23.11.12

Desabafo.

Madrugada. Mais especificamente 3:28 da manhã. Rolei de um lado pro outro, tentando recuperar o sono, mas não funcionou. Peguei o notebook, olhei as redes sociais e devolvi pro criado-mudo, não era hora de internet. Eu precisava dormir. Eu ainda tinha mais um dia de trabalho.  Deitei, abracei meu travesseiro e fiquei pensando. Sentindo uma angustia enorme invadir meu peito. Preocupada. Aflita. Nervosa. Ansiosa. O que será que acontecerá daqui pra frente? Meu estômago começou a reagir novamente. Foi então que eu me lembrei que a minha última refeição  tinha sido às 2:39 da tarde. Sai do trabalho e consegui só voltar pra casa 10:00 horas da noite. Não lembrei de me alimentar nesse intervalo de tempo. Eu estava mais preocupada com o que estava - está acontecendo.  Tentei me alimentar assim que cheguei, preparei um cachorro - quente, mas a primeira mordida e meu estômago rejeitou. Se eu comesse uma salsicha a mais, eu vomitaria. Afastei o prato e debrucei sobre a mesa sentindo dor, cansada, com a respiração ofegante e com um arrependimento enorme. Arrependida por esquecer que sofro de refluxo e que eu preciso, obrigatoriamente, comer de três em três horas. Mas como se lembra de comer com um problemão desses? E o meu estômago não parava de queimar. Queimar. Queimar. Enquanto meu coração transbordava aflição. Deus meu, me socorre. Põe tuas mãos. Olhava o celular toda vez que eu lembrava que precisava descansar... 3:48 ... 04:04... 4:23... 4:56... 5:13... 5:20, o último horário que vi até conseguir adormecer novamente. Estou cheia de botões na cabeça. Eu não sabia que o buraco era tão em baixo. Não sabia mesmo. Eu não tinha noção do nível da situação e estou assustada com o ponto em que chegou. Sabe, uma coisa é você ouvir falar... Outra coisa é você vivenciar. Isso tem me consumido e agora, rouba minhas noites de sono. Não sei como ajudar e a questão é que... Não existe nada a ser feito. Entende? Nada. Não adianta falar, não adianta discutir, não adianta intimidar. Não adianta. Estamos perto do fim, as possibilidades estão se esgotando e a cada dia absurdos acontecem. Antes eu tinha a versão dos outros, agora eu tenho a minha versão, só que é tarde demais pra agir com indiferença ou ignorar os fatos, mas como se ignora teu próprio sangue? Sem condições. É só dor de cabeça e toda essa confusão levou uma parte do meu sossego. Agora eu entendo... É, entendo perfeitamente... É tudo muito triste, mas eu estou tentando me manter firme. Eu não posso desmoronar, afinal... qual o preço de algumas lágrimas?

Anna Carolina Morato.

Nenhum comentário: