27.12.13

2013 em tópicos!

Minha rotina de estudos (surtos) em desenho, por Danilo Fernandes.
Eu fiquei muito tempo sem escrever sobre a minha vida e afins. Tenho um mundo de coisas pra contar, mas o excesso de informação não me deixa produzir um texto coerente. Sendo assim, as informações serão em tópicos aleatórios.

1-  Não estabeleci nenhuma meta para 2013. Estava cansada de terminar o ano com a sensação de: não fui o suficiente. Sendo assim, poupei minhas expectativas e fui vivendo dia após dia, mês após mês. As minhas metas e planos foram estabelecidas de acordo com minhas necessidades e dentro dos meus limites.  

2- Entrei na Universidade e voltei pra academia.  Todos sabem que minha pretensão era Jornalismo, mas entrei em Letras. No primeiro dia de aula eu me senti em casa e foi aí que descobri que estava no curso certo. Foi a amor à primeira aula (se é que isso existe, mas vocês entendem o que eu quero dizer). Sobre a academia: Corpo sedentário não ajuda na produção da mente, por isso voltei. Eu sabia que minha rotina de estudos seria puxada e exaustiva e eu tinha que aliviar a tensão e distrair a cabeça de alguma forma. E também, minha genética não favorece e a briga com a balança, meu bem, é  eterna!

3- Não sei lidar com a ideia de deitar na cama e não saber o que farei no outro dia. E, como eu sei que acordar tarde dá preguiça e sem contar que o dia não rende nem com reza, eu estabeleci o meu horário da academia de manhã. Então de manhã eu treinava e organizava a casa, a tarde eu ia pra biblioteca e estudava das 13h às 17:00h, voltava pra casa e fazia coisas alternativas nessas duas horas, até o horário da aula. Ia pra aula a noite, chegava em casa 10:30 e quando não ia ler algo, acabava indo dormir mesmo. Essa foi minha rotina do primeiro semestre, mas a do segundo, como consegui uma bolsa, de manhã ficava no Laboratório de Letras, ia para a academia às 11h e estudava a tarde na área do fundo com o tereré do lado.  

4- Ano passado eu saia na sexta, no sábado e brincando, no domingo. Dei um basta na vida social. Primeiro porque eu enjoei dessa vida, porque se for parar pra pensar, é sempre a mesma coisa e as mesmas pessoas. Segundo porque eu percebi que meu quarto e minha casa é o melhor lugar do mundo e além disso, sabia que não encontraria a pessoa certa uma festa open bar. Terceiro porque a Universidade consome. É muita leitura pra 24h e eu não entrei em uma federal pra ser uma aluna medíocre e sim, eu sou neurótica, surtada, bitolada e uma louca que só pensa em estudar, que seja. A questão é que pra ter qualidade nos meus estudos eu não posso gastar energia em festas todo final de semana. Quarto, não que eu não vá mais para festas (vou em algumas de reps), mas prefiro sair pra comer com os amigos ou fazer coisas simples, saudáveis e que não me fadigue tanto. Quinto, a rotina é tão puxada que tem finais de semana que eu penso: Eu deveria sair  ou fico em casa pra dormir?! É sério! A dúvida é cruel, mas o cansaço sempre vence.


5- Eu não tenho vida durante o semestre, literalmente. Ser universitário é como criar um filho. Tem de cuidar com todo o carinho e toda dedicação e não basta cuidar o dia inteiro, tem dias que ele dá tanto trabalho que você tem de passar noites e noites em claro e viver a base de café e energético. Ser mãe é difícil, ainda mais ser mãe de um filho cujo nome é conhecimento, que ainda bebê, tem de amamentar para crescer saudável. Sem contar que, tem de se alimentar bem também porque se você não come o que seu corpo precisa, você prejudica o crescimento do seu filho-conhecimento. Ah! E tem mais, tem de ser coelha e parir filhos-textos em tempo recorde. Vocês não imagina o quanto isso dói, mas depois que você pari, é tão gostoso. Ser universitário é viver nos extremos de prazer e sofrimento.

6-  Assumi a minha personalidade efusiva e foda-se. Antes eu tinha medo ser como sou com algumas pessoas e não me mostrava. Tinha meus pudores, receios, sei lá sabe? Então eu meio que me diminuía pra não assustar, mas agora, que se dane. Eu sou uma louca gente! O escândalo, o pampeiro e o desespero em pessoa. Na minha veia não corre sangue, corre surtos. Todos os adas estão concentrados em mim: desesperada, acelerada, afobada, surtada, bitolada, lesada... Segue a lista. Sabe, sou muito expansiva e o que sinto é intenso demais. Eu transbordo de sentimentos todos os dias e eu extravaso porque eles não cabem em mim, eu só tenho 1,54. Sou pequena demais pro meu coração. Não sei lidar, de verdade. Mas eu juro que tento me controlar,  tento ser mais calma,  tento ser desacelerada... mas aí meu Deus do céu, algumas vezes eu não dou conta! 

7- Percebi que estudar demais nos torna insensível e racional. Eu nem me apaixonei esse ano direito, vocês acreditam nisso? Logo eu! A garota que se apaixonava por um sorriso a cada esquina... Mas sabe, antes eu tinha o sentimento como prioridade e ao me deparar com as decepções, deixei de dar tanta preferência assim. O sentimento é importante, mas tem tantas outras coisas que também são. Passar a agir assim e pensar assim, me fez muito bem. Esse tempo que fiquei sem ninguém no coração me ajudou a perceber que eu estava presa em relacionamentos passados, no sentido de mágoas e traumas. Mas teve um dia que eu percebi não valia a pena continuar vivendo assim e que o que não deu certo no passado  não tinha que me acompanhar no presente. Eu tinha que curar meu coração e a cura dele foi o perdão. Assim, me libertei da prisão que eu mesma me coloquei e  essa libertação permitiu  amar e ser amada. Agora eu tenho alguém pra chamar de meu amor e nunca estive tão feliz, tão realizada, tão apaixonada e tão em paz com alguém como estou com ele. ♥

8- O ano 2013 foi  muito abençoado. Um ano em que senti a mão de Deus em muitos momentos da minha vida. Foi um ano em que me realizei tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Foi cansativo, mas foi extremamente produtivo. Ano em que eu mais sorri do que chorei. Ano em que tive mais momentos felizes pra contar do que tristes. Enfim, 2013 foi o meu ano. 

9- Sobre 2014: Sem metas, sem expectativas, sem planos. 

10- Subtópicos para informações curtas e rápidas.
10.1- Conheci pessoas maravilhosas na Universidade e que agora fazem parte do meu rol de amizades. 
10.2-Depois de três anos sem ficar doente ao ponto de ficar de cama, esse ano eu fiquei umas 3x e não foi legal. Percebi o quanto fui idiota ao cantar vantagem com a minha saúde de ferro. 
10.3- Extrai meus quatro dentes do siso bem no final do semestre porque não tenho estrutura pra parcelar sofrimento.  
10.4- Sou indisciplinada, pelejo pra fazer dieta e engordei 10kg dos 15kg que eu tinha perdido. 
10.5- Finalizei os dois semestres sem nenhuma pendência, uhul. 
10.6- Fiquei muito tempo sem escrever por motivos de: tempo. 
10.7- Acredito que metas são apenas metas se não houver uma mudança de postura. 
10.8- Acho que é só!  Um beijo e todo meu amor pra quem leu este texto até o final. 

MORATO, Anna Carolina. 

8.9.13

Você é um terremoto, Felipe.

 Lívia cansou de tentar falar sobre seus sentimentos para Felipe. Sendo assim, decidiu escrever. Pegou uma folha de papel e uma caneta, colocou a data e começou a carta com a seguinte frase:

“Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito.”

Li essa frase em um livro da Marian Keys e como foi bem na época que tudo aconteceu, fiz dela o meu mantra. Aos poucos eu superei meu vício de falar de você e de pensar também, mas claro que pensar demorou um pouco mais. Eu pensei em tantas coisas, mas até isso Felipe, eu superei. Eu fiquei muito triste porque eu gostava de você. Sei que errei muito e só agora consigo perceber o quanto fui imatura. Tudo o que fiz, achando que estava pensando em nós, quando na verdade eu só estava pensando em mim. O meu egoísmo roubou o teu espaço e te sufocou. Eu te vi escorregar pela minhas mãos e assim,  te perdi. Então eu te quis de volta, mas era tarde. Tentei concertar, mas era tarde. Falei, mas era tarde. Você não queria mais saber, você não queria mais ouvir. Eu era o barulho do teu silêncio. O teu silêncio foi um terremoto e em destroços, me transformei.  Você podia ter tido um pouco de consideração, não podia? Eu fiquei um bom tempo me culpando pelos nossos erros. Eu assumi toda a culpa e meus ombros ficaram tão pesados que eu deixei os TEUS erros na metade do caminho e passei a me sentir mais leve. Foi aí Felipe! Foi nesse momento em que eu comecei a TE superar. Comecei a lidar só com os meus erros e entrei em um processo de perdão de mim mesma. Então eu me perdoei, logo em seguida, entrei em um outro processo pra perdoar você. Você me viu feliz e voltou naquele verão, declarando saudade. Você atrapalhou tudo! Eu estava começando a superar, estava voltando a me sentir feliz e lá veio você, com essa história de saudade. Eu te aceitei como uma pessoa em que eu pudesse contar... Mas então você foi e me feriu novamente e aí Felipe, ah Felipe! Ai que eu tive que recomeçar. E lá foi eu, retirar os destroços que você deixou na minha vida, na minha mente, no meu coração. Você é um terremoto, Felipe. Olha só o que você fez! Precisei de mais um tempo, enfrentei um rigoroso inverno. Fazia frio, mas eu tinha de limpar a sujeira. Só que dessa vez, eu fui o silêncio do teu silêncio e  quanto aos entulhos que você deixou, eu preferi colocar fogo e você Felipe, virou cinzas.

Ela colocou o último ponto final e leu-a em voz alta, dobrou o papel e colocou em um envelope vermelho. Foi até a cozinha, pegou um fósforo, acendeu-o e deixou queimar até ver o último pedaço daquele envelope, em cinzas. 

MORATO, Anna Carolina.

13.8.13

Pássaros...


Algumas pessoas, eu ainda guardo no coração. E guardo-as no coração não pelo bem ou mal que me fizeram, simplesmente pelo que são. Algumas, mesmo que distantes ocupam um pedaço nobre, mas não mais do que as que estão  perto. Os caminhos mudam e é  sempre muito difícil ter de aceitar que nem todas as pessoas que conhecemos e consideramos fará parte da nossa caminhada. Apesar disso, estou feliz com os que escolhi caminhar e com os que me escolheram também.  Eu sinto falta de algumas pessoas quando penso que elas poderiam estar ao meu lado compartilhando da minha felicidade também, mas então eu lembro que cada um faz sua escolha e eu tenho de respeitá-los por isso. Eu parei de sofrer pelas partidas sem despedidas das pessoas no momento em que percebi que algumas são pássaros e outras, jaulas. Os pássaros exasperam com uma hipótese de enjaulamento. É por isso que prezo a liberdade. Se eu fujo de todas as jaulas, que razão teria um pássaro enjaular o outro? Deixo-os livres porque voar cansa e todo pássaro deve ter o seu lugar favorito para descansar. 

MORATO, Anna Carolina. 

4.8.13

Emoções traduzidas em imagens.

Acordar e ter essa paisagem é divino.

Princesa que me fez companhia ♥

Universitária e nas horas vagas, pescadora. hahaha
Raia voltou com um piercing na boca, fofa.

Costelão na fogueira! 
Por  do Sol . *-*

Eu, divando no barco! 
Até o livro de Rubem Alves foi se aventurar comigo!

 Preferi fazer uma postagem diferente até porque eu já escrevi muito sobre o meu amor pela natureza. Sendo assim, deixo que  fotos expressar as minhas emoções.

MORATO, Anna Carolina.


28.7.13

Eu escolhi mudar. Escolhi ser.


A minha vida sofreu uma modificação em todos os aspectos, mas eu ainda estou em um processo árduo de adaptação porque toda mudança tem sua bagunça e também suas perdas. Aos poucos, estou me organizando e não tenho pressa de colocar tudo no lugar até porque, tem certas coisas que possuem vida própria e se ajeitam sozinhas. Além do mais, te garanto que não fui eu quem se perdeu. Já me perdi tanto que me encontrei.  Estou em mim e só agora eu percebo que uma mudança de postura faz todo o sentido, ou quem sabe não seja a porta para a transformação?! Não me arrependo das minhas escolhas, me orgulho delas. Orgulho porque faço por mim. Eu fadiguei de trocar meu eu por outro eu. Por isso todas as minhas escolhas agora são embasadas no que irei sentir e de que maneira tal escolha acrescentará na minha vida. Eu sei que tudo isso soa um tanto egoísta e egocêntrica e admito que penso muito  nessas duas características que eu adicionei a minha personalidade, mas é por amor a quem sou.  É clichê, mas cada eu determina sua ação e nenhum outro eu pode agir no seu lugar seguindo a sua maneira pré-determinada.  

MORATO, Anna Carolina. 

22.7.13

O quase poema que virou música! ♥

Eu sempre reconheci a minha eterna dificuldade para escrever um poema ou poesia e por isso opto pela prosa. Porém, resolvi "tentar" escrever um poema, mas só consegui escrever uma estrofe de quatro versos. Frustrada por ter conseguido escrever só uma estrofe, arquivei-o nos textos não publicados. Um dia, em uma conversa com o Léo Lopes, um amigo músico e compositor, mandei a minha tentativa frustrada de poema  e eis que o verso de quatro estrofes, ganhou verso e melodia. A minha frustração transformou-se em felicidade no momento em que ouvi a canção. A arte chama a arte, e aqui está a prova: 



POR TE AMAR
(Léo Lopes/ Anna Morato)

Acho que meu coração explodiu em mim
E minha explosão só eu ouvi
Os destroços em que me transformei só eu sei
O que restou foram cinzas que pairam no ar
Por te amar, por te amar

Porque te amei
Me entreguei por inteiro a você
Fiz o que não deveria fazer
Eu me entreguei demais, mas não mais
Mas não mais
Porque te amei, 
Eu calei a voz da razão
Enquanto ela me dizia que não
Eu me entregava demais
Mas não mais
Mas não mais
Não mais

A estrofe de quatro versos, seria apenas uma estrofe se  não tivesse mostrado - o pra alguém. Léo, agradeço e parabenizo-o por seu  magnifico dom de transformar coisas pequenas em grandes. 
E aos leitores, futuramente terá outra música composta por nós. É como eu disse, a arte chama a arte. ♥

Anna Carolina Morato.

13.6.13

Desabafo.

Eu poupo. Essa é a questão, eu poupo as pessoas. Penso que por ser extremamente geniosa, eu devo poupa-las e, ao pensar dessa maneira, eu agrado. Faço o possível e impossível, quando possível. Entretanto, eu ainda não vi alguém se dar bem por agradar ninguém. O pior é que eu não agrado por mal, faço porque posso. Faço o que está no meu limite. Faço o que não comprometa o meu estado de espírito. Porém, em algumas circunstâncias, eu me contrario por fazer a vontade de alguém. Depois, me sinto péssima. Péssima por não ter me respeitado. Péssima por não ter imposto minha opinião. Péssima por ser péssima em falar não. É só assim que eu me sinto, péssima.  Engulo muito sapo na intenção de não desgastar as pessoas ou de não comprar "briga" por isso ou por aquilo e mimimi. São tantos desagrados, mas enquanto poupo as pessoas, eu me desgasto inteirinha. Ainda relevo, levo na esportiva, ignoro, mas chega  uma hora que acumula. Que fadiga. Que estressa. Eu sou uma explosão em pessoa, explodo o tempo inteiro (por dentro). Se você ainda não percebeu, estou no auge de uma  explosão por escrever este texto. A minha voz silencia, mas mesmo em silêncio, continua sendo ensurdecedora. 
Anna Carolina Morato.

9.6.13

Des-amor.

