eles, que mesmo “velhos”, buscam o conhecimento.

Sei que não posso julgar se a intenção dessa funcionária foi de mau gosto ou não, mas na minha concepção, foi um comentário ingrato. Quem é que defini a velhice?  A velhice é só o estado de um corpo. Este corpo pode até estar velho, debilitado e fraco, mas a alma... Ah! Que alma! A alma daqueles idosos ainda é jovem. Eles poderiam estar em suas casas, curtindo a aposentadoria ou aproveitando os netos. Mas não, estão dentro de uma Universidade. Quanta ignorância daquela Senhora! Sim, Senhora. O comentário foi feito por uma pessoa de idade. Que pena. Quem disse que o aprendizado é definido por idade? Nunca é tarde demais para aprender algo novo. O que defini o aprendizado é a força de vontade que cada um carrega dentro de si.
Anna Carolina Morato.