24.2.12

Insatisfação.


TÁ! Todas as células do meu corpo gritava por distância. Arrumei minhas malas, comprei as passagens e fiquei dez horas dentro de um ônibus sozinha. Me afastei de tudo durante três dias. Foi bom. Eu precisava matar a saudade de uns, sentir de outros. Foi bom não, foi mais que bom. Ótimo. Coisa melhor do que não ter gosto pra Carnaval e tal e aproveitar o feriado na praia? Não tem. Botei mil ovos em um só dia de tanto ver homens bonitos, sarados, gostosos. Minha cidade natal podia ter tudo aquilo não é? Podia... não tem. Um pena. Banho de mar é um tipo de sessão de descarrego naturalmente dinâmica. Esqueci tudo. Não pensava em nada, só sentia. Sentia o mar, as ondas, os raios solares, o vento, a areia macia. Quisera eu que a vida se resumisse só em praia e sol. Oh coisa boa! Mas não, é só uma parte da vida. Que assim seja. Uma hora começaria a ficar chato. 

Agora estou de volta. De volta a minha realidade. Ao calor exagerado de uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul. De volta ao meu trabalho maneiro. De volta ao meus amigos idiotas. De volta aos meus surtos diários. De volta a minha vida enjoada. Quer saber? tô insatisfeita. Cansada dessa vida, dessa gente. Odeio marasmo e minha vida está se tornando um. Hora de mais mudanças, sim ou claro? Concerteza. Beleza. Quero mudanças. Por onde começar? Mudei o corte de cabelo: não adiantou muito. Quero mais que isso. Quero mudança drástica. Coisa assim de outro mundo, sabe? Uma reviravolta. Sinceramente, tô cansada e pior: em crise. Ando com uma antipatia que Deus me livre. Cheia de encabulações. Quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu amo peixinhos de estimação. Cá entre nós, algumas pessoas eu daria uma boiada para não ter que ver, muito menos aturar. Dá um chá de sumiço pra essa cambada de gente chata e inconveniente logo. Estou cansada de ser legal. Mais azeda que abacaxi verde. O anti-socialismo me chamou pra tomar uns drinks e estamos tomando até agora, chego a estar embriagada. Sei lá viu, meu humor tá mais oscilante que a pressão de uma pessoa hipertensa. Cansada, tô cansada. Já falei isso? Falo de novo porque eu tô cansada. 

Sabe, cansei até das minhas próprias palavras. Eu nem sei mais o que faço com isso. Escrevo. Escrevo. Escrevo. Escrevo até sem ter o que escrever só para manter o meu elo amoroso com vocês, palavras. Me chamem de ingrata. Quando preciso, uso - as. Quando não preciso, ignoro - as. Não quero mais saber. Não estou precisando de palavras. Estou mais pensativa que o normal. Quieta. Muito sossegada pro meu gosto. Não me perguntem o que eu tenho. Só me deixa. Me deixa quietinha, mas não me abandona. Me abraça.

Anna Carolina Morato.

17.2.12

"Queria!" Não quero mais.


Eu não queria que o fim fosse como foi. Eu queria que você se arrependesse. Queria que me visse e sentisse o coração tilintar. Queria que se lembrasse do nosso aniversário. Queria que você me ligasse no meio da noite ou mandasse um sms porque qualquer coisa era menos triste do que o seu abandono acompanhado do seu silêncio. Eu queria você de volta, apesar de tudo, eu queria você de volta. 

"Amiga, eu juro que se ele mudasse realmente e me provasse isso, eu esqueceria tudo, eu largaria tudo..." Eu disse isso? É. Eu disse. Disse porque estava desesperada. Eu não sabia o que fazer com o meu amor. Eu queria o seu amor. Eu gritava: "O que eu faço com o meu amoooor agora?" O som da minha própria voz ecoava. Gritava mais forte e o eco ficou ainda mais alto. Parei de gritar, desconfiei que ficaria surda. Nenhuma resposta. Pensei em fazer mil coisas com meu amor: " tomar quinhentos litros de coca -cola pra ver se corrói, dar pra vizinha mal-amada, vender na barraquinha da feira, leiloar, emprestar pro meu amigo solitário, dar descarga, mandar pra fábrica de reciclagem, jogar ácido no coração, ingerir estricnina ..." Pensei, mas nenhuma dessas ideias me coube. Decidi: Vou deixar passar.