Sinto o cheiro do amor. Uma amiga me liga pra dizer que está namorando. A outra me manda no WhatsApp  que está a p a i x o n a d a. Um amigo me pede segredo, mas diz que está quase namorando também. O outro me diz que conheceu alguém e está encantado. A nuvem do amor  paira sobre a cabeça da maioria dos meus amigos, menos da minha. Esses dias parei pra perguntar pro meu coração se ele ainda estava vivo porque eu não consigo gostar de alguém. Eu tento, por um momento, mas passa. Eu tenho medo de tudo e tudo tem medo de mim. O meu problema é que eu não me sujeito mais a sentir algo por alguém que não sente nada. Eu sei o que é a dor de uma entrega não correspondida e depois de incontáveis falências emocionais, aprendi a não me entregar. De sentimentalista, pra racionalista. Quem me viu, quem me vê! Eu que gritei tanto pelo amor, sou só o des-amor.
Anna Carolina Morato.

6.6.13

Velhice não é desculpa!

Era pra ser um dia comum de estudo, porém, aconteceu um fato marcante. Estava sentada em uma das mesas da cantina, acompanhada de um copo de café e um tablete de chocolate, enquanto observava aqueles idosos pelo corredor. Próximo a minha mesa,  estava alguns funcionários da Universidade e ao ver os idosos, alunos  da UMI ( Universidade da melhor idade), uma funcionária comentou: “Já estão todos velhos, querem aprender o que ainda? Vixi, olha lá aquele velhinho.” Ao dizer isso,  gargalhou  junto com os outros funcionários. Olhei-a e ao observar o meu olhar, sorriu. Retribui seu sorriso com uma fisionomia simpática e voltei-me para o rumo pelo qual seu comentário me distraiu. Continuei observando-os, enquanto suas palavras ecoavam na minha mente. Velhos. Velhos. Velhos. Bendito sejam eles, que mesmo “velhos”, buscam o conhecimento.

Sei que não posso julgar se a intenção dessa funcionária foi de mau gosto ou não, mas na minha concepção, foi um comentário ingrato. Quem é que defini a velhice?  A velhice é só o estado de um corpo. Este corpo pode até estar velho, debilitado e fraco, mas a alma... Ah! Que alma! A alma daqueles idosos ainda é jovem. Eles poderiam estar em suas casas, curtindo a aposentadoria ou aproveitando os netos. Mas não, estão dentro de uma Universidade. Quanta ignorância daquela Senhora! Sim, Senhora. O comentário foi feito por uma pessoa de idade. Que pena. Quem disse que o aprendizado é definido por idade? Nunca é tarde demais para aprender algo novo. O que defini o aprendizado é a força de vontade que cada um carrega dentro de si.
Anna Carolina Morato.

30.5.13

Um dia de cada vez..

Semana passada, eu estava na fila do pão e ouvi a mulher que estava atrás de mim dizer pra alguém no celular: "Ah então menina! Eles deram um tempo, mas ele não me conta nada. Eu não entendo aqueles dois. É um vai e volta." Provavelmente referia-se ao filho e a sua suposta nora. O diálogo de uma desconhecida não mudaria nada na minha vida até então. Porém, recebi no outro dia uma sms assim: "Pedi um tempo pro Gustavo". Surpresa com o conteúdo da mensagem, respondi:"Como asssssim? Você me disse que estava tão feliz, porque isso agora?" e a resposta recebida foi: "Ah amiga, eu não sei. Não gosto dele como achei que gostava e preciso de um tempo pra saber o que eu realmente sinto."  Três dias depois era eu quem estava pedindo um tempo. Dessa forma, cheguei a conclusão que  talvez uma das coisas mais dolorosas da vida seja pedir pro tempo adiar aquilo que não estamos preparados pra resolver agora. Quando eu disse: "Eu preciso de um tempo pra assimilar tudo isso." Ele me respondeu: "É esse tempo que machuca." "Não existe mais nada que eu possa fazer", retruquei. Eu sei que fui dura nas palavras, mas o tempo cara, ele não machuca, ele cura. Nesse "meu" tempo, percebi que é melhor viver um dia de cada vez porque dói menos. Um dia de cada vez, para que as feridas cicatrizem, dia após dia. É assim que eu tenho lidado com a vida. O que machuca mesmo é parar pra ver esse tempo passar. Poupe-se! 

Anna Carolina Morato.

26.5.13

Satisfação aos leitores.

Quando vi que minha última publicação foi feita em trinta e um de março de dois mil e treze, eu assustei. Juro! Acredito que nunca fiquei tanto tempo sem publicar um texto e sinto que devo desculpas a quem me lê. Devo desculpas porque vários leitores me perguntaram o que aconteceu ou cadê meus textos ou se eu abandonei o blog. É muita negligência da minha parte não dar uma satisfação, é por isso que venho aqui tentar explicar alguma coisa.  

Espero que entendam o meu silêncio. Quando nos sabemos o que escrever, é melhor não escrevermos nada. Embora eu não tenha publicado nenhum texto nesses dois meses, existem vários escritos (interminados) tanto no Word, quanto no papel. Porém, são textos muito pessoais e preferi não expô-los. Talvez eu esteja em uma crise existencial. Quem sabe? Antes eu tinha uma facilidade tremenda em escrever e publicar, independente do nível da entrega pessoal que este texto me proporcionava, mas agora estou selecionando minhas publicações.É como se eu não precisasse mais compartilhar meus sentimentos tão explicitamente assim. 

Sinceramente meus leitores, não sei de fato definir o que está acontecendo comigo. Pode ser que o meu estilo de escrita esteja em transformação ou talvez  eu só esteja insegura quanto aos meus textos. Quem sabe não seja um bloqueio mental? Enfim, eu não sei. Só quero dizer que estou respeitando a minha falta de sintonia com as palavras.  Espero a compreensão de vocês e peço desculpas pela ausência. Um beijo da Jujuba!

