8.9.13

Você é um terremoto, Felipe.

 Lívia cansou de tentar falar sobre seus sentimentos para Felipe. Sendo assim, decidiu escrever. Pegou uma folha de papel e uma caneta, colocou a data e começou a carta com a seguinte frase:

“Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito.”

Li essa frase em um livro da Marian Keys e como foi bem na época que tudo aconteceu, fiz dela o meu mantra. Aos poucos eu superei meu vício de falar de você e de pensar também, mas claro que pensar demorou um pouco mais. Eu pensei em tantas coisas, mas até isso Felipe, eu superei. Eu fiquei muito triste porque eu gostava de você. Sei que errei muito e só agora consigo perceber o quanto fui imatura. Tudo o que fiz, achando que estava pensando em nós, quando na verdade eu só estava pensando em mim. O meu egoísmo roubou o teu espaço e te sufocou. Eu te vi escorregar pela minhas mãos e assim,  te perdi. Então eu te quis de volta, mas era tarde. Tentei concertar, mas era tarde. Falei, mas era tarde. Você não queria mais saber, você não queria mais ouvir. Eu era o barulho do teu silêncio. O teu silêncio foi um terremoto e em destroços, me transformei.  Você podia ter tido um pouco de consideração, não podia? Eu fiquei um bom tempo me culpando pelos nossos erros. Eu assumi toda a culpa e meus ombros ficaram tão pesados que eu deixei os TEUS erros na metade do caminho e passei a me sentir mais leve. Foi aí Felipe! Foi nesse momento em que eu comecei a TE superar. Comecei a lidar só com os meus erros e entrei em um processo de perdão de mim mesma. Então eu me perdoei, logo em seguida, entrei em um outro processo pra perdoar você. Você me viu feliz e voltou naquele verão, declarando saudade. Você atrapalhou tudo! Eu estava começando a superar, estava voltando a me sentir feliz e lá veio você, com essa história de saudade. Eu te aceitei como uma pessoa em que eu pudesse contar... Mas então você foi e me feriu novamente e aí Felipe, ah Felipe! Ai que eu tive que recomeçar. E lá foi eu, retirar os destroços que você deixou na minha vida, na minha mente, no meu coração. Você é um terremoto, Felipe. Olha só o que você fez! Precisei de mais um tempo, enfrentei um rigoroso inverno. Fazia frio, mas eu tinha de limpar a sujeira. Só que dessa vez, eu fui o silêncio do teu silêncio e  quanto aos entulhos que você deixou, eu preferi colocar fogo e você Felipe, virou cinzas.

Ela colocou o último ponto final e leu-a em voz alta, dobrou o papel e colocou em um envelope vermelho. Foi até a cozinha, pegou um fósforo, acendeu-o e deixou queimar até ver o último pedaço daquele envelope, em cinzas. 

MORATO, Anna Carolina.

Um comentário:

Brunno Lopez disse...

Escrever e apagar é uma forma de superar.
(Não julgo se é ficção ou realidade, mas a atitude parece funcionar bem para você).