Decidi deixar passar mas continuei me importando. Stalkeando as redes sociais. Querendo saber dos teus hábitos, rotina e afins. Então eu vi que continuava a mesma coisa, achei chato. Perdeu a graça, definitivamente, perdeu a graça. Aquilo tudo que eu disse ali acima, verbo conjugado no passado: "Queria!" Não quero mais. Não quero mais nada disso. Não quero ligações, nem sms, nem lembranças, nem barulho, nem coração tilintando. De você eu não quero mais nada. Indiferença. Você se arrependendo ou não, que diferença faz? Você se importando ou não, que diferença faz? Na minha vida, nenhuma. Os corações bateram em ritmos diferentes e mesmo que fosse juntar as duas batidas não dava uma melodia completa. Precisava mais que isso. Meu coração bate forte e descompassado e o seu? Nunca soube. Estou deixando passar.

Deixa eu contar uma novidade: "Encontrei um amor."  Esse é amor pra valer. De tirar do sério. Hipnotizar e ao mesmo tempo conter uma serenidade. Encontrei o meu amor. Aquele amor que eu perdi quando quis te amar.  Semana passada eu estava bem. Ontem eu estava bem. Hoje eu estou bem. Um bem tão sincero. Sinto - me bem porque sinto leveza na consciência. Não sinto culpa no cartório e se caso sinta, é só por querer ter sido tanto por quem me foi tão pouco. Semana que vem vai passar ainda mais. Passa todos os dias.
Anna Carolina Morato.

15.2.12

Garota Malandra.



Embora eu seja perfeccionista, eu odeio gente que se acha perfeita.  Odeio quando alguém me diz: “Você é perfeita.” OPAAAA! Para. Para. Para por aí. Perfeita não. Retruco na lata mesmo e ainda fecho a cara sabe por quê? Porque perfeição é lenda. Mentira. Dizer que alguém é perfeito é forçar a barra. Falo mesmo.  “Perfeita aos meus olhos.” Own, que graça. Que seja pra você, pra mim não.  O que eu mais digo quando me olho no espelho é: “Eu até sou legal, mas muito filha da puta pro meu gosto e caiu na risada.” Noooooooooossa! Você se destrói sozinha. Nada disso. Eu me xingo no mais puro amor, acabo comigo para o meu próprio bem.  Sei dos meus defeitos. É mais fácil eu fazer uma lista recheada deles do que uma lista de qualidades e ainda assim, tem gente que me ama. Vê se pode? Me amaaaaaaaaaaam. É um absurdo, mas é um absurdo que prova que imperfeição não é problema. Na verdade,  eu gosto disso mesmo. De gente que é o que é e não está nem aí pra paçoca. Que se xinga, mas se ama. Que se diverte com a própria desgraça e ainda desafia a vida: “Oh madame, pode mandar a próxima” Então a vida vai lá e manda uma puta de uma desgraça e o que você pensa? “Desafiei, mas não aguento o tranco. Posso pedir arrego agora?” 