Anna Carolina Morato.

31.3.13

Sobre a simplicidade.



Escuta aqui seu moço, eu só sou uma moça do interior.  Nasci numa cidadezinha no leste de Mato Grosso do Sul, tal de Três Lagoas. Já ouviu falar?  As pessoas da cidade grande acha que aqui onde vivo é tudo mato, que animais selvagens vivem entre os habitantes e que nosso meio de locomoção são carroças, mas vou te dizer uma coisa: Cambada de ignorantes. Aqui é uma cidade como outra qualquer, com asfaltos e carros pelas ruas e o mais importante: Sem animais selvagens perambulando entre nós.  Só tem uma lagoa que tem crocodilos, capivaras e antas, mais... Mero detalhe. Nada demais.

Cresci aqui moço, e se lá na cidade grande me chamam de caipira, que seja. Tenho orgulho dessa minha essência. Eu sempre morei na cidade, mas nas horas de descanso, eu estava no rancho. Aiiiii moço do céu! Foi lá que aprendi a amar as coisas simples da vida. Esquecia-se a rotina estressante no caminho  e assim que chegava lá, eu descia descalça e abria a porteira. O carro seguia até o barraco (Sim, barraco. Barraco de madeira) e eu descia a pé só pra sentir a terra e ia até o rio para sentir a água.  Sensação de liberdade. Sensação de paz.  Era tudo tão bom. Era simples e humilde, mas era nosso. 

Aprendi a pescar com meu avô. Acordava ainda de madrugada, comia a farofa de ovo que só ele sabe fazer e ia rumo ao tablado. Passava o dia ali pescando e quando não era hora de peixe na isca, ia nadar. O meu negócio era o rio. Se não estava pescando, estava nadando. Eu vivia vermelha. Meu apelido no rancho era cerejinha só pra você ter uma ideia, moço. Não se espante comigo não, viu? Posso ter um rostinho bonitinho, andar arrumadinha e falar difícil, mas minha alma é xucra. Gosto do meu pé sujo de terra e não ligo de passar o dia com as minhas mãos cheirando peixe. Não tenho nojo das minhocas, muito menos de abrir o peixe e arrancar suas tripas. Moço bonito, te digo isso e te digo de coração, aqui não tem frescura não.

Amo a cidade e tudo que há de melhor que o espaço urbano possa me proporcionar, porém, o que eu ganho com tantos privilégios é stress. É desespero. É sufoco. Viver na cidade é isso. As pessoas vêm e vão, não param. Fico tontinha! Não temos tempo, e se caso tivermos, é só um bocadinho. Ai moço, cidade cansa. Fico exausta só de pensar. É por isso que eu amo a vida rural. Existem detalhes pequenos e maravilhosos que não reparamos  porque é muita informação para nossa cabeça. Como se vê o verdadeiro brilho do luar com tantos postes iluminando a cidade? E o brilho das estrelas? Às vezes até vemos, mas é uma beleza ofuscada por tanto exagero.  Cidade é boa, mais a natureza é ótima.  Gosto de respirar o ar puro e sentir o vento tocar minha alma. Gosto de dormir depois do almoço em uma rede, de ver o pôr-do-sol com meu tereré do lado e de ouvir uma boa moda de viola enquanto namoro às estrelas. Gosto de sossego sabe moço? Sossego. Às vezes penso que Deus criou a natureza porque sabia que quando a soberba da cidade adoecesse, a simplicidade do mato seria a cura. 

Anna Carolina Morato.

13.3.13

Sobre a vida.

Escrevo  sobre a luz do luar, namorando as estrelas porque estou desempregada o suficiente para fazer isso, ou de férias, como preferir. Sai do emprego. Presenteie-me com  este mês de descanso. Trabalhei um ano e dois meses sem férias. Meu corpo não só arregoou como chorou por dias de sombra e água fresca. Meu cérebro estava bloqueado. Eu realmente não tinha mais forças, estava ligada no automático.  Preciso dizer que agora estou bem. Descansando ao máximo e aproveitando minha vida de atoa. Senti falta de poder ficar em casa. Estou dando um tempo até a loucura começar.

Em Abril, começa a minha vida de universitária. Aprovada em Letras, na UFMS.  Várias pessoas me questionam e me criticam. “Porquê não faz Jornalismo logo?” “Af, o que você vai fazer em Letras?” “ Não tinha um curso melhor pra você escolher não?” “Não tá perdendo tempo  fazendo um Letras ao invés de Jornalismo?” “Vixi, vai ser professora.” Falam como se tivessem conhecimento de causa. Nem sabem dos meus planos, mas tem que palpitar.  Irrita-me a linha de pensamento de algumas pessoas e a mente fechada que carregam dentro de si, mas tudo bem. A questão é que cada um sabe o que faz da sua vida e as consequências de certas escolhas, são minhas. Não suas! Conhecimento nunca é demais. Enfim, uma nova fase da minha vida começará. Estou ansiosa e com medo também. Sofro por antecipação, fico pensando se irei dar conta ou não, mas eu sei que as respostas para essas perguntas estarão na minha dedicação e nos meus esforços. Estarei em uma área que eu amo. A língua portuguesa me fascina. O poder das palavras e a forma como se encaixam. Deus meu, é incrível.

