25.1.12

Turn off



Fecha à boca, eu quero silêncio. Um minuto de silêncio, por favor. Isso não é um pedido, é uma suplica. O único barulho que eu quero ouvir é o da mudança. Mudanças causam um estrago enorme e um desgaste físico-mental também, mas depois que acostumamos tudo se torna fichinha.  Assustou com a mudança pequena? Assusta não. Daqui a pouco aparece uma bem pior que essa, tu vai ver. Eu ainda tô digerindo – a até porque eu tenho o metabolismo lento e meu estômago sofre de refluxo gastroesofágico.  Sabe como eu me sinto? E S T R A N H A. Extremamente E S T R A N H A. É soletrado em CAPS que é pra dar ÊNFASE no adjetivo.  Estou  observando o mundo de uma maneira diferente, mais inteligente e as pessoas de uma maneira mais delicada, mais cuidadosa.

Eu tenho estado um tanto impaciente e mal-humorada. Minha família, meus amigos, minhas peixinhas de estimação não tem nada a ver com isso. O problema sou eu! Estou passando por um processo de reconstrução.  Se a vida é como uma montanha-russa, como é que a gente pode chegar lá em cima sem ter passado por baixo primeiro? Eu ainda estou no carrinho da montanha estacionada só esperando o moço do brinquedo dar a partida para eu subir novamente...

Resolvi praticar o desapego. Estou me desvencilhando de coisas que desgastam a minha essência. Preciso de um tempo e se caso eu desaparecer, por favor, não me leve a mal. Não é que eu não esteja bem, eu só preciso respirar. Sabe quando seu corpo anseia por coisas novas? É isso! É exatamente isso. Estou começando a sacudir a poeira. O tempo que eu escolhi dar pra mim mesma é pra limpar a sujeira que ficou, é pra me entender comigo mesma. Estou me transformando mais uma vez. Olha que maravilha. Você percebe que  está começando a desapegar quando você não olha mais as redes sociais.  Então é ai que você percebe que o jogo está começando a virar porque é nesse exato momento que suas preocupações são outras e tudo vai caminhando para o passado.

As mudanças bateram em minha porta e antes mesmo de dizer: " Pode entrar!" As danadas já se apossaram da minha vida, da minha rotina, da minha história, dos meus textos, do meu corpo, da minha alma. Eaí mudança, pedir licença ás vezes é bom. Você pede licença pra vida quando quer fazer algo? Então a vida não vai pedir licença pra você. Aprende guria! Eu poderia ter ficado quieta né? Mas eu sou assim mesmo, gosto de levar bofetada. 

Deixa eu mudar de assunto que a coisa pegou pro meu lado... Sabe o sol? O bom mesmo é ter o sol todos os dias, até mesmo nos dias nublados. Ele pode ficar preguiçoso, não querer dar um oi pra sociedade, mas você sabe que ele está ali, escondidinho. Nem o sol que é o sol irradia todos os dias, porque a gente tem que irradiar? Não se sinta obrigada. Eu sinceramente cansei! Tá na hora de crescer e se não for crescer por boa vontade, que seja na marra criançada. Não importa se eu tenho dezessete anos com mentalidade de uma mulher de vinte e sete, eu ainda me refiro como uma criança. Pra mim não tem essa, eu sou uma criança sim e não me sinto nenhum pouco ofendida. Criança, pirralha, pivetinha, piazinha, guriazinha ou qualquer outro apelido infantil. Se duvidar, no mundo de hoje uma criança sabe lidar melhor em uma situação do que um adulto, já parou pra pensar?! 

Eu nem sei mais o que escrever porque quando eu comecei esse texto eu tinha inúmeras ideias e uma coisa e tal que eu pensei: Esse texto vai ficar muito foda! mas sempre acaba ficando uma merda como os outros porque eu me perco. Eu vivo me perdendo mas talvez eu precise me perder todas as noites pra me encontrar todas as manhãs. Talvez eu tenha que me perder no verão pra me encontrar no inverno. Eu vou me desligar do mundo não porque eu quero mas porque é necessário. Estou pensando seriamente em  me desligar das minhas palavras mediócres e dessas coisas tolas que eu vivo escrevendo, desse meu sentimentalismo frenético.  Ás vezes precisamos apertar o turn off pra conseguir voltar a viver. Agora chega, eu já escrevi o que tinha pra escrever. Já fiz drama no que tinha pra fazer. Já birrei no que tinha que birrar. Já exagerei no que tinha que exagerar.  Um beijo, obrigada por me aguentarem e até a próxima jujubas. 
Anna Carolina Morato.

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