7.2.12

Sobre o passado.


Quantos anos já se passaram? Três? Quatro? Cinco? Vai saber! Na verdade isso nem faz mais diferença na minha vida. Eu não sou a melhor pessoa pra se referir ao passado. Nunca fui. Nunca gostei de olhar pra trás, embora algumas vezes seja preciso. Agora eu estou sendo obrigada a olhar, meio inevitável. Você diz que quer que tudo volte a ser como era antes. Entenda uma coisa: "Nada vai voltar a ser como era antes, absolutamente nada."  Até porque, quantas coisas não aconteceram nesses anos em que ficamos distantes. Me diz? Quantas pessoas você não ganhou, quantas você não perdeu. E eu? Por quantas dificuldades não passei? Quantas bofetadas já não levei? Tudo mudou, sem essa de " voltar a ser como era antes". Qualé vai. Eu sempre fiz de tudo por você. Sempre dei todas as chances possíveis. Quando todo mundo pensava em desistir de você, eu era a única sobrevivente, mantendo o nosso laço. O que eu ganhei? Eu coloquei meu coração em uma zona de perigo que você jamais colocou por mim. Sempre tão frio e calculista e seco e fechado e misterioso. Você foi a pessoa que mais judiou do meu coração. Isso não é drama, é a realidade. Eu nunca sofri tanto, nunca chorei tanto por alguém como eu chorei por você. Eu era tão ingenua, tão doce. Se eu me tornei aquela garota fechada, a culpa é sua. Se eu  me tornei fria, a culpa é sua. Se eu me tornei indiferente, a culpa é sua. A culpa é tooooda sua! Foi de tanto ser desprezada que aprendi a desprezar.  Foi de tanto correr atrás que aprendi a ter orgulho. Sabe hoje? Hoje eu tenho orgulho de ser orgulhosa. É com esse orgulho que eu aprendi a sofrer menos. Eu fico pensando, como uma pessoa pode acabar tanto com alguém como você acabou comigo naquela época. Eu odeio ter que olhar pra trás e lembrar do meu sofrimento. Sinceramente, eu odeio. Depois de anos, depois que não restou mais ninguém você procura por mim? Como assim? Quem sou eu agora? Quando eu realmente me importava com você e fazia de tudo pra te ver bem, o que você fez? Cadê aqueles que você dizia ser seus amigos? Eu procuro dar valor no que eu tenho, enquanto eu tenho. E você? O que você fez? Eu achava que tudo que acontecia era culpa minha, mas não era.  O meu erro sabe qual foi? Doar demais. Fazer de alguém o meu tudo, esse foi meu erro. Mas quer saber? Eu aprendi muito. Aprendi muito com você e com o sofrimento que me proporcionou. Você consegue imaginar a dor que me causou? Não. Você não consegue. Todos os dias eu implorava por você, eu passei mais de seis meses querendo que tudo voltasse a ser como era antes até que eu desisti. Vi que o nosso laço tinha desfeito, não restava mais nada a se fazer. Foi tão dificil viver sem você porque eu sempre precisei mais de você do que você de mim. E agora? Olha eu aqui escrevendo sobre anos atrás, sobre uma dor que eu nem sinto mais, mas que lembrando assim, é como se fosse ontem. Restaram cicatrizes. É mágoa, eu ainda tenho mágoas de você, só agora pude perceber. É como se todas as pessoas que te machucam passam a ter uma faixa na testa escrito: "Eu já te machuquei um dia."  Sinto muito em dizer, mas sabe o teu nome? Eu carimbei no passado. Não importa o quão presente você deseja ser agora, será sempre passado. Nada mais. E depois de anos, finalmente eu fui escrever sobre você...

Anna Carolina Morato.

3 comentários:

larissa disse...

Será que é sobre quem eu estou pensando? Ou eu não cheguei a conhecer essa história. Fiz um texto esses dias falando de passado. Malditos que vêm nos atrapalhar quando o presente é tão perfeito. A gente sabe que foi doloroso, não vale a pena reviver tudo de novo, mas eles vêm como assombração. Acho que depois que a gente escreve sobre, a gente se liberta. Foi como fiz com o Let it Be. Me libertei de um passado que não faz mais parte de mim.
Eu espero que esteja bem. Que tenha se lembrado do passado só dessa vez. Você merece viver. Sempre.

Eu sinto sua falta. rs
Beijos, miguete.

Brunno Lopez disse...

Tem alguma coisa que ainda pulsa em sua mão. Demorou pra escrever sobre o assunto, mas ainda o faz, ainda existe combustível aí dentro. Talvez ele pareça adulterado, de procedência duvidosa, mas consegue fazer o motor da suas lembranças funcionar.
Você pode ignorar o fato e apontar uma arma para o passado mas não se pode enterrar o que se viveu, apenas encontrar um lugar onde tudo fique acomodado.

Belas palavras.

Corrinha Rodrigues disse...

Contou a minha história! o_O

Nossa! Parabéns. ;)