3.12.11

Inchaço.



Eu começo o ano já pensando em dezembro, toda vez.  Os meses vão passando e dezembro vai  ficando cada vez mais perto. Chega novembro e eu surto. No mês onze sobre cai sobre mim tudo o que aconteceu no ano. TUDO MESMO!  Sinto-me tão pesada, tão fadigada. Fico revoltada, meu humor oscila. Xingo o universo inteirinho. É uma tortura, porém, não posso ser tão ingrata, tive dias bons, bons não, ótimos. Mas mesmo assim, não gosto dele. Do mês de novembro.

Juro, eu estava ansiosa pra dizer: Vejo você ano que vem novembro, tchau. Agora sim, Oi dezembro. Ah! Dezembro. Dezembro. Dezembro. Como eu te esperava. Me dá até uma coisa boa assim, sabe? Nossa Senhora. Mas apesar de sentir essa tal " coisa boa", eu ainda me sinto cheia. Cheia de mim, cheia das pessoas, cheia de tudo. Sabe quando o que você mais quer é conseguir chorar? Sério, eu preciso muito chorar. Chorar feito bebê, durante horas. Não importa. Só quero chorar.

Eu não sou feita de titânio. Aliás, entre ser de titânio e ser humana, eu escolho ser humana e isto é extremamente nobre. Quantas vezes eu já ouvi: " Você é  um exemplo pra mim." Cá entre nós, eu nunca pedi pra ser exemplo de ninguém. Olhem só pra mim, cheia de defeitos. Devaneios. Uma louca fugida do hospício. "Você é tão certinha". Só deixa eu lembrar, pessoas certinhas também erram e não importa quantas vezes eu pense e repense antes de tomar decisões, eu sempre vou errar em alguma coisa. Essa é a consequência de ser humano, aceitar o erro e ainda assim, ser feliz por isso. 

Na verdade, eu sou um eterno paradoxo. Escolho ser humana, mas me faço de titânio a todo instante. Como se nada me atingisse de fato, como se curar uma ferida fosse a mesma coisa que amarrar o cardaço de um tênis pela primeira vez. Vou surrando tudo aqui dentro, lutando contra qualquer coisa que me faça sentir meio mal. Eu debocho descaradamente da tristeza pra que ela se sinta incomodada e não faça da minha vida, a sua morada. É meio esquisito, mas eu dou risada da minha própria desgraça. Que pessoa mais insana que sou. Rir da própria desgraça? Pois é, eu rio e ainda convido gente pra rir junto comigo porque é triste, mas mesmo sendo triste, dá pra se tirar um proveito. Uma piadinha. 

Talvez o que cause o sentimento de exemplo e admiração nas pessoas seja isso. Seja este meu jeito sutil de adocicar o amargo. Este meu otimismo de que tudo vai ficar bem. Esta minha facilidade inédita  em tacar o foda-se e continuar doando sorrisos faceiros por aí. O meu cinismo. Minha indiferença. Você faz questão? Que pena, eu não! Acreditem, não é fácil ser eu. Eu nem sei o que eu faço comigo mais.  É tudo meio delicado, você sabe.

Quando eu não sorrio, as pessoas a minha volta ficam perplexas. Quando eu não falo demais, desconhecem. “Essa não é a Anna que eu conheço.” A verdade é que ninguém suporta a ideia de me ver triste porque sem perceber, eu  exalo alegria só de falar um Oi  com esse meu sotaque caipira, meio amineirado, arrastado. De fato, a minha alegria carrega o mundo e quando eu estou triste, o mundo desaba. A hora que eu chorar, vai ser o choro mais deprimente desse mundo. . .


Anna Carolina Morato.

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