Eu sou realista mesmo. Ás vezes eu curto uma ilusãozinha porque você sabe, a bicha é  convidativa, mas logo desisto. É sempre bom lembrar que a ilusão é uma mercadoria muito cara e dinheiro nenhum  consegue quitar  10% do seu valor. Prefiro minha realidade que além de mais acessível, é grátis. Chega de pintar o mundo cor – de – rosa se o que mais predomina é um festival infindável de cores. Cá entre nós, uma cor só chega a ser monótono e eu odeio monotonia.  É por isso que pra mim não tem tempo ruim.  O pior sabe o que é? Tempo ruim gosta de me pegar de jeito. Me solta. Me larga. Sai de mim maré negra. Não me enfeza trem!!! Mas o infeliz persegue,  dou a guerra por vencida. Sossego o facho.  Mais tem uma coisa: Tempo ruim não me aguenta por muito tempo porque eu tenho um otimismo muito maneiro.  Quem manda somos nós mesmos. Então eu mando todos os dias: “vou ficar legal” até ficar.  Pronto, fiquei legal. Agora to mandando: “ Vou continuar legal” até o dia em que eu não queira bancar uma de idiota como eu gosto de bancar desafiando a vida e pagando uma de espertinha. Me esfolo tanto porque acho que sou gostosa e tenho a vida na palma das minhas mãos. Uma ninfeta de dezessete anos querendo ser uma velhona de quarenta anos cheia de experiência. Toma vergonha nessa cara Carolina. Pode falar, eu sou precoce mesmo. Nasci de nove meses, mas parece que foi sete. Cheia das graças. Garota Malandra.

Sinceramente, eu acho a vida uma comédia e tem mais uma coisa que eu odeio: baixo astral. Odeio. Odeio. Odeio. Odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio. Odeio tanto que nos dias que eu mesma estou baixo astral eu fico que não me aguento: i n s u p o r t á v e l. O que acontece? Aquelas pessoas que me amam entram em ação e me mimam e me colocam no colo e me fazem rir e me fazem voltar a minha essência e falam que azedume não combina comigo e blábláblá. Então eu melhoro um cadinho. Como não melhorar? Meu sorriso é sorriso de malandra. Todo faceiro. Cheio de positividade. Vem. Vem. Vem. Vem comigo. Tristeza só é bom para dar um tempero diferenciado na alma. O resto quem faz é a alegria. O alto astral. Fica triste não. Tem gente pior que você e mesmo assim, está de cabeça erguida. Levanta a cabeça vai! Quem olha pro chão é pomba atrás de migalha de pão.
Anna Carolina Morato.

14.2.12

O garoto corajoso.