Agora saindo da minha vida pessoal-profissional e entrando na zona amorosa, preciso dizer que pra uma guria que se apaixona 366 dias em um ano, até que estou tranquila, embora sinta falta de ter alguém. Ás vezes fico encantada, mas depois passa. Tudo é tão passageiro e me confundo tanto quando se trata de sentimento. Admito que tenho quedas, cascalheiras por alguns meninos, mas sou lerda  o bastante pra não conseguir ser louca o suficiente pra dizer algo ousado como: "Quero te beijar, seu lindo!" Vontade eu tenho, mas se me falta coragem o jeito é ficar na minha. Por mais que eu seja tão timida, estou feliz assim. Sozinha e com o coração desocupado também. Parece que a gente se ama mais quando não precisa dividir o amor porque doar o coração pra alguém, é esquecer de si mesma às vezes. Porém, por não ter ninguém... Estou lembrando muito de quem eu sou e além do mais, é ótimo dar um tempo na mente. Gostar de alguém dá muita dor de cabeça. Que que isso! Ainda bem que por eu ser tão sozinha, eu sei lidar com a minha solidão numa boa. Nossa! Que coisa mais triste de se escrever, mas é a realidade. 

 Queria ter conseguido fazer o gancho de um paragrafo no outro, mas não sei como terminar esse texto. Não queria que ficasse sem sentido, embora já esteja. Acredito que se eu for detalhar tudo, esse texto não terá fim. Porém, chega de blábláblá, porque eu não sei se eu escrevo ou se eu olho pro céu. As estrelas estão roubando minha atenção. O céu a noite é sempre tão lindo. Continuarei namorando as estrelas e o final desse texto que se exploda. Ninguém se importa, não é? Só escrevi mesmo pra dizer que sou uma atoa que está contente com a breve vida de universitária, vivendo uma vida amorosa mais parada que poça d'água, porém feliz. Não há dinheiro no mundo que compre a minha a paz de espirito. Nem ladrão que roube aquela sensação deliciosa de ter um pouquinho de sossego nessa vida. 

Anna Carolina Morato.

4.3.13

O quase fim do Jujuba de Melão.

Estava cansada desse lugar, das coisas que aqui já foram escritas e das lembranças que me trazem. Não conseguia mais escrever. Perdi a vontade de escrever. Abandonei o meu mundo, porque aqui é o meu mundo, não é? Não é aqui que eu posso realmente me expressar? Esse lugar é meu, porra. Pois é. Entrei em crise e cheguei a conclusão que o melhor seria excluir o blog, mas ter cinco anos de vida aqui pesou na hora, então criei outro blog e exportei o Jujuba de Melão inteirinho para lá. Assim, sempre que eu quisesse ler algum texto antigo, acessaria - o. Minha intenção era recomeçar o Jujuba de Melão, mas estava sendo injusta comigo e com meus leitores. Assim como eu tenho um amor e uma afeição enorme por esse blog, muitas pessoas também tem. Algumas até me chamam de Jujuba ou Juju ou Melãozinho. É uma delicia de ouvir! O Jujuba de Melão é um filho para mim e que mãe rejeita seu próprio filho? Importei o Jujuba de Melão. Estão todos os textos aqui novamente. Desde 28 de maio de 2009  até agora. Não posso simplesmente apagar o começo da minhas história e começar a escreve-lá do meio. Perderia o sentido, perderia a essência e mesmo que a maioria dos meus textos sejam tristes, eles me salvaram. Eu poderia ter cometido muita loucura, mas ao invés de cometer loucuras, eu só escrevi. Foi só isso que eu fiz e me salvei, porque é isso que eu faço não é? Escrever para me salvar da insanidade de ser alguém. Escrever para não me afundar no abismo que é ter um coração. Escrever pra libertar o meu pensamento da prisão. É só isso que eu faço. Eu só escrevo e não há nada demais nisso. Bem, era só isso que eu queria dizer hoje. Ainda não é o fim do Jujuba de Melão.
Anna Carolina Morato.

3.2.13

Covardes.


"Espero que você não se importe por eu ter bebido todas as tuas garrafas de Whisky. Espero que também entenda que não estou embriagada, mas eu preciso sentir o álcool correr pelo meu sangue para te escrever. Não me julgue, por favor. Você melhor do que ninguém sabe que eu não sou tão corajosa assim. O que eu quero dizer é que estou profundamente cansada dos meus berros. Eu não te entendo mais, mas não ouso mais perguntar o que aconteceu conosco porque eu enjoei do seu silêncio e da minha voz. Só isso. Não quero mais saber, amor. Não quero mais entender, querido. Meu sorriso é lágrima. Minha alegria é tristeza. Meu amor é solidão. Eu não vivo mais, Guto. Eu só morro. Cadê as suas promessas de amor eterno? Sou uma ridícula mesmo, acreditei em todas elas. O que é que eu tinha na cabeça pra acreditar que você cumpri-las-ia? Na cabeça, eu não sei, mas no coração, eu tinha amor. Eu tenho amor. Todo amor que agora me estilhaça por inteira de tamanha dor, eu doei à você e esqueci do meu eu. Não irei te culpar por isso nunca. Amar-te mais que a mim foi uma escolha minha, eu respondo pelas consequências. Caríssimas por sinal viu? Enfim, chega! Nosso relacionamento faleceu e eu estou de luto por nós, meu bem. Sua ausência me corrói tanto que eu já sinto uma parte do meu coração sendo corroída. Eu aceitei o seu estilo de vida e durante esses anos, foram difíceis, mas toleráveis. Porém, seus planos não são os mesmos que os meus. Estou pensando como é que faz para desfazer um noivado de dois anos. Eu te pediria ajuda se você não fosse um homem tão indisponível. Eu não sei viver sem atenção, querido. Eu preciso do brilho dos teus olhos e do calor do teu corpo. Não sentir você é tão amedrontador. Ter-te tão perto e tão longe. Não veja isso como um dos meus dramas, você bem sabe de que estou certa. No fundo, você sabe. Se nossas notas não fazem mais músicas, se nossa química passou a ser entendida, se nossos olhos não mais brilham... Não há porque continuar. Sinto muito, não existe mais nós. Minha aliança está sob o criado-mudo, faça com ela o que bem entender. Eu sou mesmo uma covarde, você também e covardes não sobem ao altar.
Com toda a dor do mundo, Clara."

