14.2.12

O garoto corajoso.

Minutos antes de dormir, tive um pensamento inusitado: " Eu sempre escrevo pra alguém, mas como deve ser alguém escrevendo pra mim?" Fiquei mais de meia hora pensando. Minhas palavras são mais que tapas na cara, socos na boca do estômago. São mortíferas. Se contem uma certa quantidade de estricnina eu nem falo nada. Se alguém um dia escrevesse para mim com o mesmo peso que eu escrevo, eu não sei se aguentaria. Certamente horas depois de ler eu estaria em um hospital cercada de enfermeiros estancando o sangue do meu pulso para que eu não morra. Não sei dá onde vem tanta crueldade para com palavras. Fiquei pensando, pensando, pensando. Até que lembrei. É isso! Já escreveram para mim. Você. Você. Você. Você escreveu. Forcei minha memória para me lembrar o que continha naquele texto que você publicou em seu blog, que por sinal, foi eu quem te influenciou a criar. Era um texto enigmático e sinceramente, um dos mais lindos que eu já li. Eu demorei a perceber que era ao meu respeito até porque eu nunca sei quando algum garoto está apaixonado por mim. Talvez até saiba, mas não levo a sério. Todos os garotos que passaram em minha vida, eu só fiquei sabendo de seus apreços depois que já tinham me esquecido. "Porque não me disse antes?" "Sei lá. Medo" Medo. Esse meu jeito durona não deixa os garotos se aproximarem, mas você era meu amigo. Sabia muito sobre mim. Disse até que tinha feito um caderninho "Desvendando a Anna Morato". Caderno esse que nunca agarrei em minhas mãos para poder dizer o que estava certo ou errado. Não sei se existiu mesmo ou se ainda existe. Enfim, não importa. Só curiosidade mesmo. Você sabia dos riscos e mesmo assim quis sair da sua zona de conforto para entrar na minha zona de perigo. Você sabia exatamente que meu campo minado é perigosamente traiçoeiro e que qualquer respiração mais ofegante, as bombas explodem. Ka-boom! ta-bum! Uma bomba explodiu: " Desculpa, mas eu te vejo só como amigo. Desculpa mesmo."
Todo e qualquer garoto que ousa entrar na minha zona de perigo, automaticamente assina o seu tratado de morte. Não me ame se eu não te amar, pooooooooooooor favor. Eu me torno a pior garota do mundo e foi o que me tornei para você. Você conheceu meu lado insuportável que eu tanto dizia, mas que você nunca acreditava.  Você foi corajoso e o que eu fiz? Eu fugi. O que eu fiz? Eu ignorei. O que eu fiz? Abandonei nosso barco de amizade. Sei lá. É mais fácil sumir do mapa. Se eu não posso doar amor para alguém, não quero que me doem também. Não aceito a hipótese de alguém me amar sem ser correspondido. É isso. Acho que tenho essa linha de pensamento porque já sofri muito por amores não correspondido, amores não, paixãozinhas mesmo. E agora? Você me ama ainda? Faço figas para que não. O meu sentimento continua o mesmo: amizade.  Eu nunca te escrevi, mas hoje eu não conseguiria dormir sem te escrever. Eu precisava admirar a sua atitude. Preciso que você saiba da minha admiração por você. Parabéns. Você foi um dos poucos que me enfrentou. Quem é o louco? Quem é o louco pra me enfrentar? Você foi. Quebrou as regras, ousou quebrar a barreira. Garoto que ousa se envolver comigo é corajoso. Eu digo isso porque sei muito bem da minha personalidade de leoa em pele de ovelha. Quem não me conhece, que me compre.

Anna Carolina Morato.

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