Minutos antes de dormir, tive um pensamento inusitado: " Eu sempre escrevo pra alguém, mas como deve ser alguém escrevendo pra mim?" Fiquei mais de meia hora pensando. Minhas palavras são mais que tapas na cara, socos na boca do estômago. São mortíferas. Se contem uma certa quantidade de estricnina eu nem falo nada. Se alguém um dia escrevesse para mim com o mesmo peso que eu escrevo, eu não sei se aguentaria. Certamente horas depois de ler eu estaria em um hospital cercada de enfermeiros estancando o sangue do meu pulso para que eu não morra. Não sei dá onde vem tanta crueldade para com palavras. Fiquei pensando, pensando, pensando. Até que lembrei. É isso! Já escreveram para mim. Você. Você. Você. Você escreveu. Forcei minha memória para me lembrar o que continha naquele texto que você publicou em seu blog, que por sinal, foi eu quem te influenciou a criar. Era um texto enigmático e sinceramente, um dos mais lindos que eu já li. Eu demorei a perceber que era ao meu respeito até porque eu nunca sei quando algum garoto está apaixonado por mim. Talvez até saiba, mas não levo a sério. Todos os garotos que passaram em minha vida, eu só fiquei sabendo de seus apreços depois que já tinham me esquecido. "Porque não me disse antes?" "Sei lá. Medo" Medo. Esse meu jeito durona não deixa os garotos se aproximarem, mas você era meu amigo. Sabia muito sobre mim. Disse até que tinha feito um caderninho "Desvendando a Anna Morato". Caderno esse que nunca agarrei em minhas mãos para poder dizer o que estava certo ou errado. Não sei se existiu mesmo ou se ainda existe. Enfim, não importa. Só curiosidade mesmo. Você sabia dos riscos e mesmo assim quis sair da sua zona de conforto para entrar na minha zona de perigo. Você sabia exatamente que meu campo minado é perigosamente traiçoeiro e que qualquer respiração mais ofegante, as bombas explodem. Ka-boom! ta-bum! Uma bomba explodiu: " Desculpa, mas eu te vejo só como amigo. Desculpa mesmo."
Todo e qualquer garoto que ousa entrar na minha zona de perigo, automaticamente assina o seu tratado de morte. Não me ame se eu não te amar, pooooooooooooor favor. Eu me torno a pior garota do mundo e foi o que me tornei para você. Você conheceu meu lado insuportável que eu tanto dizia, mas que você nunca acreditava.  Você foi corajoso e o que eu fiz? Eu fugi. O que eu fiz? Eu ignorei. O que eu fiz? Abandonei nosso barco de amizade. Sei lá. É mais fácil sumir do mapa. Se eu não posso doar amor para alguém, não quero que me doem também. Não aceito a hipótese de alguém me amar sem ser correspondido. É isso. Acho que tenho essa linha de pensamento porque já sofri muito por amores não correspondido, amores não, paixãozinhas mesmo. E agora? Você me ama ainda? Faço figas para que não. O meu sentimento continua o mesmo: amizade.  Eu nunca te escrevi, mas hoje eu não conseguiria dormir sem te escrever. Eu precisava admirar a sua atitude. Preciso que você saiba da minha admiração por você. Parabéns. Você foi um dos poucos que me enfrentou. Quem é o louco? Quem é o louco pra me enfrentar? Você foi. Quebrou as regras, ousou quebrar a barreira. Garoto que ousa se envolver comigo é corajoso. Eu digo isso porque sei muito bem da minha personalidade de leoa em pele de ovelha. Quem não me conhece, que me compre.

Anna Carolina Morato.

12.2.12

Felicidade.

Estou feliz novamente. Meu mundo estava preto e branco demais pro meu gosto. Resolvi pintar. Além de escritora, eu também sou pintora (embora faça nove anos que não pinto uma tela sequer). Resolvi pintar. Sempre fui extremamente apaixonada por abstrato. Talvez pelo fato da minha vida ser um. Estou colorindo tudo e quer saber? Embora faça anos que eu não pinto, ainda tenho as técnicas em minhas mãos. Pintar é como andar de bicicleta. Aprende uma vez e nunca mais esquece.  São 03:11 da manhã. Estou escrevendo este texto em pensamento faz cinco dias e agora  estou aqui tentando me concentrar o máximo para conseguir descrever tudo que pensei e senti. Espero que entendam se alguma coisa der errado daqui pra frente.

Minha hiperatividade não me deixa descansar. Sempre tenho muito o que pensar, muito o que sentir, muito o que falar, muito o que fazer, muito o que aprender, muito o que escrever. Sou fã do muito. Não me contento com pouco. Pouco amor. Pouco eu.  É sempre muito tudo que eu me perco. De novo e de novo e de novo. Até que me perdi ontem, mas eu sempre fui muito auto-suficiente. Perdida eu? Que isso. Conheço muito bem a trilha para não me perder.  Mentira. Eu me  perdi e não me achei então eu fiquei triste. Você está bem? Estou! Tô ótima! Ocultando a dor. Rejeitando o sentimento. Eu não aceito tristeza, não aceito falar que estou triste. Teimosa. Auto-suficiente. Idiota.

Algumas vezes podemos dizer que estamos tristes sim. Porque não? Eu achava isso o cúmulo. Feria o meu orgulho. Borrava a minha maquiagem de garota invencível. Em hipótese alguma eu dizia que estava mal, exceto quando estava em um nível ultra máximo de tristeza, antes disso só escrevia. Agora não tenho mais tanto receio em dizer que estou mal ou bem quando alguém me pergunta. Na vida, as vezes só precisamos de alguém pra dizer: "vem cá, deixa eu cuidar de você!" eu sempre cuidei dos meus amigos e amigas, mas reparei que eu também mereço ser cuidada quando as coisas não estão bem. Posso confessar? Cuidaram e estão cuidando maravilhosamente de mim. É tão bom ter aquele sentimento de ter com quem contar, ter com quem rir, ter com quem brincar e amar, ter com quem confiar. Graças a Deus, isso eu tenho de sobra.

