27.12.13

2013 em tópicos!

Minha rotina de estudos (surtos) em desenho, por Danilo Fernandes.
Eu fiquei muito tempo sem escrever sobre a minha vida e afins. Tenho um mundo de coisas pra contar, mas o excesso de informação não me deixa produzir um texto coerente. Sendo assim, as informações serão em tópicos aleatórios.

1-  Não estabeleci nenhuma meta para 2013. Estava cansada de terminar o ano com a sensação de: não fui o suficiente. Sendo assim, poupei minhas expectativas e fui vivendo dia após dia, mês após mês. As minhas metas e planos foram estabelecidas de acordo com minhas necessidades e dentro dos meus limites.  

2- Entrei na Universidade e voltei pra academia.  Todos sabem que minha pretensão era Jornalismo, mas entrei em Letras. No primeiro dia de aula eu me senti em casa e foi aí que descobri que estava no curso certo. Foi a amor à primeira aula (se é que isso existe, mas vocês entendem o que eu quero dizer). Sobre a academia: Corpo sedentário não ajuda na produção da mente, por isso voltei. Eu sabia que minha rotina de estudos seria puxada e exaustiva e eu tinha que aliviar a tensão e distrair a cabeça de alguma forma. E também, minha genética não favorece e a briga com a balança, meu bem, é  eterna!

3- Não sei lidar com a ideia de deitar na cama e não saber o que farei no outro dia. E, como eu sei que acordar tarde dá preguiça e sem contar que o dia não rende nem com reza, eu estabeleci o meu horário da academia de manhã. Então de manhã eu treinava e organizava a casa, a tarde eu ia pra biblioteca e estudava das 13h às 17:00h, voltava pra casa e fazia coisas alternativas nessas duas horas, até o horário da aula. Ia pra aula a noite, chegava em casa 10:30 e quando não ia ler algo, acabava indo dormir mesmo. Essa foi minha rotina do primeiro semestre, mas a do segundo, como consegui uma bolsa, de manhã ficava no Laboratório de Letras, ia para a academia às 11h e estudava a tarde na área do fundo com o tereré do lado.  

4- Ano passado eu saia na sexta, no sábado e brincando, no domingo. Dei um basta na vida social. Primeiro porque eu enjoei dessa vida, porque se for parar pra pensar, é sempre a mesma coisa e as mesmas pessoas. Segundo porque eu percebi que meu quarto e minha casa é o melhor lugar do mundo e além disso, sabia que não encontraria a pessoa certa uma festa open bar. Terceiro porque a Universidade consome. É muita leitura pra 24h e eu não entrei em uma federal pra ser uma aluna medíocre e sim, eu sou neurótica, surtada, bitolada e uma louca que só pensa em estudar, que seja. A questão é que pra ter qualidade nos meus estudos eu não posso gastar energia em festas todo final de semana. Quarto, não que eu não vá mais para festas (vou em algumas de reps), mas prefiro sair pra comer com os amigos ou fazer coisas simples, saudáveis e que não me fadigue tanto. Quinto, a rotina é tão puxada que tem finais de semana que eu penso: Eu deveria sair  ou fico em casa pra dormir?! É sério! A dúvida é cruel, mas o cansaço sempre vence.


5- Eu não tenho vida durante o semestre, literalmente. Ser universitário é como criar um filho. Tem de cuidar com todo o carinho e toda dedicação e não basta cuidar o dia inteiro, tem dias que ele dá tanto trabalho que você tem de passar noites e noites em claro e viver a base de café e energético. Ser mãe é difícil, ainda mais ser mãe de um filho cujo nome é conhecimento, que ainda bebê, tem de amamentar para crescer saudável. Sem contar que, tem de se alimentar bem também porque se você não come o que seu corpo precisa, você prejudica o crescimento do seu filho-conhecimento. Ah! E tem mais, tem de ser coelha e parir filhos-textos em tempo recorde. Vocês não imagina o quanto isso dói, mas depois que você pari, é tão gostoso. Ser universitário é viver nos extremos de prazer e sofrimento.

