6.1.12

Autenticidade.


Eu escrevo sobre qualquer coisa. Desde a colher suja de açúcar que todo mundo usa no consultório pra adoçar o chá ou o café enquanto espera para ser atendido, até a dor de um parto. Sofrer por amor só não é pior que a dor de um parto, mas por enquanto pra mim é porque nunca pari na vida, ainda.

Como iriam existir as músicas e os sonetos se ninguém transformasse os sentimentos em versos? Se não existisse a escrita, não existiria a literatura, muito menos os clássicos. Deus me deu o dom de transformar meus sentimentos em palavras porque eu tenho uns lábios meio falhos. Eu escrevo mesmo. Publico minha vida pro mundo inteiro. Eu escrevo sobre minha dor, sobre meu amor, sobre minha raiva, sobre minha loucura.  Ofendo meus leitores cult’s com meus palavrões em excesso, mas sabe, é meio desabafo. Preciso xingar. Melhor que murrar a parede e esfolar todos os dedos. A minha vida não é nada interessante, mas pra quem lê quem sabe. Só digo: É uma vida normalzinha, meio agitada, um pouco bagunçada.

Eu sou bem corajosa em falar sobre as coisas que acontecem comigo tão abertamente, mas talvez o fato de ser assim seja a consequência da minha autenticidade. Eu não ligo. Eu escrevo sobre o que eu quero e sobre quem que quero. Danem-se vocês! Eu abro a porta da minha casa, da minha vida, dos meus sentimentos, dos meus devaneios. Talvez seja por isso que algumas pessoas fogem. Eu causo espanto, coitadas. Queria ser aquelas mulheres fodas. Misteriosas, sabe? Que você nunca sabe se está escondendo algo ou não. Eu queria, mas eu não nasci com esse talento. Se a pessoa me dá mais um pouquinho de atenção, acredite, torna-se minha amiga pra sempre. Nem que esse pra sempre dure exatamente cinco minutos ou só o uma noite na balada.

Não gosto muito de ler e também nunca fui boa em gramática, quem dirá idolatrar o português. Eu sei que a minha literatura é de quinta categoria, que minhas palavras são meio vagabundas, mas eu chego lá. Um dia eu chego lá. Um dia eu escrevo um livro e ainda coloco o seu nome na página de agradecimentos. Um dia eu serei o orgulho da mamãe, do papai e do meus peixinhos de estimação. Acredite você, se quiser!

Anna Carolina Morato.

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