Parei pra pensar: Ser fraca é muito mais que um adjetivo qualquer. Ser fraca é ser forte. É aceitar seu sentimento mais triste e fazer dele o seu sentimento mais elegante. Eu não aceitava a tristeza até perceber que pra ser um pouco feliz eu precisei sentir-me um pouco triste. Me senti triste. Me sinto feliz. Não me levem a mal, eu sabia que alguma coisa daria errada. Isso não era absolutamente nada do que eu queria escrever.

Anna Carolina Morato.

8.2.12

Essa vida viu Zé.

Eita zé! O que a gente faz hein? Eu vivo de bem com a vida mas a vida vive mal-humorada comigo. Vive querendo passar mal, não gosto disso. Olha só pra mim Zé, super alto astral e ainda tenho que enfrentar o pessimismo alheio. Não Zé. Não dá. Porque as pessoas reclamam tanto da vida? Não pode Zé, não pode reclamar tanto da vida assim. Eu sei que eu reclamo muito, tá errado isso aí. Depois paro pra pensar: "tô chorando de barriga cheia. Que merda!" Menos Carolina, vamos parando. Problema das pessoas é achar que suas dores são as maiores do mundo. Não são. Aí Zé,  a gente vai na maciota sabe? Devagarzinho, tipo mineirinho. Fazendo um silêncio danado pra ninguém escutar nossos passos chorosos.

Eu gosto da vida, mas a vida não gosta de mim não sabe Zé. Eu sou boazinha demais. Essa minha generosidade em querer entender, compreender, aceitar, perdoar só complica minha vida viu Zé. Não tô reclamando, estou comentando. Ninguém me entende Zé. Eu queria ser malvada sabe, queria mesmo mas não consigo. Não consigo desejar mal pra alguém, eu até tento sabe, pra ficar igual todo mundo mas não vai. Se eu desejo mal a alguém agora, no minuto seguinte já me arrependi. Tanta gente por aí querendo o meu mal e eu só querendo o bem. Só querendo que as pessoas se acertem de uma vez por todas. Tanta coisa em que poderia acreditar (simpatia, reencarnação, tarô, magia negra, etc...) e eu fui acreditar logo nelas, nas pessoas. Olha que desgraça. Que coisa mais chata viu. Mas é, eu acredito que as pessoas, por um dia, poderão deixar de ser tão superficiais para serem um pouquinho mais humanas. 
Anna Carolina Morato.

7.2.12

You Could Be Happy . . .

Sobre o passado.