6-  Assumi a minha personalidade efusiva e foda-se. Antes eu tinha medo ser como sou com algumas pessoas e não me mostrava. Tinha meus pudores, receios, sei lá sabe? Então eu meio que me diminuía pra não assustar, mas agora, que se dane. Eu sou uma louca gente! O escândalo, o pampeiro e o desespero em pessoa. Na minha veia não corre sangue, corre surtos. Todos os adas estão concentrados em mim: desesperada, acelerada, afobada, surtada, bitolada, lesada... Segue a lista. Sabe, sou muito expansiva e o que sinto é intenso demais. Eu transbordo de sentimentos todos os dias e eu extravaso porque eles não cabem em mim, eu só tenho 1,54. Sou pequena demais pro meu coração. Não sei lidar, de verdade. Mas eu juro que tento me controlar,  tento ser mais calma,  tento ser desacelerada... mas aí meu Deus do céu, algumas vezes eu não dou conta! 

7- Percebi que estudar demais nos torna insensível e racional. Eu nem me apaixonei esse ano direito, vocês acreditam nisso? Logo eu! A garota que se apaixonava por um sorriso a cada esquina... Mas sabe, antes eu tinha o sentimento como prioridade e ao me deparar com as decepções, deixei de dar tanta preferência assim. O sentimento é importante, mas tem tantas outras coisas que também são. Passar a agir assim e pensar assim, me fez muito bem. Esse tempo que fiquei sem ninguém no coração me ajudou a perceber que eu estava presa em relacionamentos passados, no sentido de mágoas e traumas. Mas teve um dia que eu percebi não valia a pena continuar vivendo assim e que o que não deu certo no passado  não tinha que me acompanhar no presente. Eu tinha que curar meu coração e a cura dele foi o perdão. Assim, me libertei da prisão que eu mesma me coloquei e  essa libertação permitiu  amar e ser amada. Agora eu tenho alguém pra chamar de meu amor e nunca estive tão feliz, tão realizada, tão apaixonada e tão em paz com alguém como estou com ele. ♥

8- O ano 2013 foi  muito abençoado. Um ano em que senti a mão de Deus em muitos momentos da minha vida. Foi um ano em que me realizei tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Foi cansativo, mas foi extremamente produtivo. Ano em que eu mais sorri do que chorei. Ano em que tive mais momentos felizes pra contar do que tristes. Enfim, 2013 foi o meu ano. 

9- Sobre 2014: Sem metas, sem expectativas, sem planos. 

10- Subtópicos para informações curtas e rápidas.
10.1- Conheci pessoas maravilhosas na Universidade e que agora fazem parte do meu rol de amizades. 
10.2-Depois de três anos sem ficar doente ao ponto de ficar de cama, esse ano eu fiquei umas 3x e não foi legal. Percebi o quanto fui idiota ao cantar vantagem com a minha saúde de ferro. 
10.3- Extrai meus quatro dentes do siso bem no final do semestre porque não tenho estrutura pra parcelar sofrimento.  
10.4- Sou indisciplinada, pelejo pra fazer dieta e engordei 10kg dos 15kg que eu tinha perdido. 
10.5- Finalizei os dois semestres sem nenhuma pendência, uhul. 
10.6- Fiquei muito tempo sem escrever por motivos de: tempo. 
10.7- Acredito que metas são apenas metas se não houver uma mudança de postura. 
10.8- Acho que é só!  Um beijo e todo meu amor pra quem leu este texto até o final. 

MORATO, Anna Carolina. 

8.9.13

Você é um terremoto, Felipe.

 Lívia cansou de tentar falar sobre seus sentimentos para Felipe. Sendo assim, decidiu escrever. Pegou uma folha de papel e uma caneta, colocou a data e começou a carta com a seguinte frase:

“Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito.”

