18.1.12

Vou ser feliz, um beijo. Tchau!


Bah! Eu cai em uma deprê de dar gosto, mas isso faz parte do pacote. Vocês sabem o que estou querendo dizer. Eu aceitaria continuar debruçada na mesa com esses sentimentos retardados, burros e desolados, mas além dos conselhos da minha psicóloga, tem algo em mim que é maior. Grita tanto que me deixa surda. Que foi que deu em você menina? Ah, o amor moço. Sabe como é. Como é? Ele te faz sofrer quando não é certo. E daí? E daí moço, você me pergunta e daí? É! Aquele amor platônico que você tinha pelo seu ex-melhor amigo, cadê? Emprestou pra vizinha mal amada? Doou em uma instituição de caridade? Fez um leilão?  Cadê? Não sei, faz tempo. Bingo garota! O tempo. Você disse tudo. Ah não moço, lá vem você com essa história de tempo mais uma vez. Não sou eu pequena, larga de ser tão tola.

Eu e minha tolice de acreditar que nada ia passar. Que absurdo. Olha só, já está passando. Passa todos os dias. Não era eu quem queria viver uma aventura amorosa louca e desorientada? Nem sempre se tem aquilo que deseja, mas eu tive. Vivi, aproveitei e pronto, acabou. Chegou de repente, partiu de repente. Ótimo. Deixou apenas estragos, mas tudo que fica estragado na nossa vida, a gente forma. Re-forma, trans-forma. Meu problema é que sou exagerada demais. Dramatizo tudo. Quero chamar o bombeiro pra apagar a chama de um isqueiro, quero ir ao hospital dar ponto em um corte menor que 1 cm, quero cozinhar dois ovos dentro de uma panela de pressão. Exagerada. Intensiva. Menos garota, menos drama. Não dá pra ser intensa com quem não é digno de intensidade. Deixa de ser idiota menina, não coloca sentimento onde não tem. Não vale a pena.  Desculpa, mas o verão chegou. Vai fazer o quê? Choraminga não menina. Vai ter outros meninos e outros beijos e outros abraços e outros afagos, outros amassos.  

A vírgula de tanto ser vírgula, se cansou e preferiu virar um ponto final. Acorda menina! Achou que ia morrer é? Morreu não! Vaso que é ruim, não quebra.  Arranha mas não quebra, fica esperta. Pelo menos em alguma coisa, eu tenho vantagem. Quase morrer de amor, quase morrer por amor. Larga dessa mesa, para de querer esconder esses teus olhos de jabuticaba. Fala sério, deixa a mesa. Deixei a mesa e os lamentos. Levantei mais mulher, mais madura, mais gostosa, mais eu. Quem quiser vir comigo, que venha. Vou ser feliz, um beijo. Tchau!
Anna Carolina Morato.

2 comentários:

Brunno Lopez disse...

Por essas e outras que eu digo que o otimismo pode salvar o mundo de todas as doenças.

Quando decidimos nos levar a sério e dar apenas importância à nossa existência, os problemas deixam de acampar em nosso quintal.

Agora é só transformar a vírgula que virou ponto final em ponto de exclamação!

Prazer, Pam disse...

Que texto lindo, menina flor..

Vou entrar nesse bonde de [ Vou ser feliz, um beijo. E tchau!] risos'

Bjs