Anna Carolina Morato.

18.1.13

Pessoas são como os alimentos.


Entendo. Entendo perfeitamente.  Não importa o quanto desejamos ficar na vida de alguém, às vezes precisamos ir embora. Dói ter que chegar a essa conclusão, mas dói mais ainda perceber que não somos tão  especiais como pensávamos. Porém, nem toda dor há de ser dor para todo o sempre. Uma hora  para de doer. Nossos corpos criam anticorpos para situações que antes nos deixava mergulhados em tristeza, não nos roubar mais nenhuma lágrima. A cada decepção que nos joga no chão, levantamos duas vezes mais fortes. Analisamos cada pessoa a nossa volta e quando percebemos que existem pessoas que realmente gosta de nós e que demonstra isso, deixamos de lado aquelas pessoas que só DIZ que gosta, que só DIZ que é amiga (o), que só DIZ que se importa, que só DIZ que sente saudade, que só DIZ. Só DIZ, mas não move um palha. 

Palavras... Palavras... Palavras. Palavras são essências para o funcionamento do nosso coração assim como as proteínas são essenciais para o funcionamento do nosso organismo, mas o que alimenta são as atitudes, assim como o que dá energia para o nosso corpo são os carboidratos. É a mesma coisa que um namorado que diz "Eu te amo", mas trai a namorada. É a mesma coisa que um amigo que diz "Confia em mim", mas conta a respeito da sua vida até para seus inimigos.  Palavras de amor e confiança na boca de quem não vale nada, não significa NADA. É mesma coisa que comidas frescas em pratos sujos. 

Talvez as pessoas sejam como os alimentos. Fonte de sobrevivência. Porém, todo alimento tem uma ou várias substâncias defeituosas. Defeituosas, mas ingerimos do mesmo jeito porque gostamos. É como ter gastrite nervosa e mesmo assim ingerir seis xícaras de café por dia. Ingerimos tantas porcarias, tanto como ingerimos pessoas-colesterol LDL. Mas chega uma hora que corpo e alma arregam. Não importa o quanto gostamos de um alimento. Não importa o quanto gostamos de uma pessoa, se  nos faz mal, precisamos nos afastar. Precisamos evitar! Afinal, precisamos zelar por nossa saúde. 

Anna Carolina Morato.


13.1.13

Amizade é um casamento.


Amizades são como um namoro. Cheguei a essa conclusão quando por imprudência minha, quase destruí o meu casamento. Sim. Casamento. É isso mesmo que você leu. Algumas amizades são tão duradouras que deixa de ser um namoro, torna-se um matrimônio, com aliança e papel passado, na minha imaginação. Se você parar pra analisar seus amigos também, verá que eu tenho razão. Amizade é um relacionamento como outro qualquer, mas não leve o sentido  de namoro e casamento que estou colocando no texto ao pé da letra, por favor. É uma mera comparação para melhor entendimento. 

Disse que quase destruí meu casamento de amizade, porém, ainda não deixei explicito onde eu quero chegar.  É o seguinte, estou casada a doze anos. Doze anos sendo amiga de uma mesma pessoa, deixou de ser namoro à muito tempo certo? Inteiramente fiel e leal à amizade. Fomos aprovadas em todas as provas que se tem para concluir se uma amizade é verdadeira ou não. Enfrentamos milhares de porres, juntas. Porém, chegamos em uma fase do casamento que caímos na rotina. Talvez não exista artificio mais desgastante em um relacionamento do que a rotina. E lá estávamos nós, em uma vida rotineira. Conversando nos mesmos horários, sobre os mesmos assuntos, falando sobre as mesmas paixões. Aquilo foi cansando, foi me  consumindo. Não só a mim, mas a minha amiga também. Eu me afastei e comecei a deixa - lá de lado. 

Eu guardava mágoas dela. Coisas que aconteceram a anos atrás e que eu achei que tinha perdoado e não perdoei. Palavras ditas. Atitudes tomadas. Tentamos conversar, mas  nada adiantou, eu  me afastei ainda mais. Tenho certeza de que ela também guardava mágoas, principalmente pela minha distância sem explicação. Mas tinha explicação, eu estava cansada. Infeliz e desgostosa com a amizade. A rosa que carregávamos a tantos anos estava murchando e morrendo por minha estupidez talvez? 

A nossa casa estava desestruturada. Só tinha um pilar sustentando e esse pilar, era ela. Segurando nós duas em seus ombros até que ficou pesado demais para suportar. Chegou um dia que no meio de uma conversa, ela me pediu tempo. Um tempo para nossa amizade. Sabe como eu me senti? Senti como quando meu ex-namorado me pediu um tempo. Foi horrível. Então foi nesse instante que eu cheguei a conclusão do que é uma amizade. Eu aceitei o tempo. Sabia que darmos tempo uma a outra era a melhor coisa a se fazer pelo nosso casamento. 