Li essa frase em um livro da Marian Keys e como foi bem na época que tudo aconteceu, fiz dela o meu mantra. Aos poucos eu superei meu vício de falar de você e de pensar também, mas claro que pensar demorou um pouco mais. Eu pensei em tantas coisas, mas até isso Felipe, eu superei. Eu fiquei muito triste porque eu gostava de você. Sei que errei muito e só agora consigo perceber o quanto fui imatura. Tudo o que fiz, achando que estava pensando em nós, quando na verdade eu só estava pensando em mim. O meu egoísmo roubou o teu espaço e te sufocou. Eu te vi escorregar pela minhas mãos e assim,  te perdi. Então eu te quis de volta, mas era tarde. Tentei concertar, mas era tarde. Falei, mas era tarde. Você não queria mais saber, você não queria mais ouvir. Eu era o barulho do teu silêncio. O teu silêncio foi um terremoto e em destroços, me transformei.  Você podia ter tido um pouco de consideração, não podia? Eu fiquei um bom tempo me culpando pelos nossos erros. Eu assumi toda a culpa e meus ombros ficaram tão pesados que eu deixei os TEUS erros na metade do caminho e passei a me sentir mais leve. Foi aí Felipe! Foi nesse momento em que eu comecei a TE superar. Comecei a lidar só com os meus erros e entrei em um processo de perdão de mim mesma. Então eu me perdoei, logo em seguida, entrei em um outro processo pra perdoar você. Você me viu feliz e voltou naquele verão, declarando saudade. Você atrapalhou tudo! Eu estava começando a superar, estava voltando a me sentir feliz e lá veio você, com essa história de saudade. Eu te aceitei como uma pessoa em que eu pudesse contar... Mas então você foi e me feriu novamente e aí Felipe, ah Felipe! Ai que eu tive que recomeçar. E lá foi eu, retirar os destroços que você deixou na minha vida, na minha mente, no meu coração. Você é um terremoto, Felipe. Olha só o que você fez! Precisei de mais um tempo, enfrentei um rigoroso inverno. Fazia frio, mas eu tinha de limpar a sujeira. Só que dessa vez, eu fui o silêncio do teu silêncio e  quanto aos entulhos que você deixou, eu preferi colocar fogo e você Felipe, virou cinzas.

Ela colocou o último ponto final e leu-a em voz alta, dobrou o papel e colocou em um envelope vermelho. Foi até a cozinha, pegou um fósforo, acendeu-o e deixou queimar até ver o último pedaço daquele envelope, em cinzas. 

MORATO, Anna Carolina.

13.8.13

Pássaros...


Algumas pessoas, eu ainda guardo no coração. E guardo-as no coração não pelo bem ou mal que me fizeram, simplesmente pelo que são. Algumas, mesmo que distantes ocupam um pedaço nobre, mas não mais do que as que estão  perto. Os caminhos mudam e é  sempre muito difícil ter de aceitar que nem todas as pessoas que conhecemos e consideramos fará parte da nossa caminhada. Apesar disso, estou feliz com os que escolhi caminhar e com os que me escolheram também.  Eu sinto falta de algumas pessoas quando penso que elas poderiam estar ao meu lado compartilhando da minha felicidade também, mas então eu lembro que cada um faz sua escolha e eu tenho de respeitá-los por isso. Eu parei de sofrer pelas partidas sem despedidas das pessoas no momento em que percebi que algumas são pássaros e outras, jaulas. Os pássaros exasperam com uma hipótese de enjaulamento. É por isso que prezo a liberdade. Se eu fujo de todas as jaulas, que razão teria um pássaro enjaular o outro? Deixo-os livres porque voar cansa e todo pássaro deve ter o seu lugar favorito para descansar. 

MORATO, Anna Carolina. 

4.8.13

Emoções traduzidas em imagens.

Acordar e ter essa paisagem é divino.

Princesa que me fez companhia ♥

Universitária e nas horas vagas, pescadora. hahaha
Raia voltou com um piercing na boca, fofa.

Costelão na fogueira! 
Por  do Sol . *-*

Eu, divando no barco! 
Até o livro de Rubem Alves foi se aventurar comigo!

 Preferi fazer uma postagem diferente até porque eu já escrevi muito sobre o meu amor pela natureza. Sendo assim, deixo que  fotos expressar as minhas emoções.

MORATO, Anna Carolina.


28.7.13

Eu escolhi mudar. Escolhi ser.


A minha vida sofreu uma modificação em todos os aspectos, mas eu ainda estou em um processo árduo de adaptação porque toda mudança tem sua bagunça e também suas perdas. Aos poucos, estou me organizando e não tenho pressa de colocar tudo no lugar até porque, tem certas coisas que possuem vida própria e se ajeitam sozinhas. Além do mais, te garanto que não fui eu quem se perdeu. Já me perdi tanto que me encontrei.  Estou em mim e só agora eu percebo que uma mudança de postura faz todo o sentido, ou quem sabe não seja a porta para a transformação?! Não me arrependo das minhas escolhas, me orgulho delas. Orgulho porque faço por mim. Eu fadiguei de trocar meu eu por outro eu. Por isso todas as minhas escolhas agora são embasadas no que irei sentir e de que maneira tal escolha acrescentará na minha vida. Eu sei que tudo isso soa um tanto egoísta e egocêntrica e admito que penso muito  nessas duas características que eu adicionei a minha personalidade, mas é por amor a quem sou.  É clichê, mas cada eu determina sua ação e nenhum outro eu pode agir no seu lugar seguindo a sua maneira pré-determinada.  

MORATO, Anna Carolina. 

22.7.13

O quase poema que virou música! ♥

Eu sempre reconheci a minha eterna dificuldade para escrever um poema ou poesia e por isso opto pela prosa. Porém, resolvi "tentar" escrever um poema, mas só consegui escrever uma estrofe de quatro versos. Frustrada por ter conseguido escrever só uma estrofe, arquivei-o nos textos não publicados. Um dia, em uma conversa com o Léo Lopes, um amigo músico e compositor, mandei a minha tentativa frustrada de poema  e eis que o verso de quatro estrofes, ganhou verso e melodia. A minha frustração transformou-se em felicidade no momento em que ouvi a canção. A arte chama a arte, e aqui está a prova: 



POR TE AMAR
(Léo Lopes/ Anna Morato)

Acho que meu coração explodiu em mim
E minha explosão só eu ouvi
Os destroços em que me transformei só eu sei
O que restou foram cinzas que pairam no ar
Por te amar, por te amar

Porque te amei
Me entreguei por inteiro a você
Fiz o que não deveria fazer
Eu me entreguei demais, mas não mais
Mas não mais
Porque te amei, 
Eu calei a voz da razão
Enquanto ela me dizia que não
Eu me entregava demais
Mas não mais
Mas não mais
Não mais

A estrofe de quatro versos, seria apenas uma estrofe se  não tivesse mostrado - o pra alguém. Léo, agradeço e parabenizo-o por seu  magnifico dom de transformar coisas pequenas em grandes. 
E aos leitores, futuramente terá outra música composta por nós. É como eu disse, a arte chama a arte. ♥

Anna Carolina Morato.

13.6.13

Desabafo.

Eu poupo. Essa é a questão, eu poupo as pessoas. Penso que por ser extremamente geniosa, eu devo poupa-las e, ao pensar dessa maneira, eu agrado. Faço o possível e impossível, quando possível. Entretanto, eu ainda não vi alguém se dar bem por agradar ninguém. O pior é que eu não agrado por mal, faço porque posso. Faço o que está no meu limite. Faço o que não comprometa o meu estado de espírito. Porém, em algumas circunstâncias, eu me contrario por fazer a vontade de alguém. Depois, me sinto péssima. Péssima por não ter me respeitado. Péssima por não ter imposto minha opinião. Péssima por ser péssima em falar não. É só assim que eu me sinto, péssima.  Engulo muito sapo na intenção de não desgastar as pessoas ou de não comprar "briga" por isso ou por aquilo e mimimi. São tantos desagrados, mas enquanto poupo as pessoas, eu me desgasto inteirinha. Ainda relevo, levo na esportiva, ignoro, mas chega  uma hora que acumula. Que fadiga. Que estressa. Eu sou uma explosão em pessoa, explodo o tempo inteiro (por dentro). Se você ainda não percebeu, estou no auge de uma  explosão por escrever este texto. A minha voz silencia, mas mesmo em silêncio, continua sendo ensurdecedora. 
Anna Carolina Morato.

9.6.13

Des-amor.

Sinto o cheiro do amor. Uma amiga me liga pra dizer que está namorando. A outra me manda no WhatsApp  que está a p a i x o n a d a. Um amigo me pede segredo, mas diz que está quase namorando também. O outro me diz que conheceu alguém e está encantado. A nuvem do amor  paira sobre a cabeça da maioria dos meus amigos, menos da minha. Esses dias parei pra perguntar pro meu coração se ele ainda estava vivo porque eu não consigo gostar de alguém. Eu tento, por um momento, mas passa. Eu tenho medo de tudo e tudo tem medo de mim. O meu problema é que eu não me sujeito mais a sentir algo por alguém que não sente nada. Eu sei o que é a dor de uma entrega não correspondida e depois de incontáveis falências emocionais, aprendi a não me entregar. De sentimentalista, pra racionalista. Quem me viu, quem me vê! Eu que gritei tanto pelo amor, sou só o des-amor.
Anna Carolina Morato.

6.6.13

Velhice não é desculpa!

Era pra ser um dia comum de estudo, porém, aconteceu um fato marcante. Estava sentada em uma das mesas da cantina, acompanhada de um copo de café e um tablete de chocolate, enquanto observava aqueles idosos pelo corredor. Próximo a minha mesa,  estava alguns funcionários da Universidade e ao ver os idosos, alunos  da UMI ( Universidade da melhor idade), uma funcionária comentou: “Já estão todos velhos, querem aprender o que ainda? Vixi, olha lá aquele velhinho.” Ao dizer isso,  gargalhou  junto com os outros funcionários. Olhei-a e ao observar o meu olhar, sorriu. Retribui seu sorriso com uma fisionomia simpática e voltei-me para o rumo pelo qual seu comentário me distraiu. Continuei observando-os, enquanto suas palavras ecoavam na minha mente. Velhos. Velhos. Velhos. Bendito sejam eles, que mesmo “velhos”, buscam o conhecimento.

Sei que não posso julgar se a intenção dessa funcionária foi de mau gosto ou não, mas na minha concepção, foi um comentário ingrato. Quem é que defini a velhice?  A velhice é só o estado de um corpo. Este corpo pode até estar velho, debilitado e fraco, mas a alma... Ah! Que alma! A alma daqueles idosos ainda é jovem. Eles poderiam estar em suas casas, curtindo a aposentadoria ou aproveitando os netos. Mas não, estão dentro de uma Universidade. Quanta ignorância daquela Senhora! Sim, Senhora. O comentário foi feito por uma pessoa de idade. Que pena. Quem disse que o aprendizado é definido por idade? Nunca é tarde demais para aprender algo novo. O que defini o aprendizado é a força de vontade que cada um carrega dentro de si.
Anna Carolina Morato.

30.5.13

Um dia de cada vez..

Semana passada, eu estava na fila do pão e ouvi a mulher que estava atrás de mim dizer pra alguém no celular: "Ah então menina! Eles deram um tempo, mas ele não me conta nada. Eu não entendo aqueles dois. É um vai e volta." Provavelmente referia-se ao filho e a sua suposta nora. O diálogo de uma desconhecida não mudaria nada na minha vida até então. Porém, recebi no outro dia uma sms assim: "Pedi um tempo pro Gustavo". Surpresa com o conteúdo da mensagem, respondi:"Como asssssim? Você me disse que estava tão feliz, porque isso agora?" e a resposta recebida foi: "Ah amiga, eu não sei. Não gosto dele como achei que gostava e preciso de um tempo pra saber o que eu realmente sinto."  Três dias depois era eu quem estava pedindo um tempo. Dessa forma, cheguei a conclusão que  talvez uma das coisas mais dolorosas da vida seja pedir pro tempo adiar aquilo que não estamos preparados pra resolver agora. Quando eu disse: "Eu preciso de um tempo pra assimilar tudo isso." Ele me respondeu: "É esse tempo que machuca." "Não existe mais nada que eu possa fazer", retruquei. Eu sei que fui dura nas palavras, mas o tempo cara, ele não machuca, ele cura. Nesse "meu" tempo, percebi que é melhor viver um dia de cada vez porque dói menos. Um dia de cada vez, para que as feridas cicatrizem, dia após dia. É assim que eu tenho lidado com a vida. O que machuca mesmo é parar pra ver esse tempo passar. Poupe-se! 

Anna Carolina Morato.