Quantos anos já se passaram? Três? Quatro? Cinco? Vai saber! Na verdade isso nem faz mais diferença na minha vida. Eu não sou a melhor pessoa pra se referir ao passado. Nunca fui. Nunca gostei de olhar pra trás, embora algumas vezes seja preciso. Agora eu estou sendo obrigada a olhar, meio inevitável. Você diz que quer que tudo volte a ser como era antes. Entenda uma coisa: "Nada vai voltar a ser como era antes, absolutamente nada."  Até porque, quantas coisas não aconteceram nesses anos em que ficamos distantes. Me diz? Quantas pessoas você não ganhou, quantas você não perdeu. E eu? Por quantas dificuldades não passei? Quantas bofetadas já não levei? Tudo mudou, sem essa de " voltar a ser como era antes". Qualé vai. Eu sempre fiz de tudo por você. Sempre dei todas as chances possíveis. Quando todo mundo pensava em desistir de você, eu era a única sobrevivente, mantendo o nosso laço. O que eu ganhei? Eu coloquei meu coração em uma zona de perigo que você jamais colocou por mim. Sempre tão frio e calculista e seco e fechado e misterioso. Você foi a pessoa que mais judiou do meu coração. Isso não é drama, é a realidade. Eu nunca sofri tanto, nunca chorei tanto por alguém como eu chorei por você. Eu era tão ingenua, tão doce. Se eu me tornei aquela garota fechada, a culpa é sua. Se eu  me tornei fria, a culpa é sua. Se eu me tornei indiferente, a culpa é sua. A culpa é tooooda sua! Foi de tanto ser desprezada que aprendi a desprezar.  Foi de tanto correr atrás que aprendi a ter orgulho. Sabe hoje? Hoje eu tenho orgulho de ser orgulhosa. É com esse orgulho que eu aprendi a sofrer menos. Eu fico pensando, como uma pessoa pode acabar tanto com alguém como você acabou comigo naquela época. Eu odeio ter que olhar pra trás e lembrar do meu sofrimento. Sinceramente, eu odeio. Depois de anos, depois que não restou mais ninguém você procura por mim? Como assim? Quem sou eu agora? Quando eu realmente me importava com você e fazia de tudo pra te ver bem, o que você fez? Cadê aqueles que você dizia ser seus amigos? Eu procuro dar valor no que eu tenho, enquanto eu tenho. E você? O que você fez? Eu achava que tudo que acontecia era culpa minha, mas não era.  O meu erro sabe qual foi? Doar demais. Fazer de alguém o meu tudo, esse foi meu erro. Mas quer saber? Eu aprendi muito. Aprendi muito com você e com o sofrimento que me proporcionou. Você consegue imaginar a dor que me causou? Não. Você não consegue. Todos os dias eu implorava por você, eu passei mais de seis meses querendo que tudo voltasse a ser como era antes até que eu desisti. Vi que o nosso laço tinha desfeito, não restava mais nada a se fazer. Foi tão dificil viver sem você porque eu sempre precisei mais de você do que você de mim. E agora? Olha eu aqui escrevendo sobre anos atrás, sobre uma dor que eu nem sinto mais, mas que lembrando assim, é como se fosse ontem. Restaram cicatrizes. É mágoa, eu ainda tenho mágoas de você, só agora pude perceber. É como se todas as pessoas que te machucam passam a ter uma faixa na testa escrito: "Eu já te machuquei um dia."  Sinto muito em dizer, mas sabe o teu nome? Eu carimbei no passado. Não importa o quão presente você deseja ser agora, será sempre passado. Nada mais. E depois de anos, finalmente eu fui escrever sobre você...

Anna Carolina Morato.

3.2.12

Você vai ficar bem . . .


Eu daria tudo para não te ver assim. Ver teus olhos castanhos - escuros todo poluído de lágrimas me joga no fundo do poço. É como se eu não aceitasse  vê-la  chorar. É como se você fosse forte o bastante para aguentar as porradas da vida sem derramar uma só lágrima, mas eu sei, ninguém é. O seu choro é o mais triste que eu conheço e é um dos quais eu odeio presenciar. Odeio mesmo. Você pede para que eu não a olhe com pena, mas eu não estava sentindo pena de você, sentia pena de mim mesma por não saber o que dizer, por manter o meu silêncio no momento em que alguém mais precisa da minha palavra amiga. Te abracei e ao sentir aquelas lágrimas em meu ombro, meus olhos se encheram de lágrima também. Eu não podia chorar, não ali com você. Mas mesmo que eu quisesse, não choraria. Estou fria demais para conseguir derramar uma lágrima  embora todas as noites implore aos céus por uma lágrima, uma só. Você pediu para me tranquilizar porque mesmo com aqueles olhos em dilúvio, com as vistas toda embaçada, você conseguiu ver no meu olhar o  desespero de não saber o que fazer. Me abraça. O mundo desabou sobre sua cabeça. É como se uma chuva de granizo tivesse atingido-a em pleno verão. As pedras de gelo acertaram-na de uma maneira tão forte que seu corpo inteiro está todo pigmentado . Você pensa que  a vida não lhe serve pra nada em meio aos seus soluços desesperados de dor e mágoa. Você não disse, mas eu sei. Já estive em seu lugar. Eu sabia exatamente como se sentia. Quer meu coração? Eu queria te dar meu coração. Ele não está tão machucado quanto o seu, ele ainda bate firme, uma vez descompassado, mas firme. O seu já estava correndo o risco de parar de bater no minuto seguinte. "Você vai ficar bem, vai ficar bem" - pensava comigo. O que me admira é que mesmo em meio à escuridão, sua luz brilha. Brilha tanto que no fundo, eu sei que você vai ficar bem. Você é o tipo de mulher que cai, fica sentada um pouquinho no chão até achar um jeito confortável o bastante para conseguir se levantar. Daqui a pouco você levanta, conheço bem a peça. Quero o teu sorriso logo. Enquanto eu não ver o seu sorriso sincero novamente, eu sei, eu não vou sorrir com sinceridade também!
Anna Carolina Morato.

1.2.12

Uma dose de amor-próprio misturada com um foda-se você sociedade.


Hoje eu tô bem! Acordei até com vontade de escrever um livro. É a primeira vez que acordo com uma vontade assim mas ainda é cedo e deixa o livro pra depois, hoje eu quero falar sobre outra coisa. Aquele tal do amor - próprio que a mulherada vive perdendo por aí. Alô, chega mais que todo dia é de se amar.

Esse mundo que vivemos todo mundo julga todo mundo, todo mundo critica todo mundo, todo mundo odeia todo mundo e todo mundo se importa com todo mundo. Fala sério. Eu sempre fui rotulada como metida, patricinha, filhinha de papai, nojenta, falsa, mas depois que as pessoas passam a me conhecer, o rótulo vai meio que diminuindo. "Nossa, eu te achava metida. Te achava isso, te achava aquilo"  É, eu sei. É o que todo mundo acha. Eu já me importei muito com a minha primeira impressão, mas agora tô menos neurótica quanto a isso. Já fui muito insegura ao meu respeito e não me amei por muito tempo também. Agora que eu mudei, quero mudar todo mundo. Agora que eu aprendi a me amar, quero que todo mundo aprenda também. Agora que eu não me importo, quero que todo mundo não se importe também. Eu sei que meu querer foge da realidade, mas o que vale é a intenção. Pelo menos eu acho que ajudo muita gente com esses meus textos. Até eu me ajudo. Sempre tem aqueles dias que sua auto- estima está tão baixa que você não sente nem vontade de levantar da cama e fica parecendo zumbi o dia todo, não tem? Querem saber meu segredo pra aguentar as pontas? Eu entro aqui no jujuba e leio meus textos. Depois fico pensando: " Tá vendo sua troxa, é assim que você tem que fazer. Foi você mesma quem disse." O  dia se torna mais agradável. Precisamos procurar alguma injeção de animo anti-tetânica todos os dias para que  nos sintamos melhor porque minha filha, nessa vida o que mais tem é gente querendo nos matar enferrujadas.

Qual foi a última vez que você dançou uma música envolvente com o seu amor-próprio? Mulheres. Mulheres. Mulheres. Não deixem o seu amor na mão de outra pessoa. Eu entrei naquela fossa de dar gosto porque eu cai na armadilha de amar alguém mais que a mim, só isso. Engraçado é que meu lema é: "Primeiro eu, depois eles." Não soa irônico o que aconteceu comigo? Demais. Só que mulher é idiota com força e eu sou a chefona da idiotice. Tá chega. Acontece. Só que o amor-próprio é o único que eu tenho. Tomei de volta. É meu e ninguém tasca. Deixei respirar um pouco e olha o que aconteceu? Agora agarro com unhas e dentes. Continuo com meu lema e faço minhas amigas adotarem também. Colocar-se em primeiro lugar soa  um tanto egoísta pra vocês? Que seja! Sou egoísta mesmo. A parada é a seguinte: Quando você se ama e se aceita como é, tem uma vantagem a mais. Até os defeitos se tornam "amáveis". Faz parte do pacote.

Quando você se ama, não quer se contentar com migalhas. Não precisa implorar por elogios, se faz. As pessoas me taxam  de convencida, cheia de mim, mas vem cá, se eu não me achar uma filha da puta gostosa, quem vai achar? Aprende mulherada. Aprende. O que acontece é que as pessoas não sabem discernir amor-próprio, auto-estima elevada. Pra mim, gente que se ama não precisa se achar, já é. Entende? Gente que se acha são aquelas que não têm nem cu pra cagar ou que dorme em colchão de palha pra usar roupa da colcci. Isso sim, não tem nem onde cair morto e quer dar uma de gostoso ou gostosa. Ah! Me poupe.

Crianças, ter amor - próprio exige muito. É um ritual e mais que uma precisão, é uma necessidade. Você vai estar bem consigo mesma no dia em que alguém olhar pra você e dizer: " Noooooossa, como você tá linda" e você responder: " É, eu sei. Também acho." Isso não é "se achar" é ter amor-próprio. É provar que o elogio que vem de dentro é melhor que o de fora. Porque quem é dona do pedaço é você, entendeu? Se você não quer se mostrar tão cheia de si, responda em pensamento. Simples. Ninguém precisa saber, só você. A maioria das pessoas precisam de elogios e mimos pra se fortalecer, a tal da insegurança sabe? Só que ninguém mantém a auto-estima e amor-próprio de ninguém, isso inclui não esperar nada das pessoas. Eu tô falando da gente fazer as coisas pra nós mesmas, sem dar tanto lado para o que dizem ou o que pensam. Se você faz direito, falam. Se você faz malfeito, falam também. Então porque não fazer as coisas sua maneira? Sempre vai ter um idiota pra criticar mesmo! Tipo agora, certamente tem idiota lendo isso aqui e pensando: " Guria otária cara, ridícula.Se achando a Rainha da verdade, ui."

Não preciso me achar a Rainha da verdade não, até porque não sou. Tudo que transcrevo aqui é o que aprendi na marra, no suor do dia-a-dia com as bofetadas da vida no meio da cara e ainda assim, nem é tanta coisa, mas dá pro gasto. Depois que deixei de me importar com o que pensam ao meu respeito, eu mudei até o meu estilo de escrever. Parei de querer me expor com roupa de frio. Publicar um texto é mostrar quem você é em total nudez. Eu sempre quis ser misteriosa que deixa um suspense no ar do tipo: “Puts, o que ela quis dizer com isso?" Porém, poucas vezes consegui. Eu sou muito direta. Se eu não faço charme com o que eu quero, pra quê fazer charminho pra escrever? Aqui é direto e reto, sem mistérios. Pronto.  Eu quero mooooooooooorrer quando alguém diz: “Você não deveria publicar isso, é meio desnecessário." Rapaz, você não sabe do que tá falando e com quem tá falando. Vem sentir o que eu tô sentindo. Se vocês são bons o suficiente pra me criticar, sejam bons o suficiente pra experimentar ser eu. Vem cá, experimenta ser eu. Pega meus sentimentos e leva pra passear. Experimenta sentir o que eu sinto. Ah não quer? Não aguenta o tranco? Então vá a merda! Que gente pra me diminuir não me serve. Aproveita e  faz um favor pra humanidade: se olha no espelho. Quem tá sentindo sou eu, quem manda nessa porra aqui sou eu também. A vida que vive estampada na vitrine é  de quem mesmo? Então abaixa a bola vai. Um  foda-se você sociedade. ;) 

Anna Carolina Morato.