O que ninguém sabia é que no começo de 2012, eu tive uma visão de que algo iria acontecer com a nossa amizade. Eu não sabia o quê, mas sabia que não era nada bom. Nossa amizade estava fria, ao menos para mim. As coisas foram só piorando, piorando, piorando... Até que em uma conversa com Deus, Ele me pediu jejum de quinze dias. Eu não sabia a razão, mas eu fiz. No primeiro dia do jejum, foi o dia em que ela me pediu o tempo. Eu parei frente ao computador, fechei meus olhos, coloquei as mãos sobre eles e um mar de culpas caiu sobre mim. "O que é que eu fiz?" " O que é que eu estou fazendo com a nossa amizade?" Abri meus olhos e disse: " Deus, Tu sabes o que faz." 

Os dias passavam e eu não me perdoava. Os dias passavam e eu me sentia incompleta. Os dias passavam  e eu sonhei com ela quase todas as noites durante o jejum. Eu via nos sonhos a sua tristeza. Eu via nos sonhos a sua dor. Eu via nos sonhos  o seu sofrimento. Eu via nos sonhos a sua solidão. Os dias passavam e eu orava e sentia sua falta e clamava. Eu ajoelhava antes de dormir e imploooooooooorava a Deus, suplicaaaaaaaaaava  que fizesse alguma coisa por nossa amizade. Eu coloquei nosso casamento de amizade nas mãos Dele e confiei que Ele iria restaurar. E foram quinze dias de restauração. Um dia depois que o jejum acabou, eu sonhei com ela. E foi esse sonho que deu o fim ao tempo. Eu agradeci a Deus e no meio da minha oração, Ele soprou em meu coração: "Foi eu quem lhe dei esta amizade. Só eu posso arranca-lá." 

"Amigo é uma benção que vem do coração de Deus pra gente cuidar..."


Anna Carolina Morato.

12.1.13

Você ainda é a minha melhor lembrança feliz.


Perguntaram-me de você  e rapidamente você saiu das minhas lembranças e veio à tona. Eu ainda não te esqueci? Hesitei ao responder, mas comecei com um: "Ah, eu não sei ..."  Ele gostava muito de você, muito mesmo. " E como você sabe?" Eu sei. Eu vi a reação dele um dia quando foram falar mal de você para ele. Ele te defendeu com unhas e dentes. Nunca o vi tão furioso como vi naquele dia. "É? Eu não sabia disso." Pois fique sabendo, ele realmente gostava de você. "Pois é, mas sabe Deus o que ele fez com o sentimento." Depois desse rápido comentário a respeito de você, lembrei de tudo que nós vivemos... Só que com uma diferença: Eu sorri ao lembrar. Pensei tão alto que acabei falando: "Nunca fui tão feliz! Eu estava bem comigo, estava bem com ele. Eu realmente fui feliz e só agora eu reconheço isso. Eu fui feliz. Ele me fez feliz."  Eu fiquei com o pensamento em nós, enquanto andava pelas ruas. Você talvez não tenha me esquecido também. É tão fácil decifrar o teu olhar e eu sei que você me cuida como se eu ainda fosse sua, embora não seja mais. Você também conhece o meu olhar, embora eu não consiga olhar no fundo dos teus olhos como antes. Só que talvez não seja preciso  te encarar pra você saber que embora não vivamos mais juntos, fomos importantes um para o outro. Restou o carinho. Ficou a saudade. A gente podia ter vivido mais, aproveitado mais, só que não deu. Foi até melhor, quem sabe. Então... o que mais você poderia se tornar para mim do que uma lembrança? É eu não te esqueci. Eu nem sei se irei te esquecer um dia, mas eu te guardo comigo. Quando eu sentir saudade da gente, eu vou buscar você. Afinal, você ainda é a minha melhor lembrança feliz. 
Anna Carolina Morato

5.1.13

Você deixou a saudade.


Ele era a única pessoa que me conhecia melhor do que eu mesma. Ele sabia que eu estava emburrada só pelo jeito como eu respondia suas mensagens. Estudava minha inquietação pelo tom da minha voz.  Namorava o meu silêncio. Conhecia cada olhar, cada gesto, cada sorriso, cada tudo. Eu não precisava me diminuir pra ele não se assustar com o meu tamanho.  Eu não precisava fingir alegria, porque ele sabia que eu estava triste.  Eu não precisava de maquiagem, muito menos vestidos de grife. Ao lado dele, eu era só eu e as minhas olheiras e o meu mau - humor terrível. Ele era a única pessoa que eu não conseguia usar máscaras... eu me sentia eternamente à vontade. Ele sabia da minha loucura e ao invés de me internar em um hospício, se fez  camisa de força. Sabia que minha pose de durona é só pra esconder o  poço de sensibilidade ambulante que sou. Sabia que  da minha tempestade e se fez calmaria. Conhecia o meu passado, o meu presente, quase meu futuro. Conhecia meus medos. Roubava minhas tristezas,  me fazia esquecer o mundo, entende? Ele me ensinou a ver que os problemas não são tão complicados assim. Eu sou a complicada. Ele apontava os meus defeitos e  eu insistia em dizer que me chamar de complicada era um grave equivoco da parte dele. Ele era meu porto seguro... Se alguma coisa acontecia, era para os braços dele que eu corria, mas agora não corro mais. Ele foi embora e foi poucas às vezes que eu disse que o amava, queria ter dito mais.  Eu fiquei ali na praia, esperando ele voltar enquanto observava o mar despedir-se do sol. E as horas passaram, os dias passaram e ele não voltou. Desisto da ideia que ele voltará, mas ainda me pergunto: "Porque ele não levou a saudade?"

Anna Carolina Morato.