5.5.12

Desabafo.


É que tem fases na minha vida que eu tenho a sensação de que perdi o jeito de escrever. Eu faço um texto, narro uma história, crio um personagem, faço diálogos, começo um poema, componho uma música, mas sem finalidade. Todos cheios de virgulas, mas sem  pontos finais. Só que às eu tenho a sensação de que algumas coisas não são ditas, quem dirá escritas. Aí tá eu com meu silêncio. E eu tenho sentido muito, tudo. Sentido e guardado. Quantas vezes tentei escrever e vacilei. A caixa de rascunhos do hotmail está mais cheia que a caixa de saída. A página de rascunhos do blog está mais cheia que a página de publicações. Escrevo todos os dias, mas não escrevo nada. Nada que me agrade e nada que me alivie. Já falei, algumas coisas são inexplicavéis, indescritíveis. A gente sente e sente quietinho enquanto toma uma xícara de cappuccino pra aquecer do quase frio que faz no outono.

A minha vida está completamente desordenada. Se eu disser que tenho tempo pra entender  todas as emoções que tem me visitado, é mentira. Eu não tenho. O tempo que eu tinha não é mais o tempo que eu tenho e o meu corpo anda tão cansado. E se tudo é questão de costume, ainda não acostumei com uma vida que era água e que agora se transformou em vinho, da noite pro dia e tudo assim, rápido demais. Eu tenho acelerado meus passos pra acompanhar as mudanças tanto interiormente quanto exteriormente. Falar pra você, não é fácil. Às vezes me dá uma vontade tão grande de voltar pro útero da mamãe. Às vezes me bate um medo tão absurdo.  Dúvidas, tantas dúvidas. Indagações. Exigências. Responsabilidades. Meus ombros estão cada vez maiores, maiores pra ter que aguentar tanta coisa.

Eu me olho no espelho e não vejo mais uma menininha. Eu me olho no espelho e vem um curta na minha mente. Eu lembro de todos os rostos que passaram pela minha vida e me proporcionaram momentos de felicidade e fico contente. Só que depois, esse curta muda o percurso e começo a lembrar todos os  rostos que me proporcionaram momentos de tristeza e fico triste. Meus olhos querem chorar, mas eu me contenho. O que eu sou hoje  é resultado da dor de outras estações e muitos ainda alegam que eu mudei pra pior. É! Mudei pra pior porque deixei de ser troxa? É isso mesmo que entendi? Fácil mesmo é julgar as pessoas e suas mudanças repentinas. Julgam, mas esquecem  que ninguém muda  porque acha bonito a ideia de mudar.

O que eu vou escrever agora invadirá um estado intenso de melancolia e drama, mas é isso: Estou morrendo! Como a tantos já morri e ainda continuo  a morrer. As folhas não morrem no outono? Eu também estou morrendo. Estou de luto e visto preto pra velar a minha morte e velo sozinha porque só eu consigo sentir a dor e chorar a perda da velha Anna.  Eu me prendi a mim e cá estou eu comigo. Tranquei as portas. Ninguém entra! Só sai. E que se for pra sair, que vá com Deus. Vai e não volta não! Eu cansei de implorar por amizades e de aguentar as pontas sozinha e de ser SÓ eu a amiga. Eu cansei de implorar por presenças que só sabem ser ausências. Metade de mim é falta. Outra metade é saudade. E eu sinto falta e sinto saudade de taaaaaaanta gente, mas metade dessa gente não vale mais a pena, a outra metade não vale nada. O que me resta de valor dessas pessoas, são só as lembranças. Boas, ruins. Enfim, lembranças.

Tudo vai ficando pra trás. Tornando - se passado. E bom, eu estou me renovando e dando espaço a uma nova Anna e modificando meus pensamentos e curando meu coração. Uma nova vida começará e para poder aceita-lá, eu preciso antes me desintoxicar e isso é o que eu mais tenho feito. Organizando a minha casa, porque se vocês não perceberam, tá uma baderna. Mas a gente vai se encaixando, não é? A gente sempre se encaixa e se ajeita. Só precisamos de tempo. Estou no meu tempo e respeito isso. Foi de tanto sofrer por ser mal educada  com os sentimentos que aprendi a respeita-lós. Se tem uma batalha já perdida é a que travamos com o que sentimos. Não dá pra negar. Não tem jeito. Não tem discussão, entendeu? A gente sente e fim de papo!
Anna Carolina Morato.

Um comentário:

Brunno Lopez disse...

Visitar emoções é o tipo de viagem que nem sempre permite uma exploração muito aprofundada.

As coisas caem do céu, surgem do nada, acontecem. Esse é o fluxo do inesperado, o mundo onde as surpresas gostam de viver para aparecer de vez em quando.

Então, viva. Não necessariamente as entenda. As vezes precisamos apenas respirar, sem se preocupar em inspirar e expirar, é o automático que se liga e simplifica as coisas.

Se deixe ir por onde não foi.
E se as batalhas foram perdidas, a guerra está aí para oferecer a revanche mais deliciosa que possa existir.