4.2.11

É a vez do meu coração.

Me sinto como uma caixa, onde um dos lados está escrito " Deposite aqui a sua dor". Escuto quase tudo atentamente, mas nunca deixo de escutar. Fecho meus lábios e faço o possivel para ser util para alguma coisa. Não estou me queixando, ou algo do genero. Não é nada disso, por favor, me entendam! O lance é que quando sinto o desejo de desabafar, há um interrompimento e em seguida, o meu bloqueio. Eu não sei traduzir os meus sentimentos, a língua usada ainda é desconhecida e por falta de sorte, não providenciaram um tradutor. Eu sinto, mas não quero sentir. Me recuso assumir. Desafio no sorriso, e recuo no olhar.  Só grito mesmo para tirar a pressão da panela que está dentro de mim, é a forma mais convencional, eu acho. Tem dias que eu desejo roubar alguém, só para ouvir como a badalada do  meu coração é extremamente desordenada. Convido a felicidade, faço a festa no silêncio, e quem dança é o barulho. Sou forte tanto quanto fraca, para não desequilibrar a balança. Preencho as linhas com rabiscos, ao invés de letras. Fujo da dor, mas trombo com a solidão. Só preciso dialogar, nada demais. O problema mesmo é que é muito raro eu sentir a vontade de  vomitar palavras e pensando bem,  um abraço forte e apertado para aquecer a alma, quita o débito.

2 comentários:

Hugo de Oliveira disse...

"desafio no sorriso e recuo no olhar"...lindo demais isso.
abraços

AnaXimenes disse...

"Fujo da dor, mas trombo com a solidão. Só preciso dialogar, nada demais. "

Me identifiquei com essa parte!!
;*