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Desabafo.

Eu poupo. Essa é a questão, eu poupo as pessoas. Penso que por ser extremamente geniosa, eu devo poupa-las e, ao pensar dessa maneira, eu agrado. Faço o possível e impossível, quando possível. Entretanto, eu ainda não vi alguém se dar bem por agradar ninguém. O pior é que eu não agrado por mal, faço porque posso. Faço o que está no meu limite. Faço o que não comprometa o meu estado de espírito. Porém, em algumas circunstâncias, eu me contrario por fazer a vontade de alguém. Depois, me sinto péssima. Péssima por não ter me respeitado. Péssima por não ter imposto minha opinião. Péssima por ser péssima em falar não. É só assim que eu me sinto, péssima.  Engulo muito sapo na intenção de não desgastar as pessoas ou de não comprar "briga" por isso ou por aquilo e mimimi. São tantos desagrados, mas enquanto poupo as pessoas, eu me desgasto inteirinha. Ainda relevo, levo na esportiva, ignoro, mas chega  uma hora que acumula. Que fadiga. Que estressa. Eu sou uma explosão em pes...

Des-amor.

Sinto o cheiro do amor. Uma amiga me liga pra dizer que está namorando. A outra me manda no WhatsApp  que está a p a i x o n a d a . Um amigo me pede segredo, mas diz que está quase namorando também. O outro me diz que conheceu alguém e está encantado. A nuvem do amor  paira sobre a cabeça da maioria dos meus amigos, menos da minha. Esses dias parei pra perguntar pro meu coração se ele ainda estava vivo porque eu não consigo gostar de alguém. Eu tento, por um momento, mas passa. Eu tenho medo de tudo e tudo tem medo de mim. O meu problema é que eu não me sujeito mais a sentir algo por alguém que não sente nada. Eu sei o que é a dor de uma entrega não correspondida e depois de incontáveis falências emocionais, aprendi a não me entregar. De sentimentalista, pra racionalista. Quem me viu, quem me vê! Eu que gritei tanto pelo amor, sou só o des-amor. Anna Carolina Morato.

Velhice não é desculpa!

Era pra ser um dia comum de estudo, porém, aconteceu um fato marcante. Estava sentada em uma das mesas da cantina, acompanhada de um copo de café e um tablete de chocolate, enquanto observava aqueles idosos pelo corredor. Próximo a minha mesa,  estava alguns funcionários da Universidade e ao ver os idosos, alunos  da UMI ( Universidade da melhor idade), uma funcionária comentou:  “Já estão todos velhos, querem aprender o que ainda? Vixi, olha lá aquele velhinho.”  Ao dizer isso,  gargalhou  junto com os outros funcionários. Olhei-a e ao observar o meu olhar, sorriu. Retribui seu sorriso com uma fisionomia simpática e voltei-me para o rumo pelo qual seu comentário me distraiu. Continuei observando-os, enquanto suas palavras ecoavam na minha mente. Velhos. Velhos. Velhos. Bendito sejam eles, que mesmo  “velhos” , buscam o conhecimento. Sei que não posso julgar se a intenção dessa funcionária foi de mau gosto ou não, mas na minha concepção, foi...

Um dia de cada vez..

Semana passada, eu estava na fila do pão e ouvi a mulher que estava atrás de mim dizer pra alguém no celular: "Ah então menina! Eles deram um tempo, mas ele não me conta nada. Eu não entendo aqueles dois. É um vai e volta."  Provavelmente referia-se ao filho e a sua suposta nora. O diálogo de uma desconhecida não mudaria nada na minha vida até então. Porém, recebi no outro dia uma sms assim: "Pedi um tempo pro Gustavo" . Surpresa com o conteúdo da mensagem, respondi: "Como asssssim? Você me disse que estava tão feliz, porque isso agora?" e a resposta recebida foi: "Ah amiga, eu não sei. Não gosto dele como achei que gostava e preciso de um tempo pra saber o que eu realmente sinto."  Três dias depois era eu quem estava pedindo um tempo. Dessa forma, cheguei a conclusão que  talvez uma das coisas mais dolorosas da vida seja pedir pro tempo adiar aquilo que não estamos preparados pra resolver agora. Quando eu disse: "Eu preciso de um tem...

Satisfação aos leitores.

Quando vi que minha última publicação foi feita em trinta e um de março de dois mil e treze, eu assustei. Juro! Acredito que nunca fiquei tanto tempo sem publicar um texto e sinto que devo desculpas a quem me lê. Devo desculpas porque vários leitores me perguntaram o que aconteceu ou cadê meus textos ou se eu abandonei o blog. É muita negligência da minha parte não dar uma satisfação, é por isso que venho aqui tentar explicar alguma coisa.   Espero que entendam o meu silêncio. Quando nos sabemos o que escrever, é melhor não escrevermos nada. Embora eu não tenha publicado nenhum texto nesses dois meses, existem vários escritos (interminados) tanto no Word, quanto no papel. Porém, s ão textos muito pessoais e preferi não expô-los. Talvez eu esteja em uma crise existencial. Quem sabe? Antes eu tinha uma facilidade tremenda em escrever e publicar, independente do nível da entrega pessoal que este texto me proporcionava, mas agora estou selecionando minhas publicações. É como se e...

Sobre a simplicidade.

Escuta aqui seu moço, eu só sou uma moça do interior.   Nasci numa cidadezinha no leste de Mato Grosso do Sul, tal de Três Lagoas. Já ouviu falar?   As pessoas da cidade grande acha que aqui onde vivo é tudo mato, que animais selvagens vivem entre os habitantes e que nosso meio de locomoção são carroças, mas vou te dizer uma coisa: Cambada de ignorantes. Aqui é uma cidade como outra qualquer, com asfaltos e carros pelas ruas e o mais importante: Sem animais selvagens perambulando entre nós.   Só tem uma lagoa que tem crocodilos, capivaras e antas, mais... Mero detalhe. Nada demais. Cresci aqui moço, e se lá na cidade grande me chamam de caipira, que seja. Tenho orgulho dessa minha essência. Eu sempre morei na cidade, mas nas horas de descanso, eu estava no rancho. Aiiiii moço do céu! Foi lá que aprendi a amar as coisas simples da vida. Esquecia-se a rotina estressante no caminho  e assim que chegava lá, eu descia descalça e abria a porteira. O carro segu...

Sobre a vida.

Escrevo   sobre a luz do luar, namorando as estrelas porque estou desempregada o suficiente para fazer isso, ou de férias, como preferir. Sai do emprego. Presenteie-me com   este mês de descanso. Trabalhei um ano e dois meses sem férias. Meu corpo não só arregoou como chorou por dias de sombra e água fresca. Meu cérebro estava bloqueado. Eu realmente não tinha mais forças, estava ligada no automático.   Preciso dizer que agora estou bem. Descansando ao máximo e aproveitando minha vida de atoa. Senti falta de poder ficar em casa. Estou dando um tempo até a loucura começar. Em Abril, começa a minha vida de universitária. Aprovada em Letras, na UFMS.  Várias pessoas me questionam e me criticam. “Porquê não faz Jornalismo logo?” “Af, o que você vai fazer em Letras?” “ Não tinha um curso melhor pra você escolher não?” “Não tá perdendo tempo   fazendo um Letras ao invés de Jornalismo?” “Vixi, vai ser professora.” Falam como se tivessem conhecimento de